Notícias do Vale do Paranhana.

Hoje é um dia especial para a “cidade-mãe” do Vale do Paranhana. Taquara, neste dia 17 de abril, completa 133 anos de emancipação.

Com população estimada em 57.292 pessoas (dados estimados pelo IBGE em 2018), a velha Taquara do Mundo Novo é a raiz não só dos seis municípios que compõe a região, mas também de Gramado (a emancipação ocorreu no ano de 1954). Tudo graças à pujança do setor do comércio, no qual é referência desde seu nascimento.

A HISTÓRIA OFICIAL

O território de Taquara fez parte da sesmaria, concedida em 1814 a Antônio Borges de Almeida Leães, que em 20 de junho de 1845 vendeu a Tristão José Monteiro e Jorge Eggers. No ano seguinte, em 4 de setembro de 1846, o território passou a ser propriedade exclusiva de Tristão Monteiro, quando iniciou-se o processo de colonização. Em 7 de setembro de 1846, chegaram os primeiros imigrantes alemães que deram início à colonização da Fazenda do Mundo Novo. Com o processo de colonização de outras etnias, através da Colônia de Santa Maria do Mundo Novo, as famílias presentes eram:

Família Ritter (alemã)
Família Lahm (alemã)
Família Schirmer (alemã)
Família Krummenauer (alemã)
Família Schäfer (alemã)
Família Klein (alemã)
Família Lambert (alemã)
Família Laux (alemã)
Família Jacoboski (polonesa)
Família Raimondo (italiana)
Família Fischer (alemã)
Família Belmonte (espanhola)
Família Petry (alemã)
Família Korndörfer (alemã)

Em 24 de setembro de 1880, foi instalada a 1º Comarca de Taquara. O município surgiu com a Lei Provincial nº 1568 de 17 de abril de 1886. Através do Decreto Estadual nº 1404 de 10 de dezembro de 1908, a vila de Taquara recebeu o título de cidade.

PASSADO E PRESENTE

Taquara tem seu nome proveniente da cerrada vegetação de bambus silvestres (taquarais), que na época de sua colonização cobria as margens do Rio dos Sinos, um dos cursos d’água que banha a cidade e abriga em seu território atividades que surgiram a partir dos empreendimentos familiares dos imigrantes, em grande parte de origem germânica, ligados em sua maioria aos setores industrial e comercial que detém um elevado percentual da economia de Taquara.

Por se situar próximo a cidades com forte fluxo turístico, como Gramado e Canela, o município também apresenta um grande potencial nesta área. A beleza arquitetônica dos prédios antigos na área central é uma das tantas atrações que turistas do país inteiro e até do exterior já estão descobrindo. Um exemplo é o Palácio Municipal Coronel Diniz Martins Rangel, onde está estabelecida a Prefeitura Municipal, construção em arquitetura neoclássica que data do início deste século XX.

Outro cartão-postal são os templos das Igrejas Católica e Evangélica, construídos frente a frente na principal rua da cidade e as construções no estilo enxaimel encontradas no interior do município, que encantam os visitantes. Na localidade de Morro da Pedra, no interior do município, está situada a Vila Naturista Colina do Sol, a segunda maior área do Brasil para a prática desta filosofia de vida.

GRUPO MANTÉM VIVA A HISTÓRIA DO PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO

Com o objetivo de valorizar, recordar e até trabalhar a consciência de preservação do patrimônio histórico de Taquara, o grupo V.P. Patrimônio Histórico-Cultural é uma espécie de curadoria de antigas fotografias dos “tempos de antanho” do município.

Da época de colonização, seguindo pelos trilhos de trem até os dias atuais, o grupo no Facebook discute sobre o zeitgeist (espírito de época) de décadas passadas, abordando estilos arquitetônicos, comportamento, personagens históricos — e folclóricos — e tudo mais que tenha sabor histórico e nostálgico. Confira algumas imagens e suas devidas contextualizações históricas:

Comércio na Tristão Monteiro

Rua Tristão Monteiro. À direita, a antiga Casa Ebling & Fleck compõe um conjunto com o Palácio Municipal Diniz Martins Rangel, a Casa Vidal (em restauro), a Casa Laube, o Clubb-Comercial, o prédio do antigo Banco da Província (hoje CICS-VP) e a Praça Marechal Deodoro. Construção histórica, pela participação econômica que teve no desenvolvimento da cidade, ainda se mantém de pé, porém sofreu muitas intervenções, principalmente em suas aberturas.

* Postado pelo membro Aline de Andrade

(Foto: divulgação)

“Ói o trem!”

Com o trem na rua Tristão Monteiro, Taquara ficou movimentada. Na fotografia do final da década de 1920, podemos observar a população no entorno. A estação era um prédio simples de madeira. Além disso, Taquara tinha o particular movimento do trem em entrar de marcha a ré na cidade.

* Postado pelo membro Aline de Andrade

(Foto: divulgação)

Desfile esportivo

Em ano não identificado, time de voleibol do colégio Santa Teresinha em dia de desfile pela Independência, na Rua Rio Branco diante do sobrado do médico Breno Ritter. Atenção para a casa com linhas Art Déco, recém-demolida.

