Notícias do Vale do Paranhana.

A primeira etapa do Estação Campos de Canella, projeto que tem como objetivo revitalizar a Estação Férrea de Canela, recuperando a história do município e transformando a área em um novo paradouro turístico e comercial no coração da cidade, está concluída, e será marcada pelo retorno da icônica locomotiva La Meuse ao seu antigo lar nesta quinta-feira (6).

Um ano depois de ser retirada da antiga Estação Férrea, onde ficou após ser desativada há 40 anos, a histórica locomotiva La Meuse, classe 0-6-0, fabricada na Bélgica em 1909, retorna para casa após um grande processo de renovação, assinado pela empresa MKR, sediada em Taquara.

— Como a locomotiva ficou anos exposta ao tempo e sem nenhum cuidado ou manutenção, a estrutura estava muito deteriorada. Tivemos que reconstruir e forjar muitas peças que não existem mais para reposição — explica o restaurador da MKR, Antônio Carlos Teixeira de Souza Júnior.

Segundo Márcio Roberto Krummenauer, que também trabalhou na La Meuse, será impactante ao público ver a locomotiva renovada.

— Quem visitá-la agora vai ver detalhes que não eram mais percebidos. Com certeza será uma grande atração — garante.

A locomotiva partiu escoltada de Taquara, chegando a Canela no início da tarde, em frente ao Parque Mundo a Vapor, de onde segue até o centro da cidade, na Estação Campos de Canella, marcando um momento único e histórico para o munícipio. Estudantes do pré ao 4º ano da Escola Municipal Santa Terezinha e a Banda Marcial da Escola Municipal Severino Travi recebem o trem ao lado do prefeito Constantino Orsolin, secretário de Turismo Ângelo Sanches, diretoria da Incoporadora Novalternativa, responsável pelo empreendimento, e diretoria do Mundo a Vapor, grande parceiro no processo de revitalização e sócio no empreendimento.

Locomotiva será reverenciada em Canela como um símbolo de progresso na Serra


SÍMBOLO DE PROGRESSO

Para trabalhar a questão temática de trens e trilhos, revitalização da locomotiva e o significado do trem na fundação e no desenvolvimento de Canela, a Novalternativa buscou o know how de quem entende muito do assunto: o parque temático Mundo a Vapor.

— Assim como nos anos 20, o trem trouxe o progresso para o que hoje é a cidade de Canela. O retorno da locomotiva traz uma nova perspectiva de progresso e empreendedorismo. É como se fosse um divisor de águas, e ao mesmo tempo um resgate histórico, que busca valorizar o nosso passado e utilizá-lo como base para um futuro promissor. Está no DNA do Mundo a Vapor a força do ferro, a sinergia, o movimento, a invenção e a inovação, então, para nós, é um orgulho poder fazer parte desta história que começa a ser reescrita — afirma a diretora Caren Urbani.

A Estação Férrea de Canela no início do século 20 (Foto: divulgação)

RESGATE HISTÓRICO-CULTURAL

A renovação da emblemática locomotiva de Canela também é ponto de partida para um trabalho com a nova geração de canelenses sobre a origem do município e sua relação com trens e trilhos. Nos dias que antecedem o retorno da La Meuse os alunos do pré ao 4º ano da Escola Municipal Santa Terezinha, que estarão presentes na recepção, trabalham em sala de aula a história do trem na cidade e participaram de palestra com o historiador Pedro Oliveira. A atividade será continuada pela Secretaria de Educação, que vai convidar outras escolas a conhecer a locomotiva e a relação dela com Canela.

O complexo Estação Campos de Canella resgata a história da fundação da cidade de Canela e sua relação com trens e trilhos com o Memorial do Trem. Além disso, o inédito e ousado projeto contempla espaços de cultura, entretenimento e um centro de gastronomia com pubs, cervejarias, restaurantes, cave de vinhos com produtos locais, além de quiosques comerciais, propiciando espaços variados para maior permanência do residente e do turista no local.