Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um empresário com formação em filosofia. Um de seus sonhos é ainda dar aulas de filosofia em escolas públicas. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde investiga a "mecânica do desejo nas relações de poder". Escreveu também o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é co-fundador e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Co-fundador também da Scopi, desenvolvedora de um software que ajuda na criação e execução de planos estratégicos, cuja ambição é ajudar o Brasil a criar a cultura do planejamento.

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Archive for the ‘Artigos da aldeia global’ Category

Seleção brasileira: mercadoria que paga comissão

A imprensa nacional divulgou o acerto entre a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a comissão técnica sobre os valores da premiação aos jogadores em caso de título do Brasil na Copa das Confederações. O valor não foi divulgado, mas, seja qual for o montante, será justo premiar quem deveria se orgulhar em representar uma nação? Haverá valor maior do que a honra de defender a pátria e, ainda, fazendo o que mais gosta? Jogar futebol, ficar em concentrações luxuosas, ter tratamento de celebridade, ter todo o suporte médico, receber aplausos no campo de futebol, será tão sacrificante? É duro reconhecer que o futebol se reduziu a interesse financeiro por parte de quem joga, comanda e daqueles que através do futebol arrecadam milhões. Representar a seleção de seu país não poderia ser tratado como uma oportunidade para o jogador faturar e aumentar o seu já expressivo patrimônio. Será que o valor recebido por cada jogador da seleção em seu clube não é suficiente para estar financeiramente motivado. Vale a máxima de quanto mais tem, mais quer, e  o que mais quer é dinheiro. Parece que tudo se resolve com dinheiro, como que com dinheiro tudo fosse possível comprar. Aprendi a gostar de futebol desde pequeno, quando jogava no meio da rua em meio aos carros que eventualmente passavam e desviavam dos tijolos que serviam de marcação para as goleiras. E ali ficava a tarde inteira. Aprendi a torcer quando o meu vizinho, querido seu João, me fez conhecer a emoção de ir ao estádio do meu time do coração. A razão me orienta a torcer para o Brasil perder a Copa das Confederações e, quem sabe, mostrar que o dinheiro não faz ser campeão. Vão dizer que não sou patriota, mas como ser se nossos representantes, os jogadores que jogam por nós, não são? É um pouco semelhante a nossa representatividade política. Como apoiar a política brasileira, na medida em que a grande maioria dos políticos priorizam as suas remunerações em detrimento ao maior valor que deveriam  preservar, o amor à pátria, a pátria amada, o Brasil? A mercantilização está disseminada, é regra, sem exceção. Até o futebol virou uma mercadoria que paga comissão. O que fazer, torcer ou não por este tipo de seleção?

 

Dez (in)certezas

Apontar certezas pode representar prepotência, arrogância, petulância. Mas, com uma certo dose de desconfiança,   resolvi listar 10 certezas sobre o homem e sobre o mundo. São elas:

1. O tempo não pára.

2. Tudo no mundo muda, menos a mudança (Heráclito já dizia).

3. Tudo tem seu contexto.

4. Tudo está direta ou indiretamente interligado.

5. Tudo tem seu contrário.

6. O dinheiro não é tudo, mas a vida fica bem difícil sem ele.

7. O ser humano tende mais ao prazer do que a dor, exceto o masoquista.

8. Primeiro eu, depois o outro.

9. Todos nesta vida morrem, depois não se sabe.

10. Não há certeza absoluta.

Perguntemos então: por que ter o trabalho de pensar e enumerar dez certezas se a décima postula justamente a incerteza? Resposta: Porque é dos homens (e das mulheres também, é claro) ficar procurando um chão que sustente a passada durante a caminhada nesta dura jornada.  Tudo na vida é uma questão de liberdade e segurança!

Marcos Kayser

Mulheres

Mulher, o que dizer dela quando não somos ela? Bem no início, no primeiro suspiro, quando chegamos à vida, todos somos dela. É a mulher mãe, a quem nos filhamos. Filhos que, numa certa altura da infância, são capazes de desafiar o próprio pai, em nome do amor que sentimos pela mulher mãe. Chamam isso de Complexo de Édipo, cujo fim predominante é a vitória do pai (e da mãe). Dizem que as mulheres são superiores e os homens invejam elas. Quem diz, em sua maioria, são as mulheres.  Eu penso que nós homens  temos muito que invejá-las, mas, ao mesmo tempo, temos o privilégio de conquistar o amor delas. Curioso, como pode um ser superior se ligar ao inferior e até estabelecer laços de um eterno amor?  Por que então se sentir inferior ou superior? E haja mulher na vida de um homem. É o amor da mãe, a paixão da namorada, o amor da mulher amada. No caminho, o afeto das avós, das professoras e das tias, que não deixa de ser um tipo de amor. Uns tem uma irmã mulher, outros tem uma amiga mulher. Na evolução dos tempos e das mulheres, encontramos hoje a mulher diretora de empresa, a mulher vereadora, a mulher prefeita, a mulher presidenta. Antigamente, eram  excluídas da sociedade. Faziam parte de uma outra espécie. Violentadas, desprezadas e hoje chegam a ser reverenciadas, com exceções, é claro. Mérito delas. Orgulho dos homens que aprenderam a conquistar elas.  Dizem que todo homem tem um lado feminino, um lado mulher. Se é assim, temos mais motivos para reconhecer elas. Concordo com o ditado que diz que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher e acrescento que o inverso é também verdadeiro.

