Notícias do Vale do Paranhana.

As dificuldades que o setor calçadista gaúcho vem enfrentando, principalmente diante da nova realidade do câmbio, entraram definitivamente na pauta da Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (Cics-VP). Depois de um encontro com uma frente parlamentar em Três Coroas, no mês passado, o assunto foi tema principal da reunião mensal de diretoria da Cics-VP, ocorrida na manhã da última terça-feira, na sede da entidade, em Taquara, quando os convidados especiais foram o deputado estadual João Fischer (PP) e Lorisete Dias, assessora do deputado federal Tarcísio Zimmermann (PT).

Deixando claro que não representava o governo federal, Lorisete Dias ressaltou que o deputado Zimmermann vem atuando na defesa do setor calçadista do Estado, procurando mostrar em Brasília os efeitos danosos que a política econômica tem causado aos fabricantes, principalmente aqueles que destinam a maior parte de sua produção ao mercado externo. Segundo a assessora, algumas medidas já estão sendo avaliadas para minorar os problemas tanto dos empresários, como a desoneração de impostos como o Cofins, Pis e ICMS, como dos trabalhadores desempregados, com a concessão de mais duas parcelas do seguro-desemprego. Lorisete salientou a necessidade de ampliar a diversificação da economia na região dos vales do Sinos e Paranhana, mas se colocou à disposição para trazer ao Estado uma representação da Casa Civil afim de debater questões como o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Supersimples, que tem sido acusado pelos empresários de onerar ainda mais as empresas de pequeno porte.

O deputado João Fischer iniciou sua fala considerando positiva a iniciativa da Cics-VP, salientando que foi a única entidade que o convidou para todas as reuniões sobre a crise calçadista. Ele lembrou que um dia antes esteve participando de encontro de representantes do setor com a governadora Yeda Crusius, que se comprometeu em levar ao governo federal as reivindicações dos empresários, procurando demonstrar toda a importância do setor, principalmente revelando o tamanho da crise social que o fechamento de empresas pode causar em todo o país. Para Fischer, entretanto, apenas garantir linhas de crédito, como a própria governadora acenou, não adiantará para resolver o problema atual. Segundo ele, o caso da calçados Reichert, de Campo Bom, que anunciou o fim de suas atividades para o próximo mês, mostrou uma nova realidade. “Agora, o empresário não espera mais a fábrica quebrar. Ele decide fechar antes e aplicar o seu dinheiro em outro negócio”, expôs o deputado, para quem é preciso seguir o modelo adotado por outros países, que fortaleceram sua economia diminuindo impostos e facilitando a contratação de funcionários reduzindo os direitos trabalhistas.

A posição foi a mesma manifestada por alguns diretores da Cics-VP que também são ligados ao setor calçadista. Para João Roque Boff, o governo precisa decidir se quer cobrar imposto ou gerar emprego. Rosnei Silva foi ainda mais catastrófico, ao previr que, se a situação não mudar, dentro de cinco anos não haverá mais indústrias no Brasil. “Temos educação de menos e direitos demais”, considerou o empresário, afirmando que o país precisa aprender a negociar melhor no mercado internacional.

Ao final da reunião, a empresária Alice Lehnen propôs que a Cics-VP promova debates externos para debater a situação e expor aos formadores de opinião quais são as propostas que o setor tem para modificar o quadro atual. A sugestão será levada adiante pela diretoria da Câmara, que volta a se reunir no dia 10 de julho, em Rolante.