Notícias do Vale do Paranhana.

Dia 28 de agosto é Dia Nacional do Voluntariado.

Quando o índice de trabalho voluntário, revelado pelo IBGE, cai de um ano para outro, o exemplo de voluntariado na cidade de Igrejinha, interior do Rio Grande do Sul, deve ser destacado. Segundo o Instituto, o voluntariado foi praticado por 7,2 milhões de pessoas em 2018, registrando uma queda de 1,6% com relação a 2017. Na população total do país, o número de voluntários representa apenas 4,2%.

Em compensação, Igrejinha mobiliza 3 mil pessoas, o equivalente a 10% de sua população – pouco mais de 30 mil habitantes – como voluntários na organização e realização anual da Oktoberfest.

Próxima da 32ª edição – de 18 a 27 de outubro -, a festa conta com a determinação, entusiasmo e a força de pessoas da comunidade que trabalham voluntariamente, desde 1988, como Ronete Werb e Amauri Heidrich, há quase 30 anos como Sueli Schmitz, e de novatos, como Vinicius Linden. E reconhece o trabalho de ex-voluntários, como Arlete Blauth, que participou do evento por 28 edições, e em 2019 visitará o Parque da Oktoberfest para se divertir sem compromisso.

“Gratificado” é o que se ouve quando são questionados sobre o que sentem com a dedicação e voluntariado para a Oktoberfest de Igrejinha. E o sentimento é explicado com o resultado colhido e revertido para a cidade e região após 31 edições realizadas: mais de R$ 15 milhões distribuídos para mais de 90 entidades da região.

Ronete Werb, 56 anos, participa ativamente desde a primeira edição, em 1988.

— Iniciei servindo chope, já atuei na área do financeiro, trabalhei com o Clóvis (marido) quando ele presidiu a festa na 26ª edição. Este ano sou uma das coordenadoras da comissão de decoração, trabalho que me orgulha muito, que exige responsabilidade, minha e dos 30 voluntários que trabalham na comissão, mas também me deixa realizada quando entregamos tudo e vemos a cidade e o Parque prontos para receber os visitantes — compartilha.

Presidente na 20ª Oktoberfest, em 2007, Amauri Heidrich, o Lamba, também marca presença entre os voluntários desde a primeira edição.

— Entrei em um grupo que precisava completar a equipe para servir chope e estou até hoje. Sigo em uma equipe de chopeira e também sou diretor de Patrimônio. Em 2007 estive à frente dos 3 mil voluntários, foi uma experiência engrandecedora — revela Lamba.

Sueli Schmitz, 64 anos, é líder de uma das equipes das chopeiras há 27 anos, e afirma que sempre será uma voluntária.

— Fiquei viúva há 29 anos e meus filhos, que já trabalhavam para a festa, sugeriram que eu fizesse parte também. Sou uma apaixonada pelo meu trabalho desde o primeiro ano como voluntária e espero poder seguir por muito anos servindo chope e ajudando as entidades — afirma Sueli, que trabalha ao lado de duas gerações da família, filhos e netos.

E o ano de 2019 será diferente para Arlete Blauth, 59 anos, e 28 deles como uma das 3 mil pessoas que fazem a Oktober acontecer. Será o ano em que ela visitará o Parque como público, sem compromisso de horário, equipe e tarefa a cumprir.

— Fiz de tudo como voluntária, servi chope, ajudei no desfile, na decoração e também trabalhei nas banquinhas das entidades, como Arekerb, Vila Nova, Maçonaria. Neste ano, por questões de saúde, tive que abrir mão, pois quando me dedico eu mergulho 100%, e desta vez não poderia. Mas, desta forma, novas pessoas podem participar como voluntárias, a renovação é necessária! Ainda assim integro dois grupos que estão com atividade no Projeto de Socialização, o OASE e Arekerb, então de alguma forma ainda me envolvo — conta Arlete.

Quem viverá pela primeira vez o voluntariado é Vinicius Linden, 32 anos, que se juntou ao grupo da comunicação e marketing.

— É intensa a expectativa. Como jornalista, sempre estive do outro lado, recebendo as informações da festa para divulgação nos veículos em que trabalho. Neste ano, a atuação é diferenciada, mas o voluntariado essencialmente é a doação daquilo que conhecemos para os outros — comenta o novato.

Os voluntários percebem que o que vivenciam na Oktoberfest de Igrejinha ultrapassa as barreiras do evento.

— Saber que a partir deste trabalho conseguimos melhorar a assistência às pessoas, de várias formas e nas mais diversas entidades e organizações, é gratificante — afirma o estreante Vinícius.

Amauri revela que a importância do trabalho voluntário para a festa foi ganhando novas proporções com o passar dos anos.

— No início éramos grupos de amigos que se reuniam pelo prazer de estarmos juntos e ajudarmos no que fosse necessário, mas a festa foi crescendo… Hoje o voluntariado é primordial, não só para a organização e realização da Oktober de Igrejinha, mas para a comunidade e outras entidades, que também dependem dessa força para se organizar e crescer, sem depender exclusivamente do poder público — conclui Heidrich.