Notícias do Vale do Paranhana.

Com mais de 55 anos de carreira, Sidney Magal é um dos artistas mais queridos da cultura popular brasileira. Sucesso absoluto a partir da segunda metade dos anos de 1970 e durante a década de 1980, Magal é um artista para ser ouvido e visto, como o produtor e empresário Roberto Livi percebeu ainda no início da carreira.

Performático, com figurinos cuidadosos, extravagantes e sensuais, e com a dança malemolente do povo brasileiro e latino, Magal foi figura frequente em programas como Chacrinha, Bolinha e tantos outros. No documentário “Me chama que eu vou”, a diretora Joana Mariani recupera a história de glória e traz elementos familiares.

— O Sidney Magal e o Sidney de Magalhães estão ali do começo ao fim — observa o astro, que define o Sidney de Magalhães como o pai, o marido, o homem de fora do palco.

— Eu tinha tanto material guardado, tanta coisa que me dava tanto prazer… e a Joana soube tirar isso de mim — comenta Magal.

Para a diretora, a relação de amizade facilitou e se fortaleceu durante as gravações.

— Foi um processo muito gostoso porque eu estava ali gravando com meu amigo Sidney que estava contando a história de Magal. Foi participativo, foi um documentário feito por muitas mãos — comenta Joana.

Amável, carinhoso e sempre com um largo sorriso, durante o debate Magal mostrou todo o carisma e amorosidade que conquistam o público há cinco décadas e encerrou a sua participação cantando a música que dá nome ao filme: “Seu corpo estremece/E já não consegue parar/ Seu sol se espalha na pele/Fazendo suar/Seu ritmo é quente/Bate que bate com emoção… Ouvimos vozes cantarolando por aí?”

CURTAS BRASILEIROS

O programa foi seguido pelo debate dos curtas-metragens brasileiros. O paraibano “Remoinho”, de Tiago A. Neves, conta a história de Maria, que retorna à casa da mãe decidida a sair do remoinho que a fez voltar.

— Maria é uma personagem que não fala, todos falam por ela. Maria diz o que precisa sem palavras, com expressões, com o olhar — comenta Tiago.

A mãe de Maria é vivida pela atriz Zezita Matos, que já esteve algumas vezes no Festival de Cinema de Gramado e integrou o elenco do consagrado “Pacarrete”, de Allan Deberton, vencedor de oito Kikitos na 47ª edição do evento.

— Trabalhar com o Cinema Instantâneo é uma coisa muito estimulante para mim porque esses meninos estão cheios de energia nesse momento trágico brasileiro. É uma responsabilidade imensa abordar um tema muito delicado que é o ir e vir do nordestino. Esse filme mexeu com minhas emoções de mãe, de ver os filhos partirem sem dizer uma palavra. É, de fato, uma coisa muito cruel dentro da realidade nordestina em particular. E eu não sei como essas questões serão acentuadas dentro desse desgoverno e no cenário pós pandemia — comenta Zezita.

O curta paulista “Você tem Olhos Tristes”, de Diogo Leite, conta a história de Luan que trabalha como bikeboy, entregador por aplicativos. O personagem precisa enfrentar dilemas e preconceitos durante sua jornada de entregas, ao mesmo tempo em que sonha com um futuro melhor. Situações de violência e discriminação social fazem parte do roteiro, mas, sobretudo fazem parte da vida de milhares de trabalhadores e trabalhadoras que veem na atividade uma alternativa de renda diante do desemprego.

— Eu li um livro do Jessé Souza, ‘A ralé brasileira: quem é e como vive’, e quis falar sobre isso. Sobre o trabalhador de tele-entrega, com todos os preconceitos e dificuldades que enfrentam — conta Diogo.

A equipe do longa chileno “Los Fuertes”, de Omar Zúñiga, encerrou a manhã de debates. O filme aborda a relação de amor de dois homens. Lucas viaja para visitar sua irmã em uma cidade remota no sul do Chile, lá ele se apaixona por Antonio, um contramestre de um barco pesqueiro local.

— Quis filmar algo que estivesse conectado com o universo da histórica, com o personagem e com o tom que queria fazer”, comenta Omar.

E segue:

— Também é uma questão de empoderamento da comunidade e de pessoas que se identificam com o espectro LGBTI+. É uma forma de dizer ‘estamos aqui e merecemos ocupar o lugar que ocupamos’ — avalia o diretor.