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Abril de 2018. Mark Zuckerberg troca os costumeiros jeans e camiseta cinza por um terno. O diretor executivo do Facebook precisa comparecer ao Congresso dos Estados Unidos e prestar depoimento. Em discussão, a privacidade dos 2,2 bilhões de usuários da plataforma.

O episódio, que ainda repercute na imprensa, deriva de um escândalo revelado em março. Foi quando um ex-funcionário da consultoria britânica Cambridge Analytica divulgou que essa empresa obteve, indevidamente, dados de 87 milhões de membros da rede social.

Essas informações foram utilizadas para a criação de propaganda política personalizada. O trabalho teria influenciado a eleição presidencial estadunidense de 2016, que alçou Donald Trump ao poder, e o Brexit, plebiscito de 2017 que levou o Reino Unido a sair da União Europeia.

As dez horas em que Zuckerberg foi sabatinado pelos parlamentares fomentaram o debate. Afinal, o que os conglomerados de tecnologia sabem sobre nós? E mais: o que eles fazem com isso?

Mark Zuckerberg, diretor executivo do Facebook. Foto: Apec Peru 2016

Cada post que você curte e cada comentário que você publica ficam registrados no Facebook. Essas interações permitem à ferramenta traçar um padrão detalhado a seu respeito. O comportamento online pode revelar suas inclinações políticas, sua orientação sexual e outras preferências.

O Google faz o mesmo. Sua conta pessoal registra os locais onde você esteve, as pesquisas que realizou na internet e os vídeos aos quais assistiu no YouTube. Até mesmo fotos e e-mails excluídos da caixa de entrada permanecem nos servidores, rendendo um dossiê equivalente a milhões de páginas de Word.

Apple, Amazon, Netflix, Spotify e Mercado Livre também seguem essa lógica. Os rastros digitais de cada consumidor rendem estatísticas. E, quando bem trabalhados, os números proporcionam melhorias aos serviços.

Por exemplo: todo usuário do Waze precisa compartilhar sua localização geográfica. Essa é a condição para que o aplicativo calcule quais são os trechos engarrafados na rodovia e, assim, ofereça rotas alternativas aos motoristas. Para obter a facilidade, você aceita que terceiros tenham acesso a seu smartphone.

Nos demais casos, a ideia é oferecer conteúdo relevante. Curte House of Cards? Então talvez você goste d’O Mecanismo. É fã de Chico Buarque? Quem sabe você se interesse por Gilberto Gil?

As sugestões, comuns nos serviços de streaming, mostram como os algoritmos trabalham. Capta-se o histórico da pessoa – as músicas que ouviu os as séries que acompanhou nos últimos meses. Com base nesse perfil, a máquina oferece opções para que o indivíduo permaneça conectado.

Netflix mosaico de recomendações

Sugestões da Netflix são baseadas no histórico do usuário. Foto: Reprodução

Também entra, aí, uma expressiva fonte de receita para as gigantes da tecnologia: a publicidade segmentada. O Facebook não vende dados como nome e telefone dos usuários. Porém, as marcas podem pagar para que o anúncio esteja visível a um estrato específico do público, com altas chances de fechar negócio.

Imagine uma moça que acabou de descobrir que está grávida do primeiro filho. Ela começa a acompanhar vídeos e blogs sobre maternidade. Em poucos dias, passa a receber ofertas de fraldas, mamadeiras e lenços umedecidos.

Trata-se de uma campanha de marketing bem-sucedida. O anunciante determinou que o banner seria direcionado a mulheres entre 20 e 30 anos, com poder aquisitivo médio e que estivessem no início da gestação. Essa precisão só foi possível graças às informações coletadas no meio digital.

Entretanto, nem sempre os objetivos comerciais são tão inofensivos. Segundo a pesquisadora Zeynep Tufecki, o algoritmo tem potencial para identificar quando um sujeito com transtorno bipolar está entrando na fase maníaca. Nesse período, o paciente fica mais compulsivo e propenso a gastar. Um alvo fácil para lojas sem limites éticos.

No campo da política, a situação é ainda mais preocupante. Uma empresa como a Cambridge Analytica pode mapear as ideologias dos grupos sociais. Dessa forma, consegue encaminhar, à audiência mais suscetível, notícias falsas sobre um candidato ou partido adversário. Consequência: manipulação da opinião pública, muitas vezes aliada à propagação de discursos de ódio.

Google políticas de privacidade

É possível restringir coleta de dados no Google. Foto: Reprodução

Desde que a crise foi instaurada, o Facebook tem prometido mudanças. Entre elas, estão mais transparência em anúncios eleitorais e uma atualização na linguagem dos termos de uso do site. Essas medidas devem facilitar a compreensão de como os dados dos usuários são coletados e aproveitados.

Mark Zuckerberg e equipe estão se mexendo, mas você também pode fazer sua parte. Comece desconfiando de aplicativos que solicitem acesso a informações de seu perfil. Os 87 milhões de afetados no caso Cambridge Analytica abriram brecha simplesmente por terem respondido a um teste de personalidade – sim, do tipo “que personagem histórico você seria?”.

Na página de configurações do Facebook, é possível verificar quais aplicações foram autorizadas. Remova links suspeitos. A partir de então, permita somente a integração com nomes conhecidos, como portais de notícias ou serviços populares.

Você também pode restringir a coleta de dados do Google. Além de garantir certo nível de privacidade, o cuidado pode ajudar a romper a bolha e acessar resultados de busca diferentes.

Com essas pequenas precauções, você garante uma experiência online positiva. Só falta, agora, uma banda larga para trabalhar a distância, conversar com os amigos e assistir a filmes sem instabilidade. Conheça os Planos de Fibra Ótica da TCA e aproveite o melhor da internet.

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