Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

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A onda zen

Nós ocidentais vivemos numa onda zen. Todos querem ser zen. Afinal, para nós ocidentais, zen se resume em estado de tranquilidade e felicidade. A partir de algumas leituras da doutrina budista e da prática de alguns exercícios de meditação os falsos budistas se dizem zen. E será que nós ocidentais, impregnados pelo sentimento do apego e pelo desejo de consumo, podemos incorporar os fundamentos do Zen? Para o Zen, experimentar a realidade diretamente é experimentar o nirvana e para isso é preciso desapegar-se de desejos, pessoas, conceitos e discursos. E, para desapegar-se disso, é preciso meditar. E meditar bastará? Na maioria das escolas, os monges rotineiramente meditam entre quatro e seis períodos de 30-40 minutos todos os dias. Conseguiremos tempo para tal? E o restante do tempo que não estaremos meditando e voltamos ao contato com a cultura do consumo, conseguiremos nos manter desapegados? Junto da onda zen instalada no ocidente, tem o perigo de interpretar mal a prática e as técnicas de conscientização budistas. No oriente, o desapego não é exceção é regra, enquanto aqui temos o oposto, inclusive temos dificuldades como é possível amar sem se apegar. A postura de isolamento pode muito bem ser confundida com alienação. Numa compreensão distorcida o budista ocidental pode se instalar numa espécie de casulo mental em que sobre  omundo, com seus dramas e conflitos, não tem uma responsabilidade coletiva, já que o olhar está somente sobre cada um de nós. Pela prática da “aceitação”, simplesmente nos tornamos confortáveis com o status do mundo. O filósofo Nietzsche em sua obra O Anticristo, cita que “na doutrina de Buda, o egoísmo se torna um dever: o “uma só coisa é necessária”, “como te livrar a ti mesmo do sofrimento”, regula e delimita todo o regime espiritual…”.Não significa que o outro está excluído, mas que há primeiro um compromisso comigo mesmo que numa leitura apressada pode levar a pensar que eu me basto e o outro que se resolva. Assim não será difícil distorcer o que seja o budismo. E como pregam os legítimos budistas: Buda não é auto-ajuda. Buda ficaria felicíssimo se nós ocidentais antes de nos acomodarmos no templo para meditar nos reuníssimos nas praças para protestar.

Marcos Kayser

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