Notícias do Vale do Paranhana.

Ao longo dos anos, a canoagem envolveu a população e desencadeou uma série de acontecimentos que mudaram aspectos econômicos e culturais de Três Coroas. Fundada em 1986, a Associação Trescoroense de Canoagem (Asteca) acompanhou o desenvolvimento do esporte que formou atletas olímpicos no município e trouxe o primeiro mundial ao Brasil, realizado no ano de 1997.

Buscando resgatar um período importante da história local, além de estimular o esporte e a leitura, surge a obra jornalística ‘No Rio que Corre Ligeiro – A Canoagem em Três Coroas’, resultado de dois anos de pesquisa e entrevistas do jornalista Claudir dos Santos.

— Quando fiquei sabendo que minhas matérias estavam sendo usadas para ensinar sobre a canoagem aos alunos da Asteca, percebi que muita coisa nunca havia sido registrada. Em janeiro de 2018 procurei o presidente da Asteca, para quem eu demonstrei a vontade de reunir relatos sobre a canoagem e fazer um livro. De imediato, ele apoiou a ideia — lembra o autor.

Para o presidente da Asteca, Jean Möller, a obra servirá como um registro da memória esportiva e cultural da Cidade Verde.

— Muita gente em Três Coroas não conhece a Asteca. Muitos conhecem, mas poucos sabem das histórias, das alegrias e das dificuldades. Esse livro vai contar um pouco desses mais de 30 anos de histórias e legado que temos — afirma Möller.

De acordo com o autor, a ideia é que todas as bibliotecas escolares do município recebam cópias do livro, que vai registrar os acontecimentos e ser disponibilizado nos espaços públicos para que as futuras gerações conheçam a história local. Exemplares também serão vendidos e toda arrecadação será destinada à Asteca.

As despesas gráficas, editoriais e impressão de mil exemplares serão viabilizadas através de apoios. Espaços para apoiadores estão disponíveis na contracapa e podem ser solicitados pelo e-mail claudirdossantos@gmail.com, diretamente com o autor. O projeto conta com apoio da Prefeitura de Três Coroas, de empresas, do comércio e entidades locais.

CURIOSIDADES RELATADAS NO LIVRO

Em 21 capítulos, o livro busca contar a história da canoagem e seu desenvolvimento coletivo. Confira alguns episódios importantes relatados na obra:

– O início da canoagem na cidade aconteceu entre os anos de 1983 e 1984.

– Há registros de que origem do esporte no Estado data de 1943, trazido por colonizadores alemães.

– Um acontecimento marcante foi em 1987, quando 15 mil pessoas testemunharam a primeira prova de slalom no Rio Paranhana.

– Anos depois, a área de terra onde fica localizado o Parque Municipal das Laranjeiras foi adquirida. O campeonato Sul-Americano de 1989 foi a primeira competição internacional realizada no local. À época, a cidade já era considerada um importante centro de canoagem.

– Os treinos na Asteca, também realizados no Parque das Laranjeiras, criaram uma atmosfera vencedora. Em pouco tempo, os atletas da cidade passaram a vencer todas as competições do Estado.

– Nos anos 90, atletas três-coroenses eram a elite do esporte no país e venceram campeonatos brasileiros, passando a integrar seleções de diferentes modalidades. Nesse período começaram a participar de campeonatos sul-americanos e os mundiais no tradicional circuito europeu.

– Com a anúncio da canoagem slalom voltando aos jogos olímpicos a partir de 1992, a modalidade foi estimulada em todo o mundo. Nas olimpíadas de 1992, 1996 e 2000 atletas da Asteca representaram o Brasil.

Cássio Petry (à direita) ao lado de outro atleta olímpico do Paranhana e ex-colega de seleção, Gustavo Selbach (Foto: arquivo pessoal)

– No ano de 1997 o primeiro mundial de canoagem no Brasil foi em Três Coroas. O país voltou a receber a competição em 2007, em Foz do Iguaçu, e 2018, no Rio de Janeiro.

– Pessoas ligadas à canoagem deram início ao rafting na cidade em 1993. A diversão de descer as corredeiras do rio junto à natureza deixou de ser uma exclusividade dos praticantes de canoagem e recebe anualmente milhares de pessoas para a prática de turismo de aventura.

– Todos os anos, desde a criação da Asteca, uma importante competição do calendário nacional da canoagem acontece em Três Coroas. Em muitos desses eventos, grandes shows fizeram parte da programação.

– A participação de três-coroenses no circuito internacional da canoagem é ininterrupta. Além de atletas, a cidade tem árbitros com participações olímpicas. Atualmente, o técnico da seleção brasileira de canoagem, Cássio Petry, é natural do município.

– Após uma década sem receber competições internacionais, o Parque das Laranjeiras recebeu as edições de 2018 e de 2019 do Campeonato Pan-Americano de Canoagem (foto abaixo), mostrando que a cidade ainda é importante no cenário internacional.

(Foto: André Amaral/TCA)

SOBRE O AUTOR

Claudir dos Santos escreveu suas primeiras matérias sobre a canoagem de Três Coroas na imprensa da região, para jornal impresso e sites de notícias. Ao descobrir que estas matérias foram usadas para apresentar, aos alunos da Asteca, a história do esporte na cidade, em janeiro de 2018 o autor iniciou o projeto do livro. As pesquisas e entrevistas aconteceram nos últimos dois anos. Claudir também é vice-presidente do Conselho Municipal de Cultura de Três Coroas, onde representa o segmento literatura.