Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um dos sócios fundadores da TCA Informática que iniciou atividades em 1988. Idealizador do software Scopi. Bacharel, licenciado e mestre em Filosofia pela Unisinos. Tem curso de formação em gerenciamento de projetos. Presidiu a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (CICS-VP). Preside o Comitê Regional do PGQP no Paranhana. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação.

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Archive for outubro, 2012

Aspectos do nosso tempo

Atendendo um pedido da minha filha que se prepara para o vestibular de medicina (e que a sorte também a ajude, já que dedicação ao estudo não lhe falta), fiz um pequeno apanhado sobre alguns aspetos que marcam nossa sociedade contemporânea. Apanhado que tiro das leitura que faço de alguns filósofos, dentre os quais Baumann e Lipovetsky, e da minha experiência de vivente.  Vivemos no que chamam de pós-modernidade, nome que parece ser transitório, seguindo uma das características desta época: a transitoriedade. Tudo é destacartável, substituível por algo novo. Época da economia de mercado, onde tudo tem seu preço , inclusive bens inegociáveis, como a própria intimidade. Na semana passada uma jovem brasileira leiloou seu corpo arrematado por 1,5 milhões por um japones que comprou o direito de tirar a sua virgindade. O poder se determina por quem mais acumula dinheiro e patrimônio. Pode mais, quem tem mais, e quem já tem muito, quer ainda mais. O consumo não tem saciedade e parece ser a principal fonte de felicidade. Felicidade que não é mais um estado de prazer, alegria ou satisfação compartilhada com outros, mas é uma busca individualizada que nunca chega ao objeto sonhado, tamanha a insaciedade. E na dita pós-modernidade tudo é efêmero e temporário, incluso as relações pessoais. Quando o indivíduo se vê diante de um desafio mais pesado, que demanda uma alta carga de responsabilidade, não raramente, recua e se volta para uma outra opção de mercado. Sim porque o mercado tem as mais diversas opções, com os mais variados preços e forma de pagamento. Nossas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar em costumes, hábitos e verdades “auto-evidentes”, como cita Bauman. Com esta volatilidade, tudo que é de longo prazo não tem vez para se estabelecer e enraizar. Entidades não se consolidam, lideranças e referenciais não se firmam. Resultado: carência de engajamento e líderes no mundo todo.  Outra carência é o tempo. Apesar da tecnologia dar agilidade, além de manter tudo conectado, falta tempo até mesmo para se estar com quem mora ao lado, e aqui me refiro aqueles que moram conosco em casa ou na cidade.  Se fosse para escolher um dos dilemas do nosso tempo, eu escolheria a dificuldade em tratar da intimidade. Será por falta de tempo? Ou por comodidade?

Marcos Kayser

Quando o trabalho pode virar lazer

Reportagem da Zero Hora neste domingo, mostrou o quanto trabalham os gaúchos. Segundo pesquisa coordenada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Rio Grande do Sul é o segundo estado brasileiro com o maior número de pessoas, cuja jornada de trabalho semanal ultrapassa 49h. O estado aparece com 19,8% de trabalhadores acima desta carga horária, enquanto que o primeiro colocado é Mato Grosso com 20,7%. Lembrando que este Estado foi colonizado por gaúchos. A média entre os Estados brasileiros é de 15,9%.  Outro dado relativo ao trabalho é que no RS há mais pessoas em idade ativa efetivamente trabalhando. Os números comprovam a fama do gaúcho de trabalhar muito, o que necessariamente não garante  as melhores compensações financeiras. Trabalhar mais em horas não é sinônimo de produtividade, fazer mais e melhor com menos, entre outras palavras. O trabalho dos gaúchos gera menos riqueza do que o de paulistas, fluminenses e catarinenses, conforme levantamento da revista britânica The Economist.  O perfil da economia no RS, formada por muitas empresas familiares, também ajuda a explicar as longas jornadas: o pequeno empreendedor e sua família não batem cartão nem negociam horário com o chefe, mas trabalham enquanto houver cliente – explica Lúcia Garcia, coordenadora da Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese. Essa realidade é mais clara no setor de comércio e serviços. Se para muitos, trabalhar parece ser um sacrifício, para outros, dedicar a metade do dia ao trabalho é um prazer, um gozo. O êxtase é trabalhar prazerosamente, fazendo do trabalho uma espécie de lazer, o que não é ficção! Se em dado momento de ócio, quando estamos sem nenhum trabalho por e para fazer, decidirmos trabalhar, por livre e espontânea vontade, estamos diante da possibilidade do trabalho ter virado lazer, ou isso estará muito próximo de acontecer.

