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Se você tem mais de 30 anos, provavelmente se lembra da época em que internet era artigo de luxo. Não havia celulares. Trocar mensagens de texto tornou-se um hábito quando você já estava na idade adulta. Por isso, até hoje, sua habilidade para digitar na telinha do smartphone é ridícula, se comparada aos dedos ágeis de um adolescente.

O filósofo francês Michel Serres se admira com essa característica dos jovens. Por usarem os polegares para escrever, numa velocidade absurda para os padrões de um idoso, ele os apelidou carinhosamente de Polegarzinhas e Polegarzinhos. São a geração que já cresceu em meio a computadores e dispositivos conectados à web.

Muitos pesquisadores se referem a esse grupo como os nativos digitais. O termo foi cunhado em 2001, pelo escritor norte-americano Marc Prensky. O autor defende a hipótese de que os nascidos às vésperas do século XXI pensam e processam informação de um jeito diferente, devido à familiaridade com as novas tecnologias.

Desde então, criou-se um consenso de que os mais novos têm vantagens em relação aos imigrantes digitais – aqueles que precisaram abandonar os costumes da era analógica para se adaptar aos tempos atuais. Difundiu-se que gente jovem domina qualquer software e tem o pensamento rápido, podendo realizar várias tarefas ao mesmo tempo.

Será mesmo? Bem, quem nunca viveu num mundo sem Google pode considerar uma pesquisa na ferramenta de busca algo tão natural quanto beber água. Já o pessoal que tinha a Barsa como maior referência de conhecimento talvez ainda se espante com a quantidade de informações à disposição. Porém, estudos apontam que nativos digitais não são, necessariamente, mais habilidosos nem mais inteligentes que os antecessores.

Neuroplasticidade e a evolução humana

Existe um fenômeno do cérebro humano conhecido como neuroplasticidade. Trata-se da capacidade que temos de alterar nosso comportamento com base nas experiências cotidianas. Quando se fala de crianças e adolescentes, diversos estudos investigam os efeitos que as tecnologias digitais podem causar na cabeça desses indivíduos em formação.

Por exemplo, cientistas da Universidade de Iowa (EUA) concluíram que jogar videogame pode melhorar a atenção visual. Num experimento divulgado em 2013, a equipe do pediatra Craig Anderson analisou as reações de gamers que competiam em jogos de tiro como Halo ou Counter-Strike. Esse tipo de partida requer decisões imediatas, o que faz com que o usuário preste mais atenção aos detalhes da cena para saber aonde ir.

Em contrapartida, a necessidade de pensar rápido aumentava as reações impulsivas dos jogadores. Isso pode estar associado a uma elevação nos níveis de agressividade da pessoa no dia a dia.

Anos antes, em 2007, o neurocientista Ian Robertson entrevistou 3 mil sujeitos para saber como andava a memória deles. Resultado: 87% dos entrevistados com mais de 50 anos conseguiam se lembrar da data de aniversário de um parente. Entre os respondentes com menos de 30 anos, o índice de acerto ficou abaixo dos 40%. Alguns mal se recordavam do próprio número de telefone.

Fácil entender por quê. Os nativos digitais utilizam dispositivos móveis que armazenam a agenda de contatos e os compromissos do dia. As novas gerações não têm motivo para memorizar datas e horários, pois há uma máquina que cumpre essa função. Assim, o cérebro fica livre para realizar tarefas que envolvam raciocínio e criatividade.

O filósofo Michel Serres falou sobre o assunto em entrevista ao programa Roda Viva (TV Cultura), ainda em 1999. Para ele, a perda de uma habilidade cognitiva não significa demérito, mas uma vantagem evolutiva. Confira no vídeo:

Nativos digitais também precisam aprender do zero

A questão que fica é: o que será que as novas gerações estão fazendo com essa vantagem evolutiva? Pouca coisa, até onde os acadêmicos puderam perceber.

No artigo Internet literacy: a negociação dos jovens com as novas oportunidades on-line, a psicóloga britânica Sonia Livingstone apresenta um estudo de caso com três adolescentes. Apesar de inseridos na era digital desde sempre, eles demonstram limitações no uso da tecnologia.

Megan não sabe acessar os links favoritos do navegador. Além disso, quando ela se esquece de uma senha, precisa fazer um novo cadastro no site, já que não atina a recuperar o perfil antigo.

Anisha tem dificuldades de discernir fontes confiáveis de pesquisa. Ao preparar um trabalho escolar, ela poderia simplesmente catar dados da Wikipédia, sem verificar se estavam corretos.

Ted tem o Google a um clique de distância, mas não se importa muito com isso. Ele prefere usar a rede para conversar com os amigos e baixar música.

Resumindo, o acesso ao computador não garante um domínio das técnicas. É preciso aprender as gramáticas do ambiente digital, assim como alguém aprende o alfabeto para poder ler. Tanto faz se você tem cinco, 15 ou 75 anos.

Livingstone conduziu a investigação na primeira década deste século, antes da popularização dos smartphones. No entanto, a tendência que ela observou na época vem se confirmando. Prova disso está em outro estudo, de 2017, realizado por Paul A. Kirschner e Pedro De Bruyckere, pesquisadores em Educação da Holanda.

O artigo The myths of the digital native and the multitasker, assinado pelos dois, reúne evidências de que os jovens não conseguem estudar e conversar pelo WhatsApp ao mesmo tempo. O que ocorre, isso sim, é que eles pulam rapidamente de uma tarefa para outra, prática que pode comprometer negativamente o aprendizado.

Moral da história: nunca se teve tanto acesso à informação. Só que transformá-la em conhecimento é um desafio para todos, até mesmo para aqueles que digitam “na velocidade da luz” com seus polegares. Os nativos digitais, via de regra, têm mais tempo ou oportunidade para aprender. Ainda assim, o sucesso depende de cada um.

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