PMDB: está mais para MDB ou ARENA?

Entre os anos 1966 e 1979 vigorou no Brasil o bipartidarismo. No bipartidarismo eram apenas dois partidos políticos,  no caso a ARENA e o MDB, no comando da nação.  A ARENA era a corrente política situacionista e o MDB era a corrente oposicionista. A ARENA era a chamada situação e o MDB a oposição. A ARENA (Aliança Renovadora Nacional) pró-governo, era o partido dos Militares. Era o partido que no qual se aliavam aqueles políticos que apoiavam a Ditadura. Existia apenas para oficializar as vontades de todos os militares, apoiar o regime dos mesmos e preservar o conservadorismo radical. A ARENA foi rebatizada de Partido Democrático Social (PDS). Mais tarde, um grupo de políticos do PDS abandonou o partido e formou a “Frente liberal”, a qual, depois, tornou-se o Partido da Frente Liberal (PFL), atual DEM. O PDS, posteriormente, mudou o seu nome para Partido Progressista Renovador (PPR), e depois para Partido Progressista Brasileiro (PPB), que hoje se chama Partido Progressista (PP). O MDB (Movimento Democrático Brasileiro) foi uma espécie de oposição permitida, um partido que existia para tentar mostrar ao povo que sua voz ainda era ouvida. Era um partido vigiado constantemente pelos Militares e se caracterizou por sua multiplicidade ideológica. Inicialmente teve um desempenho tímido, mas experimentou grande crescimento no governo de Ernesto Geisel, obrigando os militares a extinguirem o bipartidarismo em 1980. Com o fim do bipartidarismo, as inúmeras correntes que formavam o MDB fundaram legendas como o PMDB, o PT, o PDT e outras que vieram mais tarde durante os anos oitenta. Em 1988, uma cisão no PMDB deu origem ao PSDB, formado pela ala, então, social-democrata e os intelectuais do partido, ligados ao ex-governador paulista Franco Montoro. A ARENA elegeu todos os presidentes da República que se candidataram pela legenda – de Costa e Silva à João Figueiredo. A ARENA também conseguiu fazer a maioria das cadeiras na Câmara dos Deputados em todas as eleições que disputou: 1966, 1970, 1974 e 1978. Ou seja, enquanto o bipartidarismo existiu, a ARENA exerceu a soberania no país. Hoje, quando o multipartidarismo vigora, um só partido reina: o PMDB. E isso não é difícil perceber, mesmo que a presidência seja nominalmente do PT, quem comanda é o PMDB. De quatro importantes instâncias políticas da Federação, três são comandadas pelo partido: Vice Presidência, Senado e Congresso Federal. Numa analogia com a fase do bipartidarismo, aquele do período da ditadura, o Brasil hoje continua na mão de um único partido, no caso o PMDB. É curioso pensar que PMDB é este: o MDB ou a ARENA?

