Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um dos sócios fundadores da TCA Informática que iniciou atividades em 1988. Idealizador do software Scopi. Bacharel, licenciado e mestre em Filosofia pela Unisinos. Tem curso de formação em gerenciamento de projetos. Presidiu a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (CICS-VP). Preside o Comitê Regional do PGQP no Paranhana. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação.

Obras do Autor
Buscar

Archive for setembro, 2012

Eventuais causas para a falta de planejamento

É sabido que planejar aumenta as chances de chegar onde se espera. E quanto mais complexo for o que se espera, mais imprescindível será planejar.  Mas por que resistimos tanto ao planejamento, preferindo sair fazendo do que planejar? Não será por ansiedade? Acho que é muito mais por comodidade. No Brasil podemos considerar algumas motivações históricas. Os portugueses, por exemplo, aqui só executavam as determinações da corte, porque o plano era feito lá fora. Há também influências psicológicas. O brasileiro, dócil, bem humorado, gênio do jeitinho , é refém das circunstâncias, acreditando que na última hora tudo se resolve, por si, por ordem do além ou do acaso.  Realmente, não temos o hábito e a cultura de planejar, tanto no âmbito público (Município, Estado e País), como privado (empresa). Acredito que temos uma tendência à preguiça, ao aparentemente mais fácil. E isso não é só brasileiro, é humano. Pensar, definir prazos e metas aparentemente dá mais trabalho do que agir simplesmente. Pensar pode ainda fazer com que recuemos na ação que num primeiro momento era mais apetitosa e desejada. Tendemos mais a ação e reação do que a reflexão. O problema disso é que raramente chegamos ao melhor lugar sem um bom planejamento. O desperdício, causado por ações não planejadas, também é muito maior do que quando planejamos adequadamente. Claro que o excesso de planejamento ou o planejamento inútil (burocracia por burocracia) pode limitar a criatividade, mas se realizado com coerência vai gerar ganhos de tempo para o momento da criação e da invenção. Justamente um tempo que muitas vezes falta pelo excesso de re-trabalho. Fazer de novo e repetidamente, até dar certo é uma consequência muito mais provável quando não se faz planejamento. Temos ainda um outro problema causal, somos muito resistentes à mudança, a menos que estejamos pressionados pela coerção ou tentados pela sedução de um bem maior e de uma recompensa Então, fica a pergunta, como quebrar esta tendência histórica e humana de resistir a um bom planejamento? Se porventura o lucro ficar mais difícil, talvez o empreendedor se conscientize que o planejamento é indispensável e, para isso, o primeiro passo é ir atrás de conhecimento. Na esfera pública, o planejamento só vai virar um hábito, se a população ativa pressionar e a visão de longo prazo passar a ser compreendida por todos. O país e as empresas precisam de planejamento!

A volta da Ágora no Paranhana

Por mais paradoxal que pareça, repetir iniciativas do passado poderá sim representar uma grande evolução. Isso porque evolução não se resume em criar o totalmente novo, aquilo que jamais foi produzido. Podemos inovar com o velho, sem sua destruição, e promover assim uma evolução, que represente também uma revolução, dependendo da proporção do feito. O Encontro com os candidatos a prefeito na praça, promovido pela Agenda Paranhana 2020, é uma tentativa de trazer de volta a velha Ágora. Nas praças da Grécia antiga, há mais de 2000 anos, ocorriam reuniões onde os gregos, principalmente os atenienses, discutiam assuntos ligados à vida da cidade (pólis). Ágora era o nome que se dava às praças e os gregos podiam decidir sobre temas ligados a justiça, obras públicas, leis, cultura,… Também era uma espaço público de debates e exercício da cidadania onde a população podia ouvir seus governantes e tomar decisões através do voto direto. O Encontro com os candidatos na praça, feito de forma democrática e organizada no Vale do Paranhana, demonstrou que há cidadãos dispostos a participarem do processo, apesar do desgaste existente quanto ao grau de seriedade dos políticos e governantes do nosso país. O público superou as expectavas. Os candidatos também deram uma demonstração de comprometimento, na medida em que responderam positivamente ao convite, firmaram o compromisso com itens considerados essenciais para o desenvolvimento, através do discurso e do ato de assinatura do Termo. Todos eles foram explícitos ao afirmarem que irão governar elaborando seus planejamentos estratégicos e irão fazer uma gestão de qualidade, para a qual o planejamento é considerado indispensável. Se o ceticismo, decorrente do que se vê na política, é uma postura prudente, uma pitada de esperança pode não ser tão imprudente. Diante do que aconteceu na praça os cidadãos do Paranhana possuem mais um instrumento para medir até onde vai o grau de comprometimento e seriedade de seus governantes. A Ágora não vai retornar como nos tempos da Grécia antiga. Os tempos mudaram, mas o princípio da participação popular, do compromisso firmado e assinado e da transparência, quando os governantes deverão usar a praça como local de prestação de contas são motivos suficientes para o ressurgimento de uma Ágora do século XXI. Uns podem pensar que podemos ter a Ágora digital onde a reunião dos cidadãos com seus governantes se daria pela Internet, mas, por enquanto, são poucos com acesso, além do que o calor da presença ainda não é insubstituível. Claro que a pontualidade, a organização e a objetividade são aspectos importantes que o Encontro com os candidatos soube demonstrar e não devem faltar nos próximos Encontros na Praça. Vamos ficar atentos aos eleitos para que iniciem uma gestão verdadeiramente participativa e comprometida com a adoção de um modelo de excelência. Vamos aguardar que a população e as lideranças participem concretamente e a nova Ágora passe a ser uma rotina democrática.

