Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um dos sócios fundadores da TCA Informática que iniciou atividades em 1988. Idealizador do software Scopi. Bacharel, licenciado e mestre em Filosofia pela Unisinos. Tem curso de formação em gerenciamento de projetos. Presidiu a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (CICS-VP). Preside o Comitê Regional do PGQP no Paranhana. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação.

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Archive for agosto, 2014

O carinho do professor

Vivemos num país exemplar em edição de leis. Tem lei para tudo. O problema que temos é não cumprir a lei. Também não cumpre quem tem o dever de fazê-la cumprir e viva a impunidade! Uma lei que considero o atestado da impunidade é esta lei que proíbe as escolas de expulsarem alunos que não se enquadrem aos seus princípios. Fica proibido proibir. Se bastasse a lei, deveríamos ter lei que obrigasse os pais a participarem ativamente da educação escolar dos seus filhos, como também lei que obrigasse os professores a ensinarem bem e criarem vínculos com seus alunos. Dizem os especialistas em educação que o vínculo afetivo é um ponto fundamental da relação professor aluno. Neste final de semana fui ao velório da dna. Zenia Jung, que foi minha professora como de tantos. Lá tive a alegria de rever alguns professores, dentre eles o professor Roberto Dienstmann que me deu um caloroso e saudoso abraço. As palavras do professor Roberto eram de carinho, não só comigo, mas também com outros alunos que relembramos juntos.  Saí de lá com uma tendência a pensar que os professores de antigamente tinham um vínculo afetivo maior com seus alunos. Isso significa que eram mais tocados emocionalmente por seus alunos e que em tempos passados a troca de carinho entre aluno e professor era bem mais intensa. Curioso que os professores da antiga eram mais rígidos e até punitivos. Não sou do tempo da palmatória e não compartilho destes métodos de repressão, mas há alguns tipos de punição que, dependendo do contexto, manifestam afeto. Depois da palmada da mãe vinha o colo e o abraço e o carinho fazia valer a lei. Por falar em palmada, é mais uma lei. Vejo que a perda da intensidade do afeto, pelo menos numa comparação com 40 anos atrás, não se restringe apenas ao espaço escolar, é um aspecto do nosso atual modelo de sociedade, onde cada indivíduo é mais individual, o que alguns teóricos chamam de individualismo possessivo. As opções de consumo são muito maiores, dividindo mais a nossa atenção e o nosso tempo, o que faz com que tenhamos menos tempo disponível para dedicar aos outros. Outro fator é a tecnologia que nos traz ganhos de autonomia, permitindo cumprir certas tarefas sem depender dos outros. Então, se assim for, professores e alunos não estão absolvidos, mas também não estão sozinhos na sociedade da falta do carinho.  Obrigado professor Roberto pelo papo e pelo abraço! Marcos Kayser

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