Desejar o que já tem

Quantas vez nos preocupamos em ter mais e mais e desprezamos o que já conquistamos?  Quando o assunto é pensar o que leva a espécie humana a agir para além da sobrevivência, concordo com Hobbes para quem o homem é movido pelo desejo. Spinoza também dizia que” o desejo é a essência do homem”. Segundo ele, “nós não desejamos as coisas porque elas nos dão prazer, mas elas nos dão prazer porque as desejamos”. Ou seja, o desejo é quem manda. Desejo daquilo que nos dá prazer em detrimento da dor, exceto o masoquista que deseja a dor, apesar de ser
ela que lhe dá prazer. Desejo que não tem fim, é sempre insaciável, querer mais e mais. Um movimento contínuo do desejo, de querer mais e mais, como define Hobbes e conceitua assim a própria felicidade. Até aí, aparentemente, nenhum problema. O desejo nos move, nos motiva, nos faz produzir e nos permite viver. O problema acontece quando o movimento contínuo assume um ritmo frenético, a tal ponto que não nos dá tempo suficiente para contemplar e viver a conquista. Gula, ganância? Certo que a tentação do consumo é quase inevitável. E como é bom comprar! Mas também é bom demais degustar, contemplar. Uma vida sempre melhor, quase todos nós queremos. Mas a vida que temos não será a melhor que podemos? Não estou aqui pregando a acomodação nem uma espécie de resignação conformista. Mas acho que podemos frear um pouco a cede de devorar tudo que se apresenta como bom, bonito e gostoso. Se não, vira desejo pelo desejo. As vezes, o presente já pode estar na instância do melhor que podemos. Restará então conservá-lo, o que implica vivê-lo intensamente. Para ter mais consciência do presente, é analisar o contexto em que vivemos é uma boa prática. Olhar a nossa volta, para perceber que a felicidade não é diretamente proporcional a nível social e quantidade de bens materiais. Muitos que pouco possuem, mais felicidade emanam ter. E o que dizer daqueles que tinham o que jamais pensariam perder? A tragédia de Santa Maria fez pais perderem filhos. Não há nada mais dramático e triste. O pior acontece e ninguém está salvo. Além de olhar ao redor, também é bom tentar se colocar no lugar de quem aparentemente teve menor sorte que a nossa. Se o contexto nos dá sinal verde, avancemos, se não, saibamos dar o verdadeiro valor ao que já conquistemos. De novo, não se trata de se resignar com tudo e com todos, diante da primeira falta e da primeira dificuldade, mas olhar pra dentro e pra fora, reservando tempo para viver o que se tem agora.  É desejar o que já se tem.

A passividade da sociedade

Há muito se fala de um povo brasileiro que é muito passivo. Mesmo diante de situações que afetam seu bem estar, que interferem na sua vida particular, demora para agir ou até mesmo não (re)age. Atualmente, não muito diferente do passado longínquo e recente, o país continua com muitas carências,  facilmente percebidas por aqueles mais conscientes de seus direitos de cidadãos, que possuem um senso crítico mais apurado. Áreas essenciais como saúde, educação, segurança e infra-estrutura se caracterizam pela precariedade. A sociedade, onde estão inclusas as elites, não toma uma atitude ativa. Não faz a cobrança contínua de seus governos, não pressiona seus representantes, não luta por seus direitos, junto aos órgãos da justiça. Até na hora do voto, volta a reeleger os que pouco ou quase nada fizeram. Neste caso, constatamos que falta melhorar o nível de politização, através da melhoria da qualidade da educação, mas pouco é feito  neste sentido. Nem mesmo diante da corrupção, que a cada dia se escancara nos meios de comunicação, a sociedade se sensibiliza e parte para uma atitude mais reativa. Manifestações de rua, unindo trabalhadores, profissionais liberais e empresários é praticamente uma ficção. Não que resolveriam os nossos problemas, mas se fossem estrategicamente planejadas e bem organizadas, com adesão de grande parte da sociedade, poderiam servir para iniciar um processo de sensibilização dos governantes mais comprometidos com a vontade popular. Acreditamos que ainda existam governantes “eticamente corretos”. Mas, enquanto a passividade histórica persiste, sem perspectiva de mudança, podemos pensar o que leva a tal inércia. Preguiça e acomodação, inerentes ao ser humano ou brasileiro em questão? Falta de lideranças com disponibilidade e coragem para liderarem mobilizações consistentes e persistentes? Medo de punições, ou melhor, retalhações à interesses que lhes são particulares? Cultura do individualismo? A preguiça, deixemos em segundo plano para eleger a falta de lideranças como causa principal. E, talvez, o motivo da omissão dos líderes seja o medo de perderem algum benefício particular atua ou futuro. Agora, como evoluir em direção ao ideal: “cada um por todos e todos por um”, se a maioria foge de uma “incomodação”, quanto mais pelo outro? Aí, nos resta ouvir os próprios líderes. Onde eles estarão?

