Aproveite o melhor da internet com a TCA. Assine agora: 51 3541.9100

22Houve quem não levasse a sério, mas os eSports são, cada vez mais, uma realidade. Os chamados esportes eletrônicos saíram do amadorismo e vêm conquistando o reconhecimento do grande público.

Os torneiros têm ares de Liga dos Campeões. Times se enfrentam em partidas disputadíssimas – para o delírio das torcidas, que lotam as arenas. Isso sem contar as centenas de milhares de espectadores que acompanham as transmissões pela internet.

Em quadra, os atletas não correm atrás de uma bola nem tentam saltar sobre aparelhos. O confronto se dá na tela do computador (e nos telões que exibem tudo em tempo real). São embates de first-person shooters e de jogos de estratégia que envolvem equipes inteiras. Dota 2, Call of Duty, Street Fighter, Counter-Strike: Global Offensive e Heroes of the Storm estão entre os títulos mais populares.

Não duvide do poder dos games. Relatório da Newzoo, empresa de inteligência de mercado, estima que os eSports arrecadem até US$ 1,65 bilhão em 2021. A receita será proveniente de patrocínios, publicidade, merchandising, vendas de ingressos e direitos de exibição na TV.

O Brasil tem parte nessa história. Somos o 13º mercado mundial de jogos eletrônicos, segundo a Newzoo, com mais de 66,3 milhões de gamers ativos. Não é de se admirar que o público daqui se interesse pela modalidade competitiva.

De olho no crescimento expressivo desse filão comercial, as companhias de entretenimento têm traçado novos planos. Em recente encontro de executivos da área, diretores da Blizzard explicaram como o jogo Overwatch foi concebido já se tendo em vista sua transmissão.

As ferramentas de design incluem, por exemplo, um prático sistema de replay. “É quase como veicular uma partida de futebol com infinitas câmeras de todos os ângulos”, disse o painelista Nate Nazer.

Overwatch Moira

Overwatch foi concebido para eSports. Foto: Divulgação

Rotina de atleta

Jogadores profissionais de videogame podem faturar salários de até cinco dígitos. Para isso, porém, não basta ter habilidade com o mouse. É necessário dedicar-se a uma rotina tão intensa quanto a de qualquer atleta.

Muitos “eSportistas” moram em alojamentos cedidos pelo clube, como se vivessem numa concentração pré-campeonato. Eles precisam praticar atividades físicas diariamente – de caminhadas a treinos de musculação. O corpo deve estar relaxado e preparado para a maratona de treinos.

Um acompanhamento nutricional garante que os membros do time mantenham uma dieta balanceada. Além disso, eles ainda contam com apoio psicológico. Afinal, em qualquer disputa de alto rendimento, deve-se reforçar a concentração e o controle emocional para que os competidores mantenham um nível elevado de desempenho.

Tal grau de excelência vem com treinamentos que duram entre seis e oito horas por dia. E o foco não se restringe à parte prática, ou seja, o jogo propriamente dito. Tem análise tática das partidas e definição de estratégias para combater possíveis adversários.

Durante os torneios, é comum ver técnicos reunindo seus pupilos para uma preleção. Do vestiário, eles saem para seus postos: poltronas ergonômicas em frente a equipamentos de última geração. A equipe realiza alongamentos, para evitar tendinites, e recorre a fones de ouvido com abafadores de som, que diminuem ruídos externos.

E o barulho pode ser grande. Em 2016, o Profissão Repórter cobriu a final do Campeonato Brasileiro de League of Legends, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Havia 10 mil torcedores na plateia.

The International 2014 torneio de Dota 2

Torneio de Dota 2 em Seattle (EUA). Foto: Jakob Wells/CC BY 2.0

Esportes eletrônicos nas Olimpíadas?

Em outubro de 2017, o Comitê Olímpico Internacional (COI) se reuniu com representantes da indústria de jogos digitais. O objetivo do encontro foi estudar a possibilidade de incluir eSports no programa oficial das Olimpíadas.

Meses antes, o presidente do COI, Thomas Bach, havia mencionado que alguns games eram violentos demais. Isso iria contra os valores olímpicos. No entanto, ele admitiu que o fenômeno é popular entre os jovens e merece atenção.

O maior empecilho é a falta de uma federação internacional que represente a categoria. Como as competições são controladas pelas próprias empresas desenvolvedoras dos jogos, uma entidade que unificasse todos os eSports seria improvável.

Apesar desse impasse, eSportistas já poderão disputar medalhas nos Jogos Asiáticos de 2022, em Hangzhou, na China. A Alemanha também estuda a possibilidade de oficializar o ciberdesporto.

A Confederação Alemã de Esportes Olímpicos (DOSB, na sigla original) manifestou-se contra, alegando ilegitimidade devido à ausência de movimento e ao pouco esforço físico.

Hans Jagnow, presidente da primeira associação de eSports germânica (ESBD), rebateu as críticas. “Há esportes de precisão, como tiro com arco, e esportes motorizados, que demandam pouco esforço físico”, argumentou, em entrevista à Deutsche Welle. De fato, destreza e resistência são atributos que os atletas do videogame têm de sobra.

Quer ficar por dentro dos próximos campeonatos? Então conheça nossos Planos de Fibra Ótica. Cliente TCA tem acesso gratuito ao WatchESPN e pode acompanhar conteúdo exclusivo sobre esportes eletrônicos. Mude para uma banda larga de qualidade e aproveite o melhor da internet.