Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um dos sócios fundadores da TCA Informática que iniciou atividades em 1988. Idealizador do software Scopi. Bacharel, licenciado e mestre em Filosofia pela Unisinos. Tem curso de formação em gerenciamento de projetos. Presidiu a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (CICS-VP). Preside o Comitê Regional do PGQP no Paranhana. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação.

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Archive for fevereiro, 2012

Viver é decidir

A vida é um palco de decisões cotidianas. Na vida pessoal, na sociedade, no trabalho, é decisão pequena ou grande a todo instante. Enquanto somos apenas um projeto de existência, contido na idéia de nossos pais, nossa concepção depende exclusivamente de uma decisão deles. Depois de decidirem pela nossa entrada no mundo, até o nascimento vem um período ainda obscuro para dizer se decidimos ou não alguma coisa. Mas nos anos iniciais, podemos dizer que o nosso poder de decisão já aparece, apesar de mais primitivo e de menos elaborado.  O bebê chora quando tenta ser amamentado, decidiu rejeitar o leite da mãe. Quando crescemos um pouconossas decisões evoluem e se intensificam, pelo menos esta é nossa vontade, quando nos achamos adultos, mas ainda somos adolescentes. Já adultos, maduros ou não, nosso poder de decisão é uma exclusividade nossa, de mais ninguém, nem do acaso, nem do além. É de Sartre a famosa citação: “estamos condenados a ser livres”, ou seja, não temos como escapar das escolhas que fizemos na vida. A responsabilidade é nossa até mesmo quando silenciamos ou ficamos sobre o muro. Viver então é escolher constantemente e quando escolhemos exercitamos nossa liberdade. Daí que pode vir a culpa consciente ou inconsciente de ter escolhido o que não deveria ou, simplesmente, ter se omitido da escolha. Por depender essencialmente de nossos desejos e medos, a decisão é um ato individual e há dificuldades em compreender muitas decisões que os outros fazem. Afinal, se já não é fácil conhecermos a nós mesmos, quiçá conhecermos a pessoa alheia por mais próxima que seja. Todavia, para quem tem consciência de sua responsabilidade, o outro precisa ser respeitado. Como a vida é relacionamento, em toda decisão um ou mais estarão implicados. A decisão, apesar de ser um ato individual, tem um impacto na alteridade, por isso, sempre que possível, é bom decidir junto. No âmbito da política, as decisões podem ser tomadas com a participação popular, no âmbito da empresa, com a participação dos sócios e funcionários, no âmbito da intimidade, a família pode ser escutada. A decisão é um ato difícil de ser tomado, pois algo sempre será perdido, ou seja, aquilo que não foi escolhido e já será passado. Talvez, os mais egocêntricos e apegados tenham maior resistência e dificuldade. E uma coisa é bem provável: são asnossas decisões que determinam o que somos e seremos, doa o quanto doer. Também corre o risco de deixar de viver quem não tomar a decisão ou ficar esperando por outro decidir em seu lugar, o que não significa precipitação. Ouvi de uma criança e criança sempre filosófa com toda sua verdade: “se parar de pedalar, cai”. Se parar de decidir, a vida acaba!

Marcos Kayser

Brasil: o pior em serviços públicos

O Brasil é reconhecido como um dos países com maior taxa de impostos, mas apesar da alta carga tributária de 35,13% em relação ao PIB e a arrecadação de impostos ultrapassando a marca de R$1,5 trilhão em 2011, o país continua aplicando mal os recursos e prestando serviços públicos à população de péssima qualidade. É o que revela o “Estudo sobre Carga Tributária/PIB X IDH concluído pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT, no último dia 16 de janeiro. Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil aparece na última posição no Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade (IRBES) entre os 30 países que registram maior carga tributária em todo o mundo.

IRBES é o resultado da somatória da carga tributária segundo a tabela da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de 2010 e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com a previsão do índice final para o ano de 2011. Quanto maior o valor do IRBES, melhor é o retorno da arrecadação dos tributos para a população.

A Austrália lidera o ranking, sendo o país que melhor retorna os recursos arrecadados para o bem estar da população, seguida pelos EUA, que caiu para a segunda posição em relação ao ano passado, e a Coreia do Sul. Já o Japão e Irlanda, que ocuparam, respectivamente, as 2 e 3ª posições na pesquisa anterior, caíram para 4º e 5º lugar no ranking de 2012. O Brasil fica atrás, inclusive, de países da América do Sul, como Uruguai, que está na 13ª posição e Argentina, na 16ª colocação. O que fazer para melhorar este quadro? Planejar melhor os investimentos, de curto, médio e longo prazo. Definir prioridades. Reduzir a corrupção. Ter políticos mais competentes e éticos.

Entre a autonomia e a liberdade

Fazer o que se quer, liberdade, quem não quer? Liberdade de querer, liberdade de agir, liberdade de pensar, são os três sentidos do conceito de liberdade. A liberdade de querer é a mais fácil de todas, basta ter vontade, o que não é tão fácil pois muitas vezes não temos vontade própria e outras vezes vivemos momentos de um nada de vontade. Liberdade de pensar é pensar por si próprio, apesar de muitos agirem sem pensar, portanto, são livres na ação, mas não são livres no pensamento. A liberdade de agir é talvez a mais complicada de ser conquistada. É agir sem a ausência de obstáculos como diz Hobbes. Mas na relação com o mundo somos impedidos pela lei, pelo governo, pelo colega, pelo parceiro (e que parceiro, hein?), enfim, por um outro que representa um obstáculo a nossa liberdade. Somos livres para querer, para agir, para pensar, enquanto a liberdade depende de nós, mas nem sempre é assim. Ninguém é livre absolutamente, nem totalmente. Também ninguém nasce livre. A liberdade precisa ser conquistada e junto dela a autonomia. Autonomia que se distancia um pouco da liberdade, que é mais geral, enquanto a autonomia é mais restrita. Pela autonomia tomamos decisões. A autonomia pode ser o motivo de permanecer num determinado trabalho, mesmo tendo a possibilidade de um outro com melhores perspectivas financeiras. Diz-se que a autonomia é a liberdade comandada pela razão. Por uma consciência do que eu quero e do que eu posso, levando em conta certos limites. É a liberdade valorada e controlada. Quem faz o mal age livremente, sob comando dos instintos, das paixões, dos interesses, dos medos, mas sem autonomia. A autonomia é obedecer ao mando da própria consciência, do auto-governo, sem desprender-se de uma ética. Autonomia seria então a liberdade para o nosso bem próprio e o bem do outro. Não nascemos autônomos, nos tornamos. Depende da nossa vontade e da nossa coragem.

Marcos Kayser



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