Notícias do Vale do Paranhana.

Um dos assuntos que mais causou comoção no Brasil recentemente foi o incêndio que consumiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, a mais antiga instituição científica brasileira.

Há exatamente um mês, o sinistro de grandes proporções, ocorrido na noite do dia 2 de setembro, transformou em cinzas um dos maiores acervos de antropologia e história natural do País (cerca de 20 milhões de itens).

O portal TCA inicia nesta semana uma série de reportagens com os principais museus da região. Não somente com a intenção de mostrar as condições estruturais de cada um, o especial, sobretudo, quer revelar a importância histórica de seus acervos e a forma como as peças ressignificam-se na sociedade atual.

O primeiro é o Museu de História da Tecnologia Harald Alberto Bauer, abrigado pela Escola Técnica Estadual Monteiro Lobado (Cimol). O local, que tem aproximadamente três mil itens, narra a evolução tecnológica em uma viagem de mais de 100 anos.

A pianola, um clássico dos saloons do Velho Oeste e dos filmes de western, é um piano que executa músicas automaticamente

DO RÚSTICO COLONIAL À ENGENHARIA AERONÁUTICA

“A transmissão do conhecimento através das invenções ao longo da história”. Essa é a premissa do museu, que possui um que acervo que vai do rústico – como um alambique colonial – à sofisticação da computação, passando por máquinas a vapor de indústria alemã do final do século 19, utilitários agrícolas norte-americanos dos anos 20 e engenharia aeronáutica do período da II Guerra Mundial.

No vídeo, o diretor do museu Marcus Martins Bauer explica duas das peças mais historicamente emblemáticas e raras.

 

 

COMPUTAÇÃO: A ESTRATOSFÉRICA EVOLUÇÃO EM TRÊS DÉCADAS

Entre as raridades do mundo da computação, ainda em perfeito estado de conservação e funcionamento, está o primeiro computador utilizado pela Azaleia — doado pelo cofundador da TCA Internet, Marcos Kayser. São quatro HDs utilizados nos primórdios da empresa nos anos 80.

Toda essa “parafernália” usada no mundo da informática há 30 anos pode ser facilmente substituída por um popular dispositivo facilmente carregável no bolso.


O IDEALIZADOR

Idealizado pelo professor Harald Alberto Bauer, da Escola Técnica Estadual Monteiro Lobato (Cimol), o Museu de História da Tecnologia Harald Alberto Bauer começou a tomar forma há 30 anos. Conhecido no meio escolar como “Mestre Bauer”, o professor lecionou no educandário por mais de cinco décadas.

No local, há espaço dedicado para motores a combustão, a vapor e geradores. Para a computação, com computadores, discos rígidos, disquetes, impressoras e plotters. Estande com equipamento audiovisual vintage, com destaque como rádio/TV, reprodutores de música, máquinas fotográficas, projetores de filmes e filmadora.

O professor Bauer adotou a pesquisa como forma de educar seus alunos, juntando diversas peças (algumas de seu acervo particular). Nada mais natural, afinal, uma de suas paixões era a coleta de peças que fizeram e ainda fazem parte da história da tecnologia.

O idealizador também foi responsável por desenvolver o protótipo da primeira sinaleira com contador digital do Brasil nos anos 70, peça que, aliás, está logo na entrada do museu.

ESPAÇO FICOU PEQUENO 

De acordo com Marcus Bauer, apesar da riqueza histórica do museu, muita coisa ficou de fora da exposição.

— O que temos aqui é somente 60% de todo o acervo. Há projeto de expansão, mas questões políticas tornam o assunto complexo — lamenta.

E mesmo com as limitações de espaço – porém de dimensões históricas – em 2016, o museu recebeu o mérito Entidade de Tecnologia do Rio Grande do Sul, conferido pelo Sindicato das Empresas de Informática (Seprorgs).

VISITAÇÃO

Ocorre somente com agendamento prévio, que deve ser feito pelo telefone (51) 8275-9814.