Notícias do Vale do Paranhana.

Administrada pelo Observatório de Astrofísica do Instituto Smithsonian com verbas da NASA, a Astrophysics Data System (ADS) é uma das melhores bibliotecas científicas do mundo. E é exatamente lá que está publicado um trabalho do pesquisador gaúcho Marcelo Cunha de Azambuja, doutor em Ciência da Computação pela PUCRS e professor titular do Instituto Federal Sul-Rio-Grandense.

Selecionado pela ADS para integrar seu acervo, o artigo de Azambuja, em colaboração com seis coautores, apresenta um método inovador de simulação para ambientes RFID (identificação por radiofrequência – uma das tecnologias centrais para o desenvolvimento da chamada Internet das Coisas).

Os experimentos capitaneados pelo pesquisador que reside em Taquara, no Vale do Paranhana, abrem novos horizontes metodológicos, demonstrando grande potencial para reduzir custos aos usuários.

O QUE É A TECNOLOGIA RFID

O RFID é um método de identificação automática e remota que utiliza ondas de rádio para realizar a comunicação entre uma base emissora e transponders/receptores. Esses transponders são denominados etiquetas, ou tags, e podem ser colocados em objetos, pessoas ou animais. Assim, é possível, por exemplo, identificar pacientes em hospitais, rastrear cabeças de gado em fazendas ou controlar mercadorias em estoques.

INOVAÇÃO MADE IN RS

Para ser colocada em prática, a tecnologia RFID precisa ser ajustada ao local onde será usada. E é nesta etapa que o trabalho de Marcelo Azambuja concentra seus esforços. O artigo selecionado pela ADS apresenta uma nova metodologia de calibragem de RFID que propicia até 95% mais precisão no processo. O trabalho conseguiu demonstrar como o tipo de material onde a etiqueta é aplicada (metal, plástico, madeira etc.) influencia no alcance de leitura das tags, bem como a potência necessária para que essa leitura seja feita. Além disso, o estudo apresenta modos para descobrir a força do sinal que toca a etiqueta e retorna ao leitor de radiofrequência. A metodologia criada por Azambuja e sua equipe pode ainda ser facilmente replicada em outros cenários, otimizando processos de RFID em diferentes ambientes.

O artigo, intitulado “Deterministic propagation model for RFID using site-specific and FDTD” pode ser acessado no site da Astrophysics Data System neste link.

SOBRE O PESQUISADOR

Natural de Osório, Marcelo Cunha de Azambuja mora em Taquara, no Vale do Paranhana, e é doutor em Ciência da Computação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação da PUCRS. Desde 2018 é professor efetivo no IFSul (Instituto Federal Sul-rio-grandense) na área de Computação. Antes, trabalhou na FACCAT – Faculdades Integradas de Taquara, onde atuou como coordenador dos cursos de Sistemas de Informação, Sistemas para Internet e Jogos Digitais. Azambuja é bacharel em Análise de Sistemas pela Universidade Católica de Pelotas (1997) e mestre em Engenharia Elétrica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2001). Tem experiência na área de Machine Learning com Python, desenvolvimento de sistemas baseados na Web, Comunicação de Dados, Segurança de Sistemas e redes TCP/IP.