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Orquestra, percussão e um coral entoando a letra do Pai Nosso em suaíli. Essa foi a fórmula que garantiu a Baba Yetu o Grammy de Melhor Arranjo Musical Acompanhando Vocalista(s), em 2011. Até aí, tudo normal, não fosse por um detalhe: em vez de single de uma banda famosa ou trilha de algum filme, a canção era tema do game Civilization IV.

A composição de Christopher Tin foi a primeira música de jogo eletrônico a ganhar, ou mesmo ser indicada à premiação estadunidense. Um reconhecimento da indústria a uma arte que, até então, não era muito valorizada.

Koji Kondo: o pai das trilhas sonoras clássicas

No início, os efeitos sonoros das máquinas de fliperama eram bastante rudimentares, devido às limitações do hardware. Não havia memória suficiente para melodias elaboradas, então os próprios programadores encaixavam um barulhinho ou outro.

Com o avanço da tecnologia e o trabalho de artistas pioneiros, o sound design foi se tornando parte essencial da experiência sensória que é jogar videogame. Muito desse progresso ocorreu graças a Koji Kondo, contratado pela Nintendo nos anos 1980. É ele o compositor por trás de clássicos como Super Mario Bros. e The Legend of Zelda.

Em entrevista à Wired, Kondo explicou seu processo criativo. “Em Mario, a música foi inspirada nos controles do jogo. Ela deveria melhorar o gameplay e torná-lo mais agradável. Não seria algo que tocasse durante o jogo, mas, sim, parte dele.”

O resultado foram peças que davam o tom de cada cena: os instantes de tensão, a tranquilidade da valsa no reino subaquático, a euforia de encontrar uma estrela e tornar-se invencível por alguns segundos, a resolução triunfal de cada fase. Ao fim, o jogador sempre voltava ao tema principal, um símbolo de que tudo estava bem.

Com Zelda, o esforço maior era criar uma atmosfera de outro mundo. Nessa tentativa de se obter uma sonoridade nunca antes ouvida, houve experimentações com diferentes gêneros e estilos musicais.

Zelda personagens

Trilha de Zelda foi feita para soar como algo de outro mundo. Imagem: Reprodução

Características da música de videogame

As dificuldades técnicas foram superadas. Sem o espaço exíguo de outrora para incluir trilhas nos games, os ruídos eletrônicos cederam lugar a arranjos complexos e megaproduções. Hoje é difícil distinguir, à primeira escuta, se uma melodia foi composta para um filme, um espetáculo de dança ou um RPG online.

Ainda assim, a música de videogame tem suas particularidades. A primeira delas é a sutileza. Apesar dos momentos de explosão e de protagonismo, na maior parte do tempo ela cumpre papel incidental. Fica ali no fundo, discreta, ajudando a desencadear certas emoções no jogador.

Esse tipo de material não pode ser muito repetitivo, senão enjoa rapidamente e distrai o indivíduo. E, quando se está imerso numa batalha virtual ou num quebra-cabeça particularmente difícil, falta de concentração pode ser o pior dos inimigos.

É por isso que os sons de background possuem um caráter intrinsicamente positivo. São elaborados para motivar o gamer – e vão se modificando conforme a pessoa cumpre missões ou conquista objetivos durante a jornada.

Aliás, eis um dos grandes desafios. Ao contrário das trilhas de seriados e filmes, feitas para encaixar numa história com início e fim bem definidos, a música dos jogos eletrônicos pode rolar por horas e horas. Especialmente nos mundos abertos, a duração de uma partida não tem como ser prevista, pois depende das ações de quem comanda o mouse.

Os compositores tentam antever em quais cenários o herói permanecerá por mais tempo. De todo modo, existe a possibilidade de ficar parado numa sala vazia, de caminhar em vez de correr e assim por diante. Sempre há um elemento de interatividade que precisa entrar no cálculo. O trabalho, então, ganha um grau de dificuldade extra.

A salvação das orquestras

Seria natural que o mainstream reconhecesse o impacto das trilhas sonoras de jogos eletrônicos. No entanto, a presença em grandes premiações ainda é modesta. Após Baba Yetu (vídeo abaixo), apenas mais um trabalho do gênero foi indicado ao Grammy – a música original do game Journey, na categoria Melhor Trilha Instrumental para Mídia Visual.

Alheias à resistência na indústria do entretenimento, as orquestras já abraçaram esse tipo de produção. Não é raro encontrar concertos em que se executem temas de Zelda, Pokémon e Sonic.

Os espetáculos, lotados, têm levado uma nova geração aos teatros e salvado muitos conjuntos da falência, como mostra esta reportagem da CBS. Os músicos também elogiam a sofisticação das composições. Afinal, embora elas apresentem diferenças estilísticas, no fim das contas servem ao mesmo propósito de Beethoven e Brahms: emocionar o público.

 

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