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Tudo que está na internet fica lá para sempre. Ou não. É bem verdade que, uma vez online, o conteúdo deixa de ser nosso. O post pode ser copiado, replicado e armazenado em diferentes dispositivos, sem que tenhamos controle. No entanto, a história também mostra casos de sites que simplesmente desapareceram.

Geocities. Fotolog. Orkut. Houve uma época em que esses serviços eram febre entre os internautas. Só que os modismos passam e os interesses econômicos das empresas mudam. Esses espaços digitais foram extintos, levando consigo imagens, textos e conversas dos usuários. Registros de anos inteiros se perderam.

Internet e o direito ao esquecimento

Nunca se armazenou tanta informação quanto atualmente. Que o digam companhias como o Google. As ferramentas coletam dados sobre praticamente tudo. Cada passo que você dá e cada mensagem que você escreve vão parar em algum servidor. Isso vale até para os e-mails (supostamente) deletados.

Uma prova de tamanha onipresença está no Facebook. Diariamente, a página “Neste Dia” resgata as lembranças de anos anteriores. Surgem fotos de festas, comentários sobre notícias e todo tipo de bobagem produzida no calor do momento.

Sejamos francos: você já olhou para trás com um pouco de constrangimento, não é mesmo? Para algumas pessoas, o material passado é inofensivo. Para outras, chega a ser tão vergonhoso que seria melhor não o ter publicado.

Inclusive, há quem defenda o direito ao esquecimento. O conceito vem sendo discutido em diferentes instâncias jurídicas. Seria uma maneira de preservar a imagem dos indivíduos para evitar sofrimento.

Pense num acusado de homicídio que, após anos de rechaço social, conseguiu provar sua inocência. Ou numa transexual que assumiu a nova identidade e quer recomeçar a vida. Basta uma entrada num mecanismo de busca para encontrar detalhes sobre a trajetória pregressa desses personagens. Junto com ela, vem toda uma carga de preconceitos.

O debate sobre o direito ao esquecimento divide opiniões. De um lado, está a preservação da privacidade. De outro, o zelo pela liberdade de informação e o combate à censura. O Brasil ainda não possui legislação específica sobre o tema.

Geocities foi popular, mas não existe mais. Imagem: Reprodução

Memória digital não é infinita

Apesar do arquivamento aparentemente infinito de dados, a internet também é território do efêmero. Funcionalidades como o Stories, do Instagram, existem com o objetivo de sumir em 24 horas. É possível capturar os vídeos com outro aplicativo, e publicá-los no YouTube, mas a ideia original passa longe disso.

A pesquisadora Wendy Chun, referência em estudos sobre mídias digitais, trata da memória no artigo The Enduring Ephemeral. Ela ressalta que a transitoriedade das informações não é uma característica exclusiva da web. A grade da televisão, que até hoje mantém muitos programas ao vivo, prioriza esse fluxo contínuo.

Ao longo do tempo, aquilo que seria efêmero ganhou materialidade. Surgiram tecnologias como o videocassete, capazes de registrar os momentos televisivos. O mesmo ocorreu, anos antes, com as gravações de áudio e as fotografias instantâneas.

E, então, chegamos ao século XXI. Fitas e LPs foram considerados obsoletos. Arquivos pessoais foram transferidos para DVDs, pendrives e discos rígidos. O registro de nosso cotidiano passou a ser digital.

Acontece que mesmo esses dispositivos têm vida útil limitada. Como lembra Chun, há um número máximo de vezes em que um HD pode ser usado antes de “dar pau”. Boa sorte em tentar recuperar os documentos corrompidos…

Claro que fazer upload para a nuvem aumenta a segurança. Mas e se o Dropbox for descontinuado? E se o One Drive sofrer um ataque massivo de hackers?

No documentário Archive, o engenheiro de computação Brewster Kahle atenta para outra questão: as extensões. Um vídeo num formato antigo torna-se ilegível em softwares atuais. Deve-se recorrer à conversão, um processo nem sempre exitoso. Pode haver perda de qualidade do material.

HD corrompido? Adeus, documentos pessoais. Foto: Leon Lai/Free Images

Esforços para preservar a memória da web

Kahle é fundador da Internet Archive, entidade com a missão de armazenar todos os websites do mundo. Os servidores da organização sem fins lucrativos contêm mais de 30 petabytes de dados.

Esse maquinário fica nos Estados Unidos, mas há cópias das informações em outros lugares do globo, como a Holanda. Isso garante que os registros sejam preservados mesmo em caso de turbulências políticas. Como o próprio empresário enfatiza, governos já queimaram muitas bibliotecas.

No buscador Wayback Machine, você consegue vasculhar mais de 327 bilhões de páginas salvas desde 1996. Muitos links estão quebrados. Ainda assim, talvez dê para encontrar aquele blog perdido.

A historiadora Emília Viotti da Costa já disse: “um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado”. Para não cairmos nessa armadilha, um grande desafio da era digital é registrar o conhecimento que se constrói online.

A Internet Archive faz uma parte. Você pode fazer a sua. Realize backup dos documentos. Baixe seus posts de redes sociais – Facebook e Twitter oferecem essa possibilidade. E lembre-se: pode até parecer, mas nem tudo que está na rede fica nela para sempre.

Qual sua opinião sobre o assunto? Deixe um comentário! E aproveite para conhecer os Planos de Fibra Ótica da TCA. Você pode passar o dia inteiro na Wayback Machine, mas não precisa navegar como se ainda usasse conexão discada. Mude para nossa banda larga e viva o melhor da internet.