Notícias do Vale do Paranhana.

A chegada do novo coronavírus obrigou a economia a desacelerar. As lojas, hotéis, parques e atrações turísticas da Serra Gaúcha, uma das regiões turísticas mais visitadas do País, estão com as portas fechadas e começam a contabilizar os prejuízos pela falta de receita.

Para calcular as perdas do turismo, o Sindtur Serra Gaúcha tem se baseado no Produto Interno Bruto (PIB) de Gramado e Canela, que, de acordo com o sindicato patronal, gira em torno dos R$ 2,5 bilhões por ano.

— A cada mês parado, considerando que o turismo representa entre 80 e 90% do PIB dos dois municípios, pode-se calcular uma perda em torno de R$ 150 a 180 milhões — diz o presidente do Sindicato Patronal da Hotelaria, Restaurantes, Bares, Parques, Museus e Similares da Região das Hortênsias (Sindtur), Mauro Salles.

Além disso, o que preocupa é que não há perspectiva de quando tudo voltará ao normal. De acordo com a presidente da Associação de Parques e Atrações da Serra Gaúcha (APASG), Manu da Costa, não dá para estimar a volta do fluxo de visitantes.

— Esse é um ano que está comprometido. A gente sabe que lucro não vai ser possível, teremos que lutar para empatar na balança no final do ano. O impacto tem que ser muito bem administrado nos próximos meses — afirma.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) Hortênsias, estima uma drástica redução no faturamento. Apesar de alguns estabelecimentos estarem operando no sistema de tele-entrega e tele-busca as perdas são significativas.

— Nos arriscamos a prever que haverá uma redução de 70% a 80% do faturamento nos meses de março e abril. Os meses seguintes também não serão fáceis. Por ora, é o que podemos afirmar, pois o cenário é de total insegurança e incertezas — lamenta o executivo da associação, Alberto Ecker.

Com a queda, os municípios também serão afetados.

— A estimativa de perdas está sendo feita, mas não há dúvidas de que a cidade foi impactada. Aliás, o País está impactado. Gramado, talvez, um pouco mais porque aqui é o destino mais desejado e a nossa atividade econômica gira em um percentual muito expressivo no segmento do turismo — comenta o prefeito Fedoca Bertolucci.

Consumidores definirão retorno das atividades turísticas

A pandemia tem mudado a rotina de todo o País. A todo o momento o governo federal, estadual e municipal têm reformulado decretos para buscar minimizar a disseminação da Covid-19, sem deixar de lado o fator econômico. O prefeito de Canela Constantino Orsolin até tentou retomar as atividades comerciais, mas precisou revogar da decisão após definições do governador Eduardo Leite.

De acordo com o presidente do Sindtur Serra Gaúcha, Mauro Salles, mesmo se os prefeitos decidissem flexibilizar as atividades econômicas, a hotelaria depende de diversos outros fatores.

— Dificilmente teremos um retorno de faturamento e movimento para esses tipos de negócios. Quem vai determinar, neste momento, o retorno do turismo, não são os poderes públicos e nem os empresários, são os consumidores. E eles não estão propícios a sair neste momento — destaca.

Para ele, as pessoas estão com receio de sair de casa por causa da doença e também da economia.

Ainda, segundo Mauro, os hoteleiros decidiram, quase por unanimidade, por permanecerem com as portas fechadas até depois do feriado de Páscoa, mesmo antes do decreto estadual. Dentre os principais argumentos estão a expectativa de pouca procura pelo destino e o risco de receber alguém com a Covid-19 e precisar ficar em quarentena, a exemplo de um hotel em Gramado.

Manu da Costa destaca que com o fechamento de todos os parques e atrações de Gramado e Canela, o faturamento do setor é inexistente e não se tem um prazo para que se retome o fluxo de visitantes que tinha. Para auxiliar os empresários, a APASG está formulando um documento para entregar aos prefeitos, solicitando a redução da carga tributária e o parcelamento de impostos. A presidente da entidade reitera que os parques e a hotelaria precisam estar em consonância.

— No momento em que os dois segmentados abrem, os turistas se sentem aptos a visitar a cidade. Por isso, temos que tomar uma decisão centrada e levando em conta os impactos econômicos para o setor e toda a cidade. Estamos fazendo de tudo para não demitir — comenta.

Um cenário incerto e nunca visto

Com as postas fechadas, empresários vivenciam um cenário nunca antes visto.

— Infelizmente o que estamos vivendo nunca antes foi visto e é tudo muito incerto. Estamos vivendo um momento onde não há verdade absoluta, pela primeira vez em muito tempo, estamos entre a saúde e a economia. Sabemos que a saúde é primordial, mas também sabemos que sem a economia girando nem pela saúde conseguiremos zelar — destaca Alberto.

Segundo Alberto, “nenhum de nós enfrentou uma situação tão dramática e difícil de decidir como essa”.

— Nossa conduta, desde o início da crise, foi, em primeiro lugar, proteger a vida dos colaboradores e proprietários dos negócios da hotelaria e atuar firmemente para garantir que as empresas possam atravessar esse momento extremamente complexo da história da nossa região e do mundo — acrescenta Mauro Salles.

Para o presidente do Sindilojas Hortênsias, Guido Thiele, o sindicado está empenhado em buscar medidas para estancar os prejuízos, sem esquecer a saúde.

— Qualquer tipo de crise econômica, mundial, nacional, estadual ou municipal, atinge direta ou indiretamente os negócios. Vivemos agora um grande, ou se não o maior, desafio econômico do século. Os efeitos acontecem em cadeia. Os empregos estão ameaçados levando em consideração a grandeza do problema e já observando o cenário ao que nos cerca — relata.

Pedidos às prefeituras

As instituições e sindicados estão redigindo documentos para entregar às prefeituras encaminhando as solicitações e particularidades econômicas de cada setor, além de reivindicar redução na carga tributária e parcelamento de impostos, como forma de amenizar os prejuízos pelos dias sem receita. A Prefeitura de Gramado enviou na quinta-feira (2), para a Câmara de Vereadores, um projeto de lei, requerendo a autorização para mudanças nos prazos de vencimentos de tributos municipais.

*Com informações do jornal NH