* Postado pelo membro Gil Jacobus

(Foto: Fernando Jung)

Enchente histórica nos anos 70

Enchente do ano de 1978, na Rua Bento Gonçalves.

(Crédito: Eliana Renata Warken)

Centenário

Em 17 de abril de 1986, Taquara completou 100 anos. Na fotografia, a inauguração do Museu Histórico Municipal, com a presença de Adelmo Trott, o governador Jair Soares e as princesas do Centenário, juntamente com outras presenças ilustres.

* Postado pelo membro Aline de Andrade

Antiga paisagem urbana

Década de 1930: antiga Casa Chico, na Rua Julio de Castilhos (atual Banco Itaú).

(Crédito: Rui Fischer)

Chafariz da praça

Antigo chafariz da Praça Marechal Deodoro, hoje extinto. Se tivessem conservado, hoje seria atração na cidade.

* Por Aline de Andrade

(Crédito: Júnior Teixeira de Souza)

Anos 30

Registro feito do alto da Avenida Dr. Edmundo Saft, década de 1930. Muitas dessas casas já foram demolidas, infelizmente.

* Por Aline de Andrade

(Crédito: Ana Lúcia Holmer Bauer Schweitzer)

Prefeitura nos anos 40

Palácio Municipal Coronel Diniz Martins Rangel em 1942, ainda ostentando seus ricos ornamentos. De acordo com o projeto inicial, prédio público seria maior e contaria também com um relógio no alto da fachada, que nunca chegou a termo.

(Crédito: Eliana Holmer Marcolin)

Rock and roll made in Taquara

Nos anos 60, em meio à invasão britânica de Beatles e Rolling Stones, Taquara também teve seu conjunto da moda: os GEU Boys. A banda era formada por Daltro Dietrich, Eduardo J. Elwanger (Bodinho), Claudio Cunha, Paulo C. Leal (Foguinho) e C. Antonio Bauer, Jackson Regis Volkart, Paulo C. M. , Dirceu M. Martins Filho e João C. Ostermann.

(Foto: divulgação)

Igreja Católica

Em 1920, a Igreja Católica ficou pronta.

* Postado por Gil Jacobus

Igreja Evangélica

Taquara em 1935. Construção da Igreja Evangélica de Confissão Luterana.

* Postado por José Neto

(Crédito: S. Ostermann de Oliveira)

Nostalgia automobilística

Rua Grande (Júlio de Castilhos) no ano de 1976.

(Crédito: Francisco Koetz Souza)

Monumento à Melancia

Quem lembra do monumento da melancia que existia no bico da praça de Taquara?

* Postado por Atanasio Fröhlich

(Foto: divulgação)

Cartão postal

Da década de 20: cartão-Postal de desfile cívico, na Rua Júlio de Castilhos

(Crédito: Ana L. Holmer Bauer Schweitzer)

Sociedade 5 de Maio

A sociedade 5 de Maio originou-se da Sociedade de Canto harmonia , fundada em 1866. Esta sociedade inicial foi extinta em função da Guerra do Paraguai. Já em 5 de maio de 1886, surge a sociedade com os mesmo propósitos da anterior. O antigo nome era “Liga dos homens Allemães – Deutsher Männerbund”.

A sociedade tinha como finalidade cantar canções, hinos sacros em festas religiosas. Inicialmente a sociedade funcionou na casa de seu João Antoni, sendo 12 de maio de 1886 a primeira hora de canto. No mesmo ano, novembro, alugou-se uma casa na rua Tristão Monteiro pertencente ao senhor Jorge Fleck.

No ano de 1887 acontece a compra de um terreno. Já em 16/10/1898 acontece a fundação da pedra fundamental. Em 12/11/1899 é inaugurada a nova sede. No ano de 1912 constrói-se a casa do ecônomo e em 1917 a cancha de bolão. Na data de 05/06/1909 vira sócio, primeiro brasileiro luso, alterando-se o parágrafo que todos deveriam ser de origem alemã, mas mantendo o parágrafo que deveria dominar a língua alemã. Em 28/10/1917, devido a Primeira Guerra, mudou-se o nome para Sociedade 5 de Maio, e alterou-se a língua oficial, não sendo mais o alemão e sim o português. Legalmente o nome passou a valer em 18/8/1923 (Sociedade de Canto 5 de Maio). Em 27/12/1922 foi proibida a hora do canto alemão. Em 27/01/1929 foi lançada a pedra fundamental da sociedade atual. Em 5 de maio do mesmo ano acontece a inauguração. Por alguns anos o prédio da sede ficou em esquecimento, então por volta de 2001 ocorreu uma reforma. A nova reforma tirou alguns detalhes que não foi possível recuperar, como o terceiro andar que se situava na parte dos fundos. Parecer técnico:

O prédio é um dos mais importantes para a memória da colonização e ocupação de Taquara pelos imigrantes e descendentes de alemães, remetendo a um aspecto cultural peculiar dos imigrantes; o canto coral. A sede para as reuniões e execução das apresentações caracteriza o urbanismo e a ascendência econômica e social dos “colonos alemães”.

* Publicado pelo membro José Neto

 

(Foto: divulgação)