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Você se lembra do Google Glass? Protótipos dos óculos inteligentes começaram a ser vendidos em 2013. O dispositivo vinha com uma pequena tela acoplada à lente direita, de modo que o usuário pudesse navegar nas redes sociais, conferir a previsão do tempo ou acessar o GPS sem usar as mãos.

Curiosos em experimentar a tecnologia chegaram a pagar US$ 1,5 mil por um exemplar. Porém, dois anos depois, as vendas do produto foram interrompidas. O grande público simplesmente não havia embarcado na ideia. Afinal, por que vestir uma geringonça cara e feia para realizar funções que o smartphone já cumpria?

Foi preciso reinventar o Glass. Hoje, ele é um aparelho de nicho, voltado a trabalhadores braçais. Por exemplo, operários podem consultar um manual de instruções enquanto mexem na máquina, sem precisar interromper o serviço.

O ciclo do hype das tecnologias

A história acima se encaixa perfeitamente no que o grupo de pesquisa Gartner chama de ciclo do hype. Esse termo, que tem a mesma origem grega de “hipérbole”, designa as expectativas que depositamos numa novidade qualquer. Muitas vezes, elas são exageradas e não correspondem à realidade. Veja no gráfico:

Segundo Gartner, novas tecnologias passam por cinco estágios. Imagem: Reprodução

O primeiro estágio é o gatilho da inovação. Quando uma nova tecnologia é anunciada, ela logo recebe atenção da mídia e desperta certo interesse. No entanto, ainda falta viabilidade comercial para as aplicações deslancharem.

Depois vem o pico de expectativas infladas. Os early adopters, pioneiros em adotar o produto, apostam no sucesso da empreitada, mesmo que paguem um pouco mais caro. Nesse ponto, podemos citar o caso do laser disc (LD), que parecia o substituto natural do VHS nos anos 1990. O bolachão digital oferecia melhor qualidade de som e vídeo, embora o preço ainda fosse um tanto salgado.

Só que nem todas as iniciativas sobrevivem, o que leva à terceira fase do gráfico: a vala da desilusão. O mercado não vê mais tanto potencial naquela tecnologia e os consumidores perdem interesse. Muitas vezes, os fabricantes encerram as operações. Aconteceu com o LD, atropelado pelo DVD, e com outros gadgets que se tornaram obsoletos.

Ainda assim, há os que conseguem escalar a rampa do esclarecimento. Nessa etapa, já existe um entendimento melhor de como o produto funciona e de quais são seus usos possíveis. Encontra-se um segmento onde aquilo poderá ter sucesso (ponto para o Google Glass).

Finalmente, chega-se ao platô da produtividade. É o momento da estabilidade e do lucro – pelo menos até que surja uma tecnologia melhor, claro.

Futurismo não explica mudanças de comportamento

O gráfico da Gartner aponta as principais tendências do mundo contemporâneo. Todo ano, a empresa atualiza as informações com base em pesquisas e projeções de especialistas.

Sendo assim, como explicar fenômenos inesperados? Ninguém imaginava o Uber e o Tinder, mas esses aplicativos levaram pouquíssimo tempo para revolucionar o transporte de passageiros e os relacionamentos, respectivamente.

Em artigo para a revista Nautilus, o jornalista Tom Vanderbilt explica o calcanhar de Aquiles do futurismo. Segundo o texto, a tecnologia ajuda um pouco, mas são as ideias que ocasionam as principais transformações da História.

Tom cita a invenção da máquina de lavar roupas. O eletrodoméstico poderia ter dado início a uma onda feminista, na qual as mulheres ganhariam papéis diferentes na sociedade. Em vez disso, as donas de casa simplesmente assumiram uma tarefa que, antes, era delegada às empregadas. Foi preciso toda uma conjuntura cultural para que o dito sexo frágil ocupasse, de fato, outros espaços.

Imaginar o amanhã nem sempre é fácil, basta acompanhar a ficção. No desenho animado Os Jetsons (1962-1963), que se passa num futuro próximo, o pai da família dirige seu carro voador até o trabalho. Não só esse tipo de automóvel ainda está longe de sair do papel, como o programa de TV falhou ao não prever o home office.

A história do filme Laranja Mecânica (1971) também transcorre numa época vindoura, mas, apesar dos prováveis avanços tecnológicos, o protagonista utiliza um minicassete para ouvir música. O diretor Stanley Kubrick nem sequer sonhava com CD, MP3 ou serviços de streaming.

A sociedade futurista de Laranja Mecânica não tinha MP3 nem streaming. Imagem: Reprodução

Em resumo, muitos são os caminhos possíveis, mas ninguém sabe aonde a estrada vai dar. Se houvesse mapa, os early adopters investiriam apenas nos produtos certos – e não acumulariam tanto lixo eletrônico ao longo dos anos.

A boa notícia é que existem tecnologias que já atingiram o platô da produtividade. A Fibra Ótica da TCA está entre elas, garantindo uma conexão estável e de alta qualidade para você. Conheça nossos planos e aproveite o melhor da internet.