Vamos pra praça!

Não é necessário ser prefeito para saber dos desafios e das dificuldades de comandar uma prefeitura que atenda as demandas de uma cidade. Também é do senso comum que um prefeito não vai conseguir fazer tudo e atender a todas as necessidades da sua comunidade, até porque nem todas as demandas tem a mesma importância. E não dá para fazer tudo por limitações de recursos, financeiros, especialmente. E se não dá para fazer tudo é necessário eleger prioridades, com destaque para as consideradas estruturantes, como é a educação, a saúde e a infra-estrutura. Para eleger prioridades é preciso elaborar o que se chama de planejamento estratégico, onde aparece com detalhes o que fazer, por que fazer, como fazer, quando fazer, por quanto e em quanto tempo fazer. Elaborado o planejamento, em conjunto com os setores da comunidade, virá a decisão de quais projetos e processos deverão ser priorizados e implantados. Nos tempos modernos não há país que se desenvolve sem planejamento estratégico, vejamos a Korea. Não há estado, não há cidade, que possa se desenvolver de forma sustentável sem um planejamento bem feito. No próximo sábado, em Taquara e Parobé, e nos sábados subsequentes, em Igrejinha, Três Coroas, Rolante e Riozinho, os candidatos a Prefeito destes municípios irão assumir o compromisso de construírem o planejamento estratégico das suas cidades, no ano que vem. O evento de nome Encontro com os Candidatos na Praça, remete aos tempos da Grécia antiga onde os cidadãos tomavam decisões nas praças. Várias entidades da região estão à frente da iniciativa e aproveito para convidar mais uma vez a todos que se preocupam com o futuro da sua cidade e sabem da importância de manifestar publicamente a sua vontade. No sábado dia 15 o evento acontece as 9h30 na praça Mal. Deodoro em Taquara. No mesmo sábado, as 11h acontece em Parobé, na praça 1º de maio. No dia 22, as 9h30 será a vez de Igrejinha e as 11h em Três Coroas, nas praças centrais. No dia 29, as 9h30, será em Rolante, reunindo também os candidatos de Riozinho. Mais uma vez convido a todos para lotarmos as praças.

Rouba mas fez

Não causa mais surpresa denúncias de envolvimento de gestor público com corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Também não causa muita surpresa os acusados não serem presos, ou porque acabam sendo absolvidos numa dentre as dezenas de instâncias existentes, ou porque são primários, ou porque encontram uma justificativa que foge do conhecimento de nós leigos e, portanto, pela nossa ignorância acaba sendo irrefutável. Agora, o que ainda me causa surpresa e indignação é o surgimento de um novo princípio que absolve o crime com comentem estes gestores que se apropriam ilegalmente do direito público. O princípio é: se roubou é porque fez. Pasmem, isso foi dito por uma cidadã de Parobé em meio não a simples rumores, mas uma ação de busca e apreensão que se deu na manhã desta segunda-feira, dia 3 de setembro, por iniciativa do Ministério Público e ordem do Tribunal de Justiça do estado do Rio Grande do Sul. Fiquei pasmo, porque dito isso se pode concluir, sem margem de erro, que a roubalheira já virou banalidade. O “rouba mais faz” ficou conhecido entre os paulistanos e bahianos quando defendiam as administrações de Maluf e ACM. Para a cidadã, e outras e outros, roubar está além do bem e do mal. Virou regra, princípio. O fato de roubar é indiferente. O que faz a diferença é se além de roubar fez alguma obra, algo de bom para a população. Isso é o cúmulo da resignação, da inversão de valores. É sinal de uma nova barbárie. Quem pensa assim não só autoriza o roubo dos que governam, como também está se autorizando a roubar, até porque, em primeira instância, aquele que governa representa a vontade popular. Tomara que os poderes da justiça se façam valer e rompam com o que não é mais uma tendência, mas uma realidade pura e crua: a banalidade do roubo na esfera pública que se instalou na sociedade brasileira e extrapolou as fronteiras de São Paulo e da Bahia.

Arquivos