Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

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Iguais e desiguais

Os seres humanos, na condição de indivíduos, possuem aspectos de sua personalidade que os tornam desiguais. Dá para dizer que somos desiguais por natureza. Nascemos desiguais, mas, a natureza, com sua inteligência e beleza, se incumbe de compensar. Todos temos qualidades, habilidades, competências. Tenho uma qualidade que o outro não tem e, ao mesmo tempo, não tenho uma qualidade que o outro tem. Isso, se não iguala, nos aproxima. Se por um lado somos desiguais de fato, por outro devemos ser iguais de direito. Promover esta igualdade de direito compete a sociedade que, dentre suas obrigações, está a de preservar o maior dos direitos, o direito de viver com dignidade, pressupondo oportunidades. Na prática não é assim. Vivemos uma sociedade de desiguais em matéria de direito. Se olharmos para o Brasil, a desigualdade é escancarada e excludente. As próprias leis, que deveriam ter na base a igualdade, desigualam e distanciam um dos outros. Vejam o que é o auxílio moradia previsto em lei. Uma pessoa que recebe um salário superior a 30 mil reais precisa receber ajuda de aluguel? Ainda somos o país da senzala, dos senhores e dos escravos. Como mostram as estatísticas, o Brasil tem uma das maiores desigualdades do mundo e isso vem desde a nossa colonização. Particularmente, penso que a maior fonte de desigualdades reside na educação. Educação que, vai além de replicar conteúdo, ensine a pensar, criar e respeitar o outro. Há crianças que nascem com a perspectiva de cursar uma Universidade e temos aquelas que nascem sem perspectiva de terminar o ensino fundamental. A existência do ensino público e privado já é um sinal de desigualdade. Resultado, num mundo capitalista, onde só temos lugar ao sol com dinheiro, aquele que estuda menos terá muito menos oportunidades de acessar aos bens de consumo que inundam nossas redes sociais. Uma das consequências imediatas desta desigualdade é a violência. O que pensa aquele que não tem dinheiro pra comprar uma bicicleta daquele que circula pela cidade com uma BMW (por favor, não me levem a mal quem tem BMW, kkkk)? O que pensa aquele que, na melhor das hipóteses, se um dia conseguir se aposentar, irá receber um salário mínimo, daquele servidor público que se aposenta aos 50 anos com uma aposentadoria na faixa dos 20 mil reais? A coexistência de leis que garantem privilégios a uma minoria e a falta de boas políticas públicas vão continuar deixando o Brasil cada vez mais desigual e violento.

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