Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

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PMDB: está mais para MDB ou ARENA?

Entre os anos 1966 e 1979 vigorou no Brasil o bipartidarismo. No bipartidarismo eram apenas dois partidos políticos,  no caso a ARENA e o MDB, no comando da nação.  A ARENA era a corrente política situacionista e o MDB era a corrente oposicionista. A ARENA era a chamada situação e o MDB a oposição. A ARENA (Aliança Renovadora Nacional) pró-governo, era o partido dos Militares. Era o partido que no qual se aliavam aqueles políticos que apoiavam a Ditadura. Existia apenas para oficializar as vontades de todos os militares, apoiar o regime dos mesmos e preservar o conservadorismo radical. A ARENA foi rebatizada de Partido Democrático Social (PDS). Mais tarde, um grupo de políticos do PDS abandonou o partido e formou a “Frente liberal”, a qual, depois, tornou-se o Partido da Frente Liberal (PFL), atual DEM. O PDS, posteriormente, mudou o seu nome para Partido Progressista Renovador (PPR), e depois para Partido Progressista Brasileiro (PPB), que hoje se chama Partido Progressista (PP). O MDB (Movimento Democrático Brasileiro) foi uma espécie de oposição permitida, um partido que existia para tentar mostrar ao povo que sua voz ainda era ouvida. Era um partido vigiado constantemente pelos Militares e se caracterizou por sua multiplicidade ideológica. Inicialmente teve um desempenho tímido, mas experimentou grande crescimento no governo de Ernesto Geisel, obrigando os militares a extinguirem o bipartidarismo em 1980. Com o fim do bipartidarismo, as inúmeras correntes que formavam o MDB fundaram legendas como o PMDB, o PT, o PDT e outras que vieram mais tarde durante os anos oitenta. Em 1988, uma cisão no PMDB deu origem ao PSDB, formado pela ala, então, social-democrata e os intelectuais do partido, ligados ao ex-governador paulista Franco Montoro. A ARENA elegeu todos os presidentes da República que se candidataram pela legenda – de Costa e Silva à João Figueiredo. A ARENA também conseguiu fazer a maioria das cadeiras na Câmara dos Deputados em todas as eleições que disputou: 1966, 1970, 1974 e 1978. Ou seja, enquanto o bipartidarismo existiu, a ARENA exerceu a soberania no país. Hoje, quando o multipartidarismo vigora, um só partido reina: o PMDB. E isso não é difícil perceber, mesmo que a presidência seja nominalmente do PT, quem comanda é o PMDB. De quatro importantes instâncias políticas da Federação, três são comandadas pelo partido: Vice Presidência, Senado e Congresso Federal. Numa analogia com a fase do bipartidarismo, aquele do período da ditadura, o Brasil hoje continua na mão de um único partido, no caso o PMDB. É curioso pensar que PMDB é este: o MDB ou a ARENA?

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