Desejar o desejável

Diante de uma situação indesejada, muitas vezes conflituosa e infeliz, a auto-ajuda e a religião apontam a fé como caminho da superação. Em síntese, a auto-ajuda receita o pensamento positivo e a crença em si mesma. Aplica a máxima: “eu acredito, eu posso!” A religião prega a fé num ser superior, que tudo pode e está ao nosso lado para nos proteger e nos ajudar a vencer, inclusive a morte. Para a religião “a fé salva, a fé move montanhas!” Em comum: querer e acreditar, acreditar e querer.  Na base de ambas, a fé, que não requer explicações, nem questões. Não há margem para a razão que busca desvendar a verdade no palco da realidade. Os mais céticos, e a grande maioria dos filósofos são, vão recorrer à razão para primeiro compreenderem o contexto e depois buscarem a superação da dita situação indesejada. Poucos conseguem, mas continuam tentando. Quando encontram uma resposta para o porquê, já surge uma nova dúvida e uma nova inquietação que não traz a esperança da solução. Por isso, diante da desesperançosa razão, é mais óbvia a fé. Outros continuarão sofrendo na busca de uma verdade, que a todo instante escapa. Outros ainda chegarão a um meio termo, a resignação. Uma espécie de mistura de vontade e crença, que culmina numa certa conformidade. Vontade de chegar à verdade. Crença de que a verdade é muitas vezes inviável, principalmente quando depende da nossa e da razão dos outros.  A filosofia estóica talvez é a que mais se aproxima desta perspectiva.  Para os estóicos devemos querer única e exclusivamente aquilo que depende de nós. Já dizia o filósofo Marco Aurélio, nos tempos que o cristianismo nascia: “nunca espere tranquilidade dos outros”.
Diante da situação indesejada e infeliz, em sua maioria quando estamos em desarcordo com um ou mais pessoas, cuja superação não depende só de nós, resignemo-nos. Para isso, uma recomendação, também do estóico Marco Aurélio, do seu livro Meditações: “corre em direção ao teu alvo e cuida de ti, renunciando a vãs esperanças, se por ti te interessas, enquanto ainda é possível”.  Ou seja, vá em direção ao que desejas, mas não espere além do que possa desejar. Ainda no campo das recomendações, logicamente argumentadas, podemos encontrar em Marco Aurélio um consolo: “tudo que vês logo se transformará e deixará de existir”, ou seja, a natureza é sábia  e até a indesejável dor terá um fim. Dentre muitas questões que ficam para quem gosta de aprofundar a reflexão filosófica, como podemos frear o desejo, na medida em que é humanamente humano desejar e desejar mais? Em outras palavras, como querer, mas não querer demais? O que determina o limite e como aceitá-lo quando ele impossibilita o meu desejo? Menos laboroso do que refletir e pensar, talvez seja acreditar. Acreditar que o desejável um dia se realizará, nem que seja num outro impensável, mas imaginável, lugar.

10 realizações bem pessoais

Passamos pela vida muito rapidamente e parece que quanto mais gostamos de viver, mais o tempo insiste em correr. Na vida encontramos oportunidades, algumas verdadeiras, outras nem tanto, e também muitas ameaças, algumas reais, outras fruto de nossa imaginação. Ganhamos e perdemos a todo instante. As vezes temos a sensação que pouco fizemos. Nos finais de ano convencionamos fazer balanços e planos. Um amigo meu fez uma breve retrospectiva pessoal na tentativa de encontrar 10 pequenas realizações que pudessem aliviar uma eventual culpa por negligência ou incompetência. Seguem elas:

  1. Ter sido um orgulho para a sua mãe e seu pai.
  2. Ter ouvido de uma mulher, mais de uma vez, eu te amo!
  3. Ter amigos que são mais do que irmãos.
  4. Ter filhos que ama mais do que ama a si mesmo.
  5. Ter criado uma empresa respeitada por muitos.
  6. Ter criado um produto reconhecido pelo mercado.
  7. Ter se formado, incluindo um mestrado, numa grande Universidade.
  8. Ter tido a coragem de escrever um livro.
  9. Ter liderado um movimento para melhorar a qualidade de vida de sua comunidade.
  10. Ter sido reconhecido pelo maior programa da qualidade de seu país.

Para o meu amigo, o melhor deste exercício, além do fato de ter conseguido reconhecer seus ditos feitos, foi sentir que a “vida pulsa” e, na condição de humanos em que estamos, detemos qualidades suficientes para fazer a vida valer a pena. Fica a dica desta retrospectiva que certamente ajuda a elevar a auto-estima!

