Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um dos sócios fundadores da TCA Informática que iniciou atividades em 1988. Idealizador do software Scopi. Bacharel, licenciado e mestre em Filosofia pela Unisinos. Tem curso de formação em gerenciamento de projetos. Presidiu a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (CICS-VP). Preside o Comitê Regional do PGQP no Paranhana. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação.

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Archive for janeiro, 2012

Estaremos nos idiotizando?

Quem navegou pelas redes sociais na semana passada acompanhou a repercussão do caso Luíza que ficou entre os 10 mais comentados do Twitter em todo o país, além de inúmeras montagens no Facebook. A origem está numa única frase de um comercial de televisão da Paraíba que diz: “Menos Luíza, que está no Canadá”. A propaganda em questão é sobre o lançamento de um prédio, estrelada pelo colunista social e pai de Luíza, Gerardo Rabello, que fala sobre o empreendimento e em determinado momento cita que o sucesso do prédio é tão grande que ele convocou toda a família para falar sobre o empreendimento, menos Luíza, de 17 anos, que está no Canadá, fazendo intercâmbio. Foi o que bastou para milhões de pessoas reproduzirem o meme das mais diversas formas até chegar nas televisões brasileiras. Meme é o nome dado a uma espécie de bordão que em pouco tempo se espalha pela Internet, rede mundial de computadores. A repercussão foi tanta que motivou o jornalista da SBT, Carlos Nascimento, chamar os brasileiros de “perfeitos idiotas”. O jornalista se referiu ao assunto Luíza e ao suposto caso de estupro no Big Brother. Segundo ele “não é possível que dois assuntos tão fúteis possam chamar a atenção de um país inteiro”. E seu comentário não deixa de ter sentido, afinal, se uma frase vazia como esta (menos Luíza que está no Canadá) é memorizada e capaz de mobilizar milhões de brasileiros em torno de sua disseminação, por que não temos a mesma memória e acolhida para assuntos que tem um impacto direto em nossas vidas? Por que não damos igual ou maior atenção às questões que envolvem, por exemplo, a corrupção no país, e a degradação do meio ambiente, a falência da saúde pública, a precariedade da educação, a demagogia e o desleixo dos políticos, enfim, problemas que afetam nossas vidas e comprometem nosso sonho de felicidade. É uma questão a ser pensada. Talvez os assuntos mais sérios, já se tornaram banais, ou exigem uma responsabilidade que não temos ou não desejamos assumir. Será que nossa sociedade está num processo de idiotização? Ou seja, estamos ficando mais idiotas?

Algumas citações de Rilke

Seguem algumas frases de Rainer Maria Rilke, um dos maiores poetas da língua alemã do século XX:

(…)Amar também é bom:porque o amor é difícil.
O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta,a maior e última prova,a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação.
Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo,não sabem amar: tem que
aprendê-lo. Com todo o seu ser,com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário,medroso e palpitante,devem aprender a amar.Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura.
Assim, para quem ama,o amor,por muito tempo e pela vida afora,é solidão,
isolamento cada vez mais intenso e profundo.O amor, antes de tudo,não é o que se chama entregar-se,confundir-se, unir-se a outra pessoa.Que sentido teria, com efeito,a união com algo não esclarecido,inacabado, dependente? O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer,tornar-se algo em si mesmo,tornar-se um mundo para si,por causa de um outro ser;é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz,uma escolha e um chamado para longe.
(…)Creio que aquele amor persiste tão forte e poderoso
em sua memória justamente por ter sido sua primeira solidão
profunda e o primeiro trabalho interior com que moldou a sua vida.(…)

Quero lhe implorar
Para que seja paciente
Com tudo o que não está resolvido em seu coração e tente amar.
As perguntas como quartos trancados e como livros escritos em língua estrangeira.
Não procure respostas que não podem ser dadas porque não seria capaz de vivê-las. E a questão é viver tudo. Viva as perguntas agora.
Talvez assim, gradualmente, você sem perceber, viverá a resposta num dia distante.

Amor são duas solidões protegendo-se uma à outra.

Não é somente a inércia culpada pela repetição dos relacionamentos humanos, caso a caso, indescritivelmente, de forma monótona e sem renovação. É a timidez diante de novas e imprevisíveis experiências para as quais acreditamos não estar preparados. Mas somente alguém que está preparado para TUDO, que não exclui NADA, nem o mais enigmático, vivenciará a relação com o outro como algo vivo.

Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.

Não procure pelas respostas que não podem ser dadas, pois você não seria capaz de vivê-las

A felicidade dentro da Felicidade

Felicidade Camargo Machado é o nome de uma senhora de 106 anos que Fabrício Carpinejar encontrou em suas andanças pelo Rio Grande. Reside sozinha, paga suas contas com o dinheiro da viuvez e não depende de mais ninguém, a não ser dela. Felicidade mora dentro de uma casa de madeira que fica dentro de uma casa de alvenaria e vive o que recita: “assim que somos: a infância dentro do adulto.” Felicidade sobreviveu ao inferno. Dos 15 irmãos é a única sobrevivente e perdeu o marido que foi assassinado por um homem traído. Apesar de não saber ler nem escrever, sem nunca ter lido um livro de poemas, Felicidade é poeta, de uma sabedoria aforística, como o próprio poeta Carpinejar a identifica. Diz ela:

“- Poema é cachorro lambendo meu joelho esfolado.

- O tanque de pedra é meu conselheiro.

- Já tive tempo de aprender tudo, desaprender tudo e agora estou aprendendo de novo.

- Perdi o jeito de rir de tanto sofrimento. Vou rir por engano.

- Quando acaba o fim, posso inventar novo fim com as paredes de sabão de vidro.

- A limpidez vem do movimento da água.

- Estou feliz para ser feliz um dia.”

Felicidade é uma escola de vida e longevidade em que a felicidade, por mais improvável que seja, é por ela dia a dia reinventada, sem perder ternura e simplicidade.

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