Notícias do Vale do Paranhana.

A investigação sobre a morte de um homem resultou na prisão, na última sexta-feira (6), do líder da facção “os Manos”, em Ivoti, no Vale do Sinos. O crime em investigação, ocorrido em 12 de maio deste ano, foi o caso de Celso Berwing, de 51 anos, morto a tiros dentro de sua casa na Estrada do Moleque, no bairro Várzea Grande.

O caso estava sendo investigado em Novo Hamburgo. Um celular encontrado na cidade foi a chave para o desenrolar do caso e a prisão temporária do líder regional da facção. A operação cumpriu três mandados de prisões preventivas e dois de prisões temporárias.

Conforme o delegado de Gramado, Gustavo Barcellos, o homem apontado pelas investigações como líder do grupo atua diretamente no controle das ações da facção. O preso chefia o tráfico em Gramado, Nova Petrópolis e em parte das cidades das regiões de Campos de Cima da Serra e do Vale do Paranhana.

— Todos os envolvidos na execução eram funcionários dele. Os vídeos gravados no celular apreendido mostram a liderança do suspeito. Ele é o responsável pelo grupo que cometeu o homicídio em Gramado. Nenhuma execução podia ser realizada sem o aval dele — revelou Barcellos.

Ainda conforme o delegado, o criminoso tem sua base em Campo Bom, mas estava morando desde agosto em Ivoti, onde foi preso. O nome dele não foi divulgado pelo caráter temporário da prisão. O homem foi encaminhado ao Presídio Estadual de Canela.

— Ele estava em liberdade desde julho e foi morar em Ivoti. Sem dúvida nenhuma, é a prisão mais significativa relacionada ao narcotráfico na região — afirmou o delegado.

INVESTIGAÇÕES

O inquérito sobre a morte de Celso Berwig foi remetido ao Poder Judiciário de Gramado com o indiciamento de três mentores do crime. De acordo com a Polícia Civil, a vítima foi morta por vingança. O delegado revela que os filhos de Celso tinham dívidas de drogas com a facção.

— Quando foi cobrar a conta, o responsável teria sido expulso da casa pelo homem, que ameaçou acionar a Polícia caso as intimidações continuassem. Os membros maiores na hierarquia da facção foram acionados e o grupo decidiu matar o pai dos devedores para servir de exemplo — resumiu Barcellos.

Segundo o delegado, é comum as famílias dos traficantes locais serem cobradas pela facção quando a Polícia faz alguma apreensão de drogas.

Além do responsável pelas cobranças, foram indiciados o homem que atuou como motorista da facção no assassinato e um detento que articulou a execução de dentro do presídio.

Depois do inquérito remetido para a Justiça, a Polícia Civil de Gramado tomou conhecimento de que o carro — uma camionete Mitsubish L200 — usado na execução havia sido apreendido pela Brigada Militar em Novo Hamburgo. Na ação, que ocorreu em 30 de maio, foram presos outros dois membros do grupo, além de armas e grande quantidade de munição. No veículo, foi localizado um celular. Com autorização da Justiça de Novo Hamburgo, a Polícia Civil teve acesso aos dados do aparelho.

— O celular tinha vídeos da execução em Gramado e outras imagens das cobranças, intimidações e agressões cometidas pela facção — contou.

O delegado destaca que chegou aos responsáveis pela execução em função da intensa troca de informações com outras delegacias e com a BM. Boa parte do grupo estava presa e outros tiveram a prisão decretada. Além da prisão do líder do grupo em Ivoti, a Polícia Civil cumpriu, na última quinta-feira, mandados na Penitenciária Modulada de Montenegro, na Modulada de Charqueadas e no Presídio Estadual de Charqueadas. Um dos envolvidos não foi localizado e está sendo procurado pela Polícia Civil.

*Com informações do jornal Correio do Povo