Notícias do Vale do Paranhana.

Em coletiva realizada na manhã desta quinta-feira (29) na Delegacia de Polícia (DP) de Taquara, o delegado responsável pelo caso Heliomar Franco e a delegada titular do município Rosane de Oliveira falaram sobre o assassinato de Jussara Mari, 64 anos, morta dentro de casa na terça-feira (27).

As autoridades policiais deram detalhes sobre o crime, já confessado pelo autor, o advogado Ademar Augusto Rosa, 67, genro da vítima. Houve também a participação do enteado de Jussara, Alexandre Ricardo Thiesen, 50.

— Para o nosso espanto, os indivíduos são parte integrante do convívio familiar da vítima. Em um primeiro momento, pensamos que o caso pudesse se tratar de um roubo, desavença ou vingança de algum vizinho, por exemplo. Porém, uma das linhas de investigação era a de que pudesse ter envolvimento de familiares, o que se confirmou — relata Franco.

O delegado conta que existem provas dentro do inquérito que apontam a autoria do crime pelos acusados, presos preventivamente. Segundo Franco, Ademar confessou a execução do homicídio, dando detalhes sobre a motivação.

— Ele falou a respeito de divergência dentro da família sobre os bens, administrados pela vítima, que era a principal mantenedora, gestora e executora das despesas que vinham do patrimônio familiar. E havia uma desavença, uma contrariedade sobre a forma como ela vinha executando o uso desses bens. Além disso, o autor relatou que havia alguns problemas de comportamento, inimizades e ressalvas entre as partes e que as coisas foram se acumulando, ao ponto de ele admitir que não suportava mais conviver com Jussara. E usou isso como argumento para tirar sua vida — detalha.

A ELUCIDAÇÃO DO CRIME

A delegada Rosane explica que quando a Polícia Civil foi até a cena do crime na terça-feira, ao ouvir as pessoas no local, foi possível perceber a atmosfera de desavença entre a família no sentido de administração de bens e herança do patriarca, que tem cinco filhos: três do primeiro casamento e outros dois da relação com a vítima.

— O patrimônio do marido de Jussara – que é um vasto patrimônio –, ao longo dos anos estaria se deteriorando e quem administrava era a própria vítima. A justificativa do crime é que ela estaria beneficiando seus filhos em detrimento dos filhos do primeiro casamento de seu cônjuge. Desavença, essa, que vinha de muitos anos — conta a delegada.

Rosane relata que o primeiro passo da investigação foi verificar câmeras de videomonitoramento.

— Havia provas de que Ademar e Alexandre conversaram logo após o evento, no local do crime. Então imaginou-se que pudessem estar em conluio — diz o delegado Franco.

O instrumento do crime utilizado para bater na cabeça da vítima foi um pedaço de madeira.

— Ademar falou sobre seu hobby de fazer malabarismos com bolas e pedaços de pau. Foi um desses objetos, também encontrado dentro do seu veículo, o utilizado para dar pancadas na cabeça da vítima. Ele entrou na casa já com o instrumento na mão e em seguida bateu em Jussara, que estava sentada assistindo televisão. Então, eles entraram em luta corporal. A vítima acabou atingida por diversos golpes e teve o crânio esmagado — narra Rosane.

Mas não foram as pauladas que mataram Jussara, afirma a delegada.

— A vítima ainda estava viva após as pauladas. Então, o acusado foi até a cozinha, onde também encontramos manchas de sangue na maçaneta das gavetas, e procurou um instrumento para que pudesse perpetrar o homicídio. E foi aí que ele deu estocadas em Jussara com uma faca de cozinha — detalha.

Segundo Franco, Alexandre, além de ter a prisão preventiva decretada por suspeita de participação no homicídio, foi apanhado em flagrante com três armas – uma delas com numeração suprimida. Na casa dele a polícia ainda encontrou R$ 14 mil em espécie.

— O porte irregular de arma de fogo é um crime inafiançável — complementa o delegado.

A delegada acrescenta que Ademar esteve duas vezes na casa onde teria matado Jussara.

— Na primeira, executou o crime. Então saiu e decidiu voltar à cena para retirar o instrumento que usou para praticar o delito – o pedaço de madeira. Nesse momento, ele teria se encontrado com Alexandre e teria perguntado a ele onde estaria o pedaço de pau utilizado no crime, sem perceber que o instrumento havia ficado embaixo do corpo da vítima, que acabou sendo encontrado depois pela polícia — ressalta.

De acordo com Franco, Ademar, em sua confissão, isentou Alexandre de participação.

— Alexandre já foi ouvido na qualidade de testemunha dos fatos. Agora, será ouvido como suspeito. Não podemos dar mais detalhes sobre sua participação para não atrapalhar a investigação, já que ainda o ouviremos em interrogatório — conclui.