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Já faz tempo que as inteligências artificiais se tornaram comuns no dia a dia. Quando você pega uma estrada desconhecida, por exemplo, aciona o GPS do celular para chegar ao seu destino. O aplicativo traça a melhor rota no mapa e ainda vai indicando as direções com uma voz feminina suave: “Em 300 metros, vire à direita”.

Você sabe que a moça do Google Maps não é de carne e osso. Ela é resultado de um algoritmo que acumula dados de satélite, calcula distâncias e projeta caminhos para o motorista. Mesmo quem não entenda esses detalhes técnicos reconhece, pelo tom monocórdio e sintético da narração, que se trata de um robô.

Porém, e se a fala não soasse como uma gravação? Seria possível distinguir uma pessoa de um software? Afinal, os sistemas informatizados parecem cada vez mais espertos – capazes, inclusive, de superar o nosso conhecimento.

A História recente traz exemplos de como as máquinas podem ultrapassar as habilidades de meros mortais.  Um episódio emblemático é o do supercomputador Deep Blue. Em maio de 1997, ele derrotou o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov numa melhor de seis partidas do jogo. Foi a primeira vez que uma tecnologia dessas atingiu tal façanha.

Feitos semelhantes se sucederam. O sistema Watson venceu uma partida do gameshow de perguntas e respostas Jeopardy! em 2011. Já o AlphaGO sagrou-se ganhador de go, um complicadíssimo jogo de tabuleiro, em 2015. Ambos deixaram para trás seus adversários humanos.

Garry Kasparov Deep Blue

Garry Kasparov contra Deep Blue. Imagem: Reprodução

Também podemos citar as ocasiões em que uma inteligência artificial passou no teste de Turing. No experimento original, criado pelo matemático Alan Turing em 1950, um sujeito troca mensagens de texto com dois interlocutores. Ao fim das conversas, ele deve identificar quem era a pessoa e quem era o autômato.

Em 2012, robôs participaram de um campeonato do game Unreal Tournament 2004 junto com jogadores de verdade. Na disputa, os participantes podiam marcar os adversários como gente ou robô, dependendo de seu comportamento. Pois tanto UT^2 quanto MirrorBot obtiveram uma taxa de humanidade de 52%, frente a 40% de média dos demais. Eles pareceram mais humanos que os próprios humanos.

Dois anos mais tarde, o chatbot Eugene Goostman convenceu dez de 30 juízes ao se fazer passar por um menino de 13 anos. O script simulava um diálogo normal, mas que às vezes enveredava para respostas evasivas e carregadas de humor, tal como um adolescente faria.

Para o professor de ciência cognitiva Gary Marcus, em artigo publicado na revista The New Yorker, essa suposta “personalidade” era uma maneira de esconder as limitações do software. Em vez de se aprofundar, Goostman mudava de assunto com frases curingas, capazes de ludibriar o público leigo. Nada além de um truque bem bolado.

unreal tournament 2004

Bots enganaram jogadores de Unreal Tournament 2004. Imagem: Reprodução

Ainda assim, cientistas continuam a se inspirar no teste de Turing para descobrir se computadores podem pensar. O fato é que as máquinas reúnem e processam informações numa velocidade absurda, muito acima de nossa capacidade cognitiva. Isso permite que os sistemas testem variáveis e encontrem o modelo de ação mais preciso.

No caso do Google Maps, o algoritmo lista as rodovias possíveis e mede o caminho mais curto do ponto A ao ponto B. O AlphaGO se baseia em centenas de milhares de partidas do jogo para determinar quais movimentos têm menos chances de erro. São cálculos que uma pessoa demoraria horas para concluir.

Contudo, o ágil processamento de dados não significa que o sistema consiga interpretá-los ou refletir sobre os resultados. Essas são características tipicamente humanas. Para pô-las à prova, a IBM desenvolveu a Miss Debater, uma inteligência artificial que consegue discutir questões atuais da sociedade.

Num evento ocorrido em fevereiro de 2019, ela entrou em disputa com Harish Natarajan, recordista mundial em competições de debates. O assunto em pauta era: devemos ou não subsidiar pré-escolas?

Miss Debater armazenou 10 bilhões de frases de artigos noticiosos e publicações científicas. Ela comparou opiniões, baseou-se em pesquisas e usou afirmações de políticos para embasar seu argumento. O oponente, munido de papel e caneta, rebateu como pôde.

Ao fim do embate, com direito a réplicas e tréplicas, o júri concedeu a vitória a Natarajan. Os dois debatedores demonstraram coerência, mas somente o ser de carne e osso tinha a inflexão da fala. Pausas, ênfases e outros recursos que imprimem emoção podem ter influenciado a audiência.

Cabe ressaltar que o conteúdo utilizado para alimentar o conhecimento da máquina era de qualidade. Se as referências partissem das redes sociais, talvez o destino de Miss Debater fosse similar ao de Tay.

Essa página de Twitter simulava o perfil de uma garota jovem, desenvolvida para conversar automaticamente com os seguidores. Quanto mais interações, mais “inteligente” ela ficava. Só que a personagem foi alvo de mensagens racistas e homofóbicas. Em menos de um dia, ela mesma começou a reproduzir discursos de ódio, tendo que ser desativada logo depois.

tay ai, inteligência artificial da IBM, perfil do twitter

Perfil de Tay no Twitter foi desativado. Imagem: Reprodução

No fim das contas, as criaturas de silício não têm tanto poder quanto julga a ficção científica. Sim, a realidade está mais híbrida, misturando elementos naturais e artificiais. Entretanto, o mais provável é que as tecnologias sejam empregadas para propósitos nobres.

Quer uma hipótese? Ajudar advogados. Uma Miss Debater vasculharia centenas de processos judiciais para encontrar elementos de defesa num caso. Softwares desse tipo também podem colaborar na medicina, compilando dados de prontuários e exames. Isso aceleraria o diagnóstico de doenças raras em novos pacientes.

O enxadrista Garry Kasparov, derrotado por um supercomputador há mais de 20 anos, admite: se não pode vencê-los, junte-se a eles. Nós precisamos da memória prodigiosa e dos cálculos velozes de uma máquina para tomar decisões melhores. Por outro lado, os autômatos não têm nosso senso crítico para dizer qual é a melhor decisão – nem meios para agir por conta própria.

O que difere humanos de máquinas, segundo Kasparov, é a capacidade de sonhar. Enquanto houver gente sonhando com o futuro, os robôs apenas contribuirão para chegarmos lá mais rápido.

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