Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

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Desejar o que já tem

Quantas vez nos preocupamos em ter mais e mais e desprezamos o que já conquistamos?  Quando o assunto é pensar o que leva a espécie humana a agir para além da sobrevivência, concordo com Hobbes para quem o homem é movido pelo desejo. Spinoza também dizia que” o desejo é a essência do homem”. Segundo ele, “nós não desejamos as coisas porque elas nos dão prazer, mas elas nos dão prazer porque as desejamos”. Ou seja, o desejo é quem manda. Desejo daquilo que nos dá prazer em detrimento da dor, exceto o masoquista que deseja a dor, apesar de ser
ela que lhe dá prazer. Desejo que não tem fim, é sempre insaciável, querer mais e mais. Um movimento contínuo do desejo, de querer mais e mais, como define Hobbes e conceitua assim a própria felicidade. Até aí, aparentemente, nenhum problema. O desejo nos move, nos motiva, nos faz produzir e nos permite viver. O problema acontece quando o movimento contínuo assume um ritmo frenético, a tal ponto que não nos dá tempo suficiente para contemplar e viver a conquista. Gula, ganância? Certo que a tentação do consumo é quase inevitável. E como é bom comprar! Mas também é bom demais degustar, contemplar. Uma vida sempre melhor, quase todos nós queremos. Mas a vida que temos não será a melhor que podemos? Não estou aqui pregando a acomodação nem uma espécie de resignação conformista. Mas acho que podemos frear um pouco a cede de devorar tudo que se apresenta como bom, bonito e gostoso. Se não, vira desejo pelo desejo. As vezes, o presente já pode estar na instância do melhor que podemos. Restará então conservá-lo, o que implica vivê-lo intensamente. Para ter mais consciência do presente, é analisar o contexto em que vivemos é uma boa prática. Olhar a nossa volta, para perceber que a felicidade não é diretamente proporcional a nível social e quantidade de bens materiais. Muitos que pouco possuem, mais felicidade emanam ter. E o que dizer daqueles que tinham o que jamais pensariam perder? A tragédia de Santa Maria fez pais perderem filhos. Não há nada mais dramático e triste. O pior acontece e ninguém está salvo. Além de olhar ao redor, também é bom tentar se colocar no lugar de quem aparentemente teve menor sorte que a nossa. Se o contexto nos dá sinal verde, avancemos, se não, saibamos dar o verdadeiro valor ao que já conquistemos. De novo, não se trata de se resignar com tudo e com todos, diante da primeira falta e da primeira dificuldade, mas olhar pra dentro e pra fora, reservando tempo para viver o que se tem agora.  É desejar o que já se tem.

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