Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um dos sócios fundadores da TCA Informática que iniciou atividades em 1988. Idealizador do software Scopi. Bacharel, licenciado e mestre em Filosofia pela Unisinos. Tem curso de formação em gerenciamento de projetos. Presidiu a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (CICS-VP). Preside o Comitê Regional do PGQP no Paranhana. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação.

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Archive for novembro, 2013

A imortalidade parental

Por que ter filhos? É da filosofia a natureza de perguntar os porquês, mas quando o assunto é filhos, crianças e mulheres o discurso filosófico é bem mais restrito. Quanto as mulheres, acredito que o motivo está relacionado à cultura antiga de considerar a mulher como um ser inferior e, para muitos, um ser incompleto, um quase ser. Algo absurdo para os dias atuais em que as mulheres, a cada dia, reafirmam seu espaço. Que bom, para elas e para eles (nós)! Quanto aos filhos e as crianças, o fato de muitos filósofos não terem passado pela experiência da paternidade, pode explicar, em parte, uma eventual renegação do tema. Hegel foi um dos filósofos que fugiu à regra. “É apenas nas crianças que a unidade do matrimônio passa a existir, uma vez que ambos amam os filhos como o próprio amor”, diz Hegel.  Para ele, não ter filhos sinaliza uma  falta na natureza amorosa de um casal. São os filhos que concretizam a família. Os filhos geram também o sentimento de que há mais vida por vir depois da morte dos pais, já que quando estes se vão, pelo menos é assim na maioria das vezes, os filhos permanecem existindo, perpetuando a vida dos pais tanto pelos genes quanto pela memória. Quando vem ao mundo, o filho se torna a memória do pai e da mãe, o arquivo reunido, daqueles que o criaram, seja com amor ou desamor. Sim, há pais que não amam seus filhos, por mais absurdo que pareça. Algo impensável, mas real. Particularmente, os filhos me deram a dimensão de um amor incomparável. Talvez seja o que mais se assemelha ao amor cristão, aquele que dá a vida por seu irmão.  Junto deste amor incomparável vem o apego, aquele sentimento de não querer largar mais, por mais que ouvimos a pregação de que geramos os filhos para o mundo. Apego que os estóicos e budistas não aconselham, já que o apego é sinônimo de sofrimento. Filosoficamente, temos um problema: será possível amar sem se apegar? Os filhos não existem para salvar a união dos pais, nem para dar sentido as nossas vidas.  Eles não merecem esta sobre carga. Apesar de significarem tudo ou quase tudo para nós pais, chega o tempo em que eles se desapegam, independentemente do nosso desapego. Claro que há exceções e muitas vezes representam certas patologias. Mesmo assim, os filhos continuarão assegurando nossa imortalidade parental e o amor que temos por eles ninguém tira mais. Dá trabalho, traz preocupação, mas ter filhos é bom demais! Muito obrigado por existirem!

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