Notícias do Vale do Paranhana.

Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (23), a delegada responsável pelo caso, Rosane de Oliveira, relatou alguns detalhes do crime de tentativa de feminicídio contra a diretora da Câmara de Vereadores de Taquara Marilene Wagner, ocorrido nesta quinta-feira (22).

Segundo a delegada, o casal voltava de Porto Alegre em direção a Taquara, quando José Antonio Sartori, ex-companheiro da vítima, parou o carro na ERS-020 alegando problemas mecânicos.

Rosane detalhou que Sartori desceu e, indo até a janela onde estava a mulher, passou a disparar contra ela através do vidro usando uma luva para isso. Conforme a delegada, foram entre seis e sete disparos. A vítima foi atingida na perna, no ombro e no peito.

Ao retornar ao veículo, percebeu que a mulher ainda estava viva e tentou asfixiá-la. Ele seguiu dirigindo até a cidade de Igrejinha. No caminho, a vítima resolveu fingir ter morrido.

De volta a Taquara, o suspeito levou a vítima até o Hospital Bom Jesus. Ao ser atendida, a mulher narrou o acontecimento aos médicos, que chamaram a polícia.

A delegada afirma que todos os fatos estão sendo apurados, mas não tem dúvidas da frieza e da forma como o homem teria planejado a morte da ex-esposa. Segundo a policial, é investigado um histórico de agressões e de ameaças dele contra a companheira nos últimos anos devido a uma disputa patrimonial. Pelo fato de a decisão judicial ter sido favorável à esposa, Rosane diz que o homem teria mudado a estratégia, fingindo uma reconciliação.

— Tanto é que na quarta-feira eles realizaram um passeio, foram ao cinema, foram jantar em um restaurante e tiraram várias fotos, como um casal que estava bem — ressalta a delegada.

FILHOS FALARAM SOBRE ATITUDES DO PAI

Também estavam presentes na coletiva os três filhos de Sartori e Marilene: a professora Cassiane, o profissional de educação física Thiago e o empresário Bruno. A filha recorda que o pai era agressivo com a mãe desde que ela era criança.

— A questão da agressividade sempre foi presente. Lembro de gritaria dentro de casa, não era todo dia, mas acontecia. Aí eu pensava “ah, mas é meu pai”. Essas coisas ficam na cabeça da gente. Mas, se a mãe aceitava o tratamento, quem éramos nós para se meter? — pondera.

Sobre a reaproximação do casal, Cassiane relembra de uma conversa recente que teve com mãe.

— Ela me falou que estavam se reaproximando. Ai perguntei: “mas vocês estão namorando?” E ela disse “não, estamos só saindo. Estamos nos conhecendo de novo”. Comentei que é melhor que seja com alguém o qual tu já conhece os defeitos do que com uma pessoa diferente — conta.

Perguntado sobre o que espera do desfecho do caso e se quer ter contato com o pai, Bruno declarou que espera por justiça.

— Quero justiça. Só quem conhece minha mãe sabe do que estou falando. Minha mãe tem mais de 60 anos, é aposentada e ia começar a viver a vida dela a partir de agora — afirma.

A reaproximação dos pais não era bem vista por ele.

— Quem éramos nós pra dizer “tu não vai se reaproximar dele?” Eu não queria porque eu sabia quem ele era desde o começo. Só que a situação é que ele é meu pai. Tu não quer acreditar que esse tipo de coisa possa acontecer — lamenta.

Para Bruno, o crime foi planejado.

— Ele premeditou tudo, tenho certeza. Eu jurei que realmente tinha acontecido um assalto, já que estava tudo bagunçado na casa e a arma havia sumido.

Sobre as motivações do pai em cometer o feminicídio da mãe, Cassiane não crê em questões financeiras.

— Minha mãe é aposentada e continua trabalhando para ter uma renda melhor. Não tem dinheiro envolvido na história — observa.

Segundo os filhos, também não há indícios de que possa ter sido um crime passional motivado por ciúmes.

— A mãe passou todos esses anos sem namorado — revela Cassiane.

Bruno recorda do dia em que soube da reaproximação dos pais.

— Entrei em casa, vi os dois e disse: “só quero que vocês sejam felizes”. Ela sorriu feliz e deu um beijo nele. Mas eu sentia na cara dele que havia algo ali. Eu conheço ele! Só que, como eu iria falar alguma coisa? Eles têm 60 anos de idade, ela passou tanto tempo sozinha… O que tu vai fazer numa situação dessas? Tu vai apoiar — recorda.

Os filhos atribuem os atos do pai a transtornos de personalidade.

— Nós acreditávamos há um tempo que as preocupações do meu pai eram os filhos e a empresa dele. Mas, no momento, ele não tinha os três filhos em casa e todos já estavam com a vida organizada, a mãe estava aposentada e com renda para, a partir de agora, começar a viver. E, justamente nesse momento, ele tenta fazer isso com qual sentido? Eu não consigo entender. Ele é psicopata — diz Bruno.

Cassiane ainda acrescentou que o pai é diagnosticado com bipolaridade.