Curiosidades das eleições no Paranhana

As eleições municipais deste ano, se comparada com a história recente das eleições no Paranhana, revelam algumas curiosidades. Em Taquara, mais uma vez, o partido que governa não consegue se reeleger, fato que se repete há muitos mandatos. Em Três Coroas, acontece o inverso, o partido que governa já está no poder há mais de uma década. Entre os seis municípios do Paranhana, três partidos conseguiram se manter no poder, o PMDB, em Três Coroas, o PDT, em Rolante, e o PSB, em Riozinho.  Outro fato curioso, é que nenhum partido se repete no cargo máximo do governo entre os municípios do Paranhana.  Além dos três municípios que citei anteriormente, em Taquara, venceu o PTB, em Igrejinha, o PP, e em Parobé o PT, ou seja, cada cidade um partido diferente. Parobé é o primeiro município da região que terá um prefeito do PT, partido do governador do Estado e da presidente do país. Titinho como prefeito em Taquara acredito ser o primeiro caso de um filho de ex-prefeito assumindo o cargo (dna. Arlete deve estar faceira). Se não estou enganado, Taquara terá o primeiro negro a ser eleito para a Câmara de Vereadores. Lembrando que pela década de 80, Natalino foi suplente e depois assumiu, mas não chegou a ser eleito, se não me falha a memória.  Parabéns ao Telmo, protagonista de um feito histórico! A população de Taquara demonstrou mais uma vez vontade de renovação, ao mudar o partido que governará o município como também mudar a maioria dos vereadores eleitos. Em 2008, de nove vereadores, quatro se reelegeram. Agora, em 2010, de nove, apenas três se reelegeram, desconsiderando suplentes que assumiram ao longo do mandato.  Que esta demonstração de insatisfação sirva aos próximos vereadores, para que tenham um cuidado maior com o desempenho da sua função, principalmente, se desejam manter a aprovação da população. Se cometi algum equívoco, ao longo destas curiosidades, peço desculpas e me corrijam. Meus parabéns a todos os eleitos e votos de mandato repleto de bons resultados!

Pelo cargo ou pela cidade?

Estamos há alguns dias das eleições municipais e assistimos a um verdadeiro “show de ofertas”, em que os candidatos e seus correligionários oferecem de tudo para conquistar o voto. Mas será que tal anseio é de fato movido pelo amor à cidade ou será amor pelo cargo? Ficamos com um “pé atrás” e uma “pulga atrás da orelha”, conforme o dito popular, porque depois das eleições os candidatos que tiveram pouco “sucesso nas vendas”, não se elegendo, se silenciam por mais quatro anos, quando remontam suas “vitrines”.  Encerrado o pleito, não se vê os antigos candidatos com uma atuação na intensidade com que prometiam e declaravam amor pela cidade. Já que, enquanto candidatos, se diziam preparados para legislar e fiscalizar, por que como cidadãos não exercem uma cidadania verdadeiramente engajada? Não precisa ser vereador para fiscalizar e cobrar. Esta dúvida talvez seja comum a muitos e esteja aí um dos motivos porque tantos eleitores não se sentem confiantes para votar. Fico surpreso com a quantidade de pessoas que me dizem que votarão em branco ou anularão o voto, simplesmente porque não acreditam no discurso dos candidatos à prefeito e à vereador. Outro motivo do ceticismo  é o discurso repetitivo que iguala praticamente todos. É trabalhar pelo crescimento e desenvolvimento da cidade, é tornar a cidade uma referência em saúde, e por aí segue. Não apresentam as estratégias e os meios pelos quais vencerão os obstáculos, principalmente o problema das limitações financeiras e do comprometimento político firmado durante a campanha. Estes compromissos, muitas vezes, impedem que pessoas especializadas em determinado setor, e com mais capacidade técnica,  assumam o cargo com a autonomia e a qualidade necessária para implementar as reformas indispensáveis.  Faço torcida para  que a maioria dos candidatos estejam participando do pleito eleitoral por amor à cidade, já que a  cidade permanece e o cargo passa. Veremos,  tão logo as eleições acabem!

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