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07/09/2010 - Independência do Brasil

Sabrina Schwan
Coordenadora do espetáculo "Paixão de Cristo"

16/04/2010
Sabrina é Schwan é professora de teatro e atua há cerca de dois anos na cidade de Taquara. Atualmente, possui dois grupos de teatro – O grupo infantil, Balaio de Gato, e o Cheiro de Chuva, integrado por adultos. No último final de semana, Sabrina dirigiu o espetáculo Paixão de Cristo, surpreendendo e emocionando o público pela qualidade da apresentação.

Qual foi a sua motivação para realizar o espetáculo Paixão de Cristo em Taquara?

Eu já participava deste projeto em São Paulo, onde este espetáculo já está na 14ª edição. Comecei a participar quando ainda estava no segundo ano e continuei pelos nove anos seguintes. Então, este era um projeto em que eu já acreditava muito. Se lá dava certo, não tinha porque não dar certo aqui também. Eu também quis fazer este projeto para mostrar que Taquara pode produzir coisas boas, coisas diferentes na área de artes, e que pode ter o envolvimento da comunidade também, que todos podem participar. Quis mostrar que arte não é coisa de elite, que só um grupo seleto pode fazer, mas que qualquer pessoa pode dar a sua contribuição.

Como foi o trabalho de construção da peça? Roteiro, recrutamento do elenco, ensaios, etc?

Eu tinha em mãos vários roteiros, dos anos em que participei do espetáculo em São Paulo, então fiz uma adaptação. Peguei as partes que mais me agradavam em cada um, fui comparando com leituras da Bíblia e construí meu próprio roteiro. Procurei fazer um texto bem direto, sem muitos adornos, mas com muita emoção. Acredito que, cada vez que se faz um trabalho, ele tem que mudar alguma coisa na vida de alguém. Se a peça não tocar as pessoas, não alcançou seu objetivo.

Confesso que quando iniciei os ensaios para a Paixão de Cristo não tinha muita noção do trabalho que isso daria. Em São Paulo, havia toda uma estrutura de profissionais envolvida. Havia uma pessoa só para a construção do cenário, outra só para cuidar do figurino, e assim por diante. Aqui, por ser ainda o primeiro ano, e por ter sido uma iniciativa minha, acabei tendo que abraçar todos os setores. Mas, no final, deu tudo certo.

Quanto a recrutar o elenco, comecei com os alunos dos meus dois grupos de teatro. Como precisávamos de mais gente, passei a recrutar familiares destes alunos. Depois, com o tempo, foram aparecendo outros interessados em participar e acabamos reunindo cerca de 50 pessoas no elenco. Os ensaios duraram três meses e ocorriam sempre nas segundas, quartas e sextas. O legal disso foi que, entre essas pessoas que participaram da Paixão de Cristo, algumas acabaram tomando gosto pela dramaturgia e ingressando nos meus grupos de teatro. Eram pessoas da própria comunidade, que tinham talento e nem sabiam.

Que apoios você recebeu para viabilizar o projeto?

Em primeiro lugar, da Prefeitura de Taquara, através da Secretaria de Educação e Cultura. Recebi apoio para a estrutura de palco, sonorização, iluminação, além do local onde foi realizado o espetáculo. Tive patrocínios também, alguns do próprio grupo, que contribuíram com valores para a compra de material para figurino, maquiagem, etc. Outra grande ajuda que eu sempre recebo é do Centro de Triagem do Setor Calçadista de Três Coroas, que sempre colabora com material de couro.

E que avaliação você faz do resultado alcançado?

A avaliação é extremamente positiva. Principalmente pelo grupo, que trabalhou comigo o tempo todo. São pessoas maravilhosas que não me deixaram desistir do projeto em nenhum momento, sempre me dando força, me apoiando. Nós trabalhávamos sábado, domingo, às vezes até onze horas, meia noite. Eu só tenho a agradecer a essas pessoas.

E também pelo sucesso de público. Havia muitos eventos ocorrendo na cidade no mesmo final de semana, e mesmo assim o público prestigiou bastante. E, pelo que tenho ouvido, gostou bastante. Eu fico muito feliz com isso. Sei que tinha muita gente que não acreditava no projeto, ou que não tinham noção da magnitude do espetáculo. Então, foi uma vitória. Fiquei muito satisfeita e também orgulhosa pelo grupo. A alegria deles, de ver o resultado que ajudaram a construir, é algo que não tem preço.

Você já atua em nosso município há cerca de dois anos. Como você vê a receptividade e interesse dos moradores às iniciativas teatrais?

Estou muito feliz com o trabalho que desenvolvo aqui. Eu amo teatro, é a minha grande paixão. E é muito bom ver que aquilo que você gosta de fazer está dando certo, que as pessoas estão gostando do seu trabalho, avaliando de maneira positiva. E a comunidade tem tido interesse, sim, inclusive, estou com turmas novas, montando uma peça nova.

Quais os seus próximos projetos para o público/comunidade taquarense?

Tenho os dois espetáculos dos meus grupos, Os Saltimbancos e Sacra Folia, sendo que este último vai entrar agora em um circuito cultural chamado Cidade em Cena. Estaremos apresentando a peça em 22 cidades da região. Também estou montando uma peça nova, O Mistério de Feiurinha, com alunos do Colégio santa Teresinha, que pretendo inscrever em festivais estudantis.

Além disso, tenho um projeto muito bacana que pretendo apresentar para a Prefeitura, que é um festival de declamação de poemas. A idéia seria desenvolver oficinas nas escolas municipais, com orientação e preparação dos alunos, e depois realizar um festival entre essas escolas. Eu acho este projeto muito legal por se uma forma de introduzir as artes cênicas nas escolas de uma maneira mais fácil, mais leve, sem aquela pressão de chegar com uma peça pronta. È um pontapé inicial, para que o aluno pegue gosto pela arte.

Como deve proceder quem tem interesse em participar, ou mesmo colaborar com as suas iniciativas?

Podem entrar em contato comigo, pelos fones 8537-9601 ou 3542-1344. Eu vou indicar os horários das aulas, que são abertas a qualquer pessoa que queira participar. Não importa a idade - de criança a ‘senhorinha', todo mundo pode fazer arte. E o mais legal de tudo é que a gente forma uma família.

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