Notícias do Vale do Paranhana.

O homem de 51 anos morto após assassinar a companheira a facadas no interior de Taquara, no Dia das Mães, havia ameaçado vizinhos um dia antes. No domingo (10), os policiais militares foram até a residência, encontraram a mulher de 48 anos já sem vida e duas filhas do casal, uma criança e uma adolescente, feridas na cabeça. O autor acabou sendo morto ao atacar os PMs com a mesma faca.

O crime aconteceu em um casebre de madeira, na localidade de Pega Fogo Baixo, uma área rural onde vivia a família. Segundo o comandante da Brigada Militar de Taquara, capitão Gabriel Damasio, no sábado (9) os vizinhos chegaram a acionar o policiamento porque o homem estaria ameaçando outros moradores.

— Nesse caso foi feito um termo circunstanciado. Mas a questão naquele momento não era com a família. Estava brigando com um vizinho, ameaçando. É uma região bem afastada, erma — relatou o policial.

No domingo, outros três policiais voltaram ao local após serem chamados também por vizinhos sobre uma briga na mesma casa. Quando chegaram, segundo o comandante, havia a informação de que dentro da casa estaria a mulher e um outro filho. Uma adolescente de 14 anos e uma menina de oito anos, feridas na cabeça, já estavam do lado de fora da moradia.

— Os policiais entraram porque sabiam que a mulher já tinha sido esfaqueada e havia essa informação de que poderia ter mais uma criança. Ele já tinha ferido as outras duas filhas. Quando eles entraram, viram que a mãe das crianças estava morta, com várias facadas, uma cena horrível. Ele saltou em cima dos policiais, com a mesma faca. E os policiais cessaram a ameaça, atiraram. Se a guarnição não tivesse chegado logo, a tragédia poderia ter sido ainda maior — afirmou o comandante.

Conforme o capitão, o homem foi atingido por mais de um disparo no peito. Ele ainda foi socorrido pelos policiais, mas não resistiu. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Taquara.

Violência familiar

Segundo a delegada Rosane de Oliveira, titular da Delegacia de Polícia de Taquara, a mulher não tinha histórico de registro por violência doméstica contra o companheiro ou solicitação de medida protetiva. A investigação ainda irá ouvir pessoas próximas aos dois para entender qual era a situação do relacionamento e o que pode ter motivado o crime. Mas já se apurou que o homem era agressivo. O casal tinha cinco filhos.

— Não se sabe qual a motivação. O homem era um marido e pai violento que maltratava a família e possivelmente utilizava-se de álcool e ou substância entorpecente. Sabemos que sempre se utilizava de faca. Conforme vizinhos, ele estava transtornado há dias. Mas é possível que esse fosse o estado de ânimo habitual dele — afirmou a delegada.

A polícia pretende ouvir apenas o depoimento da adolescente de 14 anos. Ela e a irmã ferida, de oito anos, serão encaminhadas para avaliação e acompanhamento psicológico. Na casa, segundo a polícia, foram recolhidos uma faca e um espeto, que teriam sido usados no crime, e encaminhados para análise da perícia.

— Toda família tinha medo dele. No sábado ele começou a enlouquecer, brigou com um vizinho. No dia seguinte, um dos filhos ficou preocupado com a mãe e as irmãs e voltou até a casa. Foi quando descobriu que o pai estava trancado com a mãe e as filhas. Ele estava torturando a família com essa faca. A mãe dizia que estava sangrando, mas ele não conseguia acesso. Ele atirou pedras sobre a casa, para desviar a atenção do pai. E as meninas pularam a janela, já com ferimentos na cabeça e nas mãos. Esse filho salvou as irmãs — explicou a delegada.

Em 2013, esse mesmo filho foi esfaqueado pelo pai, enquanto tentava defender a mãe de uma agressão. O homem chegou a ser preso na época por tentativa de homicídio. Sobre a ação dos policiais militares, no entendimento da delegada, caso não tivessem atirado, um deles poderia ter sido morto.

— Assim que os policiais abriram a porta, ele saltou sobre eles com a faca. Completamente transtornado. Ele só não matou um brigadiano porque atiraram nele — disse Rosane.

*Com informações de GaúchaZH