Natal: a busca contínua pelo nascimento

Natal, dia instituído pela Igreja Católica, no ano 350, pelo Papa Julio I, para comemoramos o nascimento de um tal de Jesus Cristo. Embora alguns questionem a data e até mesmo a existência de um Deus que se fez homem para salvar a humanidade do pecado, pecado este também questionado, é inegável o significado do Natal. Até mesmo os não cristãos, para os quais Jesus pouco representa, sentem-se envolvidos pelo clima natalino. É talvez o momento do ano em que somos mais cordiais para com o outro, pelo menos aqueles mais próximos de nós, familiares, amigos e colegas de trabalho. Deixamos de lado as desavenças e as diferenças. Até ateus declaram “Feliz Natal”, mesmo que para eles não há muito sentido felicitar pelo nascimento de um Jesus sem sentido. É uma felicitação que expressa alteridade, desejo de ver o outro feliz, acolhido, renascendo, conforme a etimologia da palavra diz. Nascer de novo, renovar os sonhos e, quem sabe, convidar para viver com mais justiça, harmonia e amor; menos egoísmo, ganância e desamor. Todos, ou quase todos, estão inseridos na cultura natalina, onde o cenário favorece ao culto da alegria. Sorri a economia. Quem não gosta de receber um presente? E dar um presente? Mais do que o valor do objeto em si, é bom demais ser lembrado e reconhecido por alguém. Somos originalmente carentes, tanto é assim que ninguém é alguém somente. Mas há os excluídos, os deprimidos, os moribundos. Estes passam um Natal sofrido. Tomara que tenham a sorte de encontrar um coração com coragem para fazer algo que possa aliviar a dor que sentem. E como tudo, o dia de Natal também termina. E vem a esperança que no próximo ano estejamos bem vivos, comemorando que estamos vencendo a busca contínua pelo nascimento. FELIZ NATAL A TODOS VIVENTES!

O tripé para ficar de pé depende da vontade do político

Vicente Falconi, um dos maiores pensadores de gestão no Brasil, fala em três fatores fundamentais para a conquista de resultados em qualquer iniciativa humana: liderança, método e conhecimento técnico.  Liderança é o poder que os líderes exercem sobre seus comandados e as habilidades que aplicam para chegar às metas de forma consistente com a participação e motivação indispensável do “time”. Método é o caminho e os caminhos convergentes escolhidos pelo líder e pelo time para atingir o resultado planejado. E atualmente o método PDCA (Planejar, Desenvolver, Controlar e Ajustar) é quase que uma unanimidade. Conhecimento técnico é o domínio do processo que o indivíduo do time está inserido. Por exemplo, numa empresa o gestor do financeiro deve ter domínio sobre finanças, numa prefeitura o secretário de saúde deve ter domínio sobre saúde. No Brasil, muitas empresas ainda não adotam estas premissas, especialmente as de pequeno porte, porque ainda não detém este conhecimento e a compreensão destes fatores. A excelência dos resultados para aquelas que adotam adequadamente, independentemente do tamanho, é comprovada. Já na esfera pública, o número de instituições, que seguem estas premissas na prática, é ínfimo. O método está aí, o conhecimento técnico também, bastando adotar e contratar. O tripé para ficar de pé depende de uma base. A base é a vontade do político, maior líder da instituição chamada país, estado e município. Esta vontade pode ainda ser desmembrada em coragem e alteridade. Coragem é a força para romper com o sistema viciado em falta de produtividade, qualidade e corrupção, que é o fato mais grave. Alteridade é o sentimento da existência de um outro, cuja dependência é mútua. Em outras palavras, é a visão sistêmica, visão do todo, onde não são só os meus interesses particulares contam, mas também o do outro. Até porque num mundo globalizado e interligado o fracasso de um repercute em todos. Poderíamos recorrer à falta de generosidade e solidariedade, mas prefiro deixar de lado por acreditar que nos dias atuais são virtudes bem mais raras na vida em sociedade. Perdoem-me os políticos por concentrar neles a grande responsabilidade pela falta de bons resultados na educação, saúde e segurança, sem falar em outros setores quem encontramos muita precariedade. Uns dirão, mas a sociedade é responsável, afinal, “o povo tem o governo que merece”. Não sei se o povo tem o governo que merece, mas está tendo um governo que muito bem soube se sistematizar que se realimenta, a partir de uma miserável educação e de um sistema de corrupção. A situação é tão precária que a polução vota em quem dá assistência à saúde (remédio e translado ao hospital da capital) e alimentação (bolsa família). Mas, se de um lado culpo os políticos, de outro aposto neles na possibilidade da reversão.  Quem sabe aquele que for mais cristão (aqui estou apelando para a religião) e  assumir sua gestão como uma espécie de missão. Para isso vai precisar romper com o sistema vigente, promover a adoção de bons métodos de gestão, agregar pessoas competentes e manter-se fiel ao controle e ao planejamento. Quem conseguir fazer isso vai acordar a população para um novo padrão. Para mudar o Brasil  “O Verdadeiro Poder”, título do livro de Vicente Falconi, está nos políticos. Na nossa aldeia gaúcha, por que não “espraiar” o modelo conhecido como Agenda Estratégica por todos os recantos do pampa?

Marcos Kayser

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