Notícias do Vale do Paranhana.

Nesta segunda-feira (2), Taquara irá receber audiência pública para debater a infraestrutura viária do Vale do Paranhana. A proposição é do deputado estadual Dalciso Oliveira (PSB), pela Comissão de Assuntos Municipais.

A atividade, que ocorrerá no auditório 3 do Centro de Eventos da Faccat, a partir das 18h30, terá como pauta duas rodovias da região: a ERS-239, a respeito da duplicação da via no trecho entre os municípios de Taquara e Rolante, e a ERS-115, sobre a possibilidade de duplicação ou aumento da capacidade de fluxo na passagem entre Taquara e Igrejinha.

A Associação Taquarense dos Amigos Ciclistas (Atac) participará da discussão trazendo demandas tratadas com a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) desde o início da obra de duplicação da ERS-239 em 2018: a ausência de ciclovia e passarela no projeto.

De acordo com a direção da Atac, a EGR está descumprindo a Lei Federal de Mobilidade Urbana (Lei 12.587/2012), “não democratizando o uso da rodovia, sem priorizar o uso de veículos não motorizados e pedestres”, justifica a associação.

— Estamos há meses tentando comover a EGR para que faça uma correção no projeto de duplicação, pois, mesmo descumprindo leis, o órgão não previu ciclovia nesta parte da rodovia, que, salientamos, é perímetro urbano da cidade de Taquara e limítrofe a quatro bairros populosos: Empresa, Ideal, Santa Teresinha e Medianeira — explica o integrante da Atac, Humberto Klein.

Além de bikes, há fluxo de pedestres às margens da rodovia

Klein relata que a Atac enviou um pedido de reanálise de projeto ao Ministério Público (MP). Segundo ele, a resposta da EGR teria sido “genérica” e não respondeu sobre o por que de não constar uma ciclovia no projeto. O pedido acabou arquivado pelo MP.

— Interessante é que a mesma EGR construiu uma ciclovia na cidade de Riozinho com extensão de 1,6km, gastando R$ 1,7 milhão, sendo o custo de mais de R$ 1 mil reais por metro linear de ciclovia. Um verdadeiro absurdo — afirma o presidente da entidade, Amarildo Pereira.

Pereira questiona o que seria uma postura contraditória da EGR em relação a Taquara.

— Mais interessante foi o fato da EGR atestar que na cidade de Riozinho “a estrutura irá beneficiar as comunidades oferecendo mais segurança, pois a utilização de bicicletas é comum na região”. Como que se em Taquara ninguém utilize esse tipo de transporte, sendo que somente nos bairros que a ERS-239 está sendo duplicada há mais população que em Riozinho — argumenta.

VÍDEO CONTESTA EGR

A principal justificativa da EGR para a não inclusão de uma ciclovia é a falta de espaço às margens da rodovia. A Atac divulgou um manifesto (abaixo) e um vídeo em que questiona a falta de espaçamento.

“A falta de uma ciclovia no projeto é considerado um retrocesso à mobilidade urbana, pois vai contra todas as campanhas e até mesmo às leis que pautam a sociedade, prejudicando não somente à população local que utiliza a bicicleta como meio de transporte para o deslocamento ao trabalho e lazer, como para os esportistas e turistas que trafegam pela rodovia, visto que a região possui um roteiro de cicloturismo nas cidades de Rolante, Riozinho e São Francisco de Paula (Circuito das Cascatas e Montanhas). Vamos reivindicar e lutar por uma ciclovia, é um direito da população e uma obrigação de nossos governantes.”

Confira abaixo o vídeo produzido pela entidade: