Notícias do Vale do Paranhana.

Os saldos negativos do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) parecem realmente ter ficado para trás nas indústrias de calçados dos vales do Sinos, Paranhana e Encosta da Serra. Após quatro meses consecutivos no vermelho, desde julho as calçadistas da região apresentam saldo positivo, o que fortalece e consolida o processo de retomada sentido no mercado.

Atualizados nesta semana, dados do Ministério da Economia elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) mostrados em reportagem publicada nesta sexta-feira (2) no Jornal NH apontam para uma crescente significativa no saldo Caged do setor.

O indicador, que representa o total de admissões menos os desligamentos, mais que dobrou de julho para agosto. Se em julho o saldo foi de 201 contratações a mais que desligamentos nas fábricas de calçados dos vales do Sinos, Paranhana e Encosta da Serra, em agosto, o desempenho positivo foi de 417 postos de trabalho. Juntos, os dois meses significam um saldo positivo de 618 empregos com carteira assinada.

Ao separarmos as regiões em duas, observamos que as indústrias do Vale do Sinos criaram nestes dois meses 537 empregos formais. Já as localizadas no Vale do Paranhana-Encosta da Serra, 81 empregos com carteira assinada. O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferrreira, lembra que a criação destes postos de trabalho é importante porque demonstra o processo gradual de recuperação do setor.

— Entretanto, precisamos continuar crescendo e gerando empregos para recuperar não só a mão de obra perdida como o espaço que tínhamos antes da pandemia — observa.

No Estado

O desempenho positivo obtido em agosto pelas fábricas de sapatos da região ajudou a fazer com que o Rio Grande do Sul gerasse 358 postos de trabalho no oitavo mês do ano. Agora, o Estado, que é um dos principais polos produtivos do País, emprega um total de 90,9 mil pessoas no segmento. Assim, é a unidade federativa do Brasil que mais emprega quando o assunto é setor calçadista. E o saldo positivo em solo gaúcho também auxiliou para que em agosto o setor criasse cerca de 6,3 mil empregos com carteira assinada no País. Na soma de julho e agosto, o saldo positivo é de 7,1 mil pessoas.

Recuperação passa pela desoneração até 2021

O presidente-executivo da Abicalçados destaca ainda que esse processo de recuperação gradual da atividade está atrelado à prorrogação da desoneração da folha de pagamentos, que foi vetada pelo presidente Jair Bolsonaro e está em análise no Congresso Nacional.

— A continuidade da desoneração para 2021 é essencial para a recuperação do setor calçadista, que responde rapidamente na geração de empregos — ressalta o executivo que esteve em Brasília nesta semana para tratar do assunto.