Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um dos sócios fundadores da TCA Informática que iniciou atividades em 1988. Idealizador do software Scopi. Bacharel, licenciado e mestre em Filosofia pela Unisinos. Tem curso de formação em gerenciamento de projetos. Presidiu a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (CICS-VP). Preside o Comitê Regional do PGQP no Paranhana. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação.

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Archive for julho, 2011

Meta e eficiência na educação

O que se pode pensar de um indivíduo que não tem metas? E que não acredita no caminho da eficiência para ter sucesso na vida? Metas e eficiência, eficiência e metas, não são conceitos restritos ao mundo dos negócios, nem do capitalismo. Meta e eficiência integram o imaginário da humanidade, de quem sonha com qualidade de vida, de quem busca a felicidade, com a compreensão que o destino desejado não chega por acaso. Poderemos fracassar mesmo sendo, em certa medida, eficientes, porque outros terão sido mais eficientes do que nós. Agora, improvável é ter sucesso sem ser eficiente. Assim, causa estranhamento a um pai que vê um professor desqualificar meta e eficiência quando o assunto é o processo de avaliação do próprio professor. Professor que desde os primórdios avalia seus alunos, estabelecendo metas e medindo eficiência. O estranhamento evolui para espanto, na medida em que esta posição é declarada por uma entidade com a história e a grandeza do CPERGS/SINDICATO. Para quem já foi ou é aluno conviver com metas desde os anos iniciais é um hábito. É meta nas faltas, é meta nas notas, tudo para traduzir a eficiência. Há inclusive uma nota mínima a ser cumprida, sob o risco da repetência, espécie de punição que hoje na sociedade da impunidade nem mais se aplica. Segundo a própria escola, há o “bom aluno”, que tem notas melhores, e o “mau aluno”, que tem notas piores, conforme critérios objetivos e também subjetivos avaliados pelo professor. Para as crianças meta e eficiência, antes de serem da “lógica de mercado”, pertencem a lógica da escola, que forma para o mundo lá fora. E, talvez, não poderia se diferente, pois pensar em não medir e não buscar eficiência beira a insanidade. Por que, então, tamanha resistência em aplicar o princípio de metas no processo de avaliação do professor? Já que o professor emprega o princípio na avaliação do seu aluno, não poderia ser empregado pelos pais e Estado para avaliar o professor? A não ser que as escolas públicas estão abolindo o atual processo de avaliação do aluno e fundando uma nova sociedade que aprenderá a viver sem metas. Seria de grande valia para o nosso Rio Grande que o CPERGS/SINDICATO (re)unisse a sociedade gaúcha, afim de construir um modelo viável de ensino com garantia de transparência, credibilidade e a tão sonhada qualidade, que passa pela eficiência do aluno e do professor. A classe dos professores do Rio Grande do Sul não merece o rótulo da incoerência e da intransigência.

A dupla face do fracasso

É duro enfrentar o fracasso. É doloroso, causa frustração e muitas vezes gera conseqüências desagradáveis. Mas o fracasso tem o seu avesso com seus ensinamentos. Com uma boa dose de sensatez e inteligência podemos aprender muito mais com o fracasso do que com o sucesso e numa próxima oportunidade estaremos mais fortes para obter sucesso. Se o Inter tivesse aprendido com o fracasso na Copa Mundial de Clubes, quando perdeu para o Mazembe, talvez não tivesse sido eliminado precocemente na última Copa Libertadores da América, cujo título de tri campeão era a grande prioridade. Deixou de substituir algumas peças principalmente na zaga e no meio. Diante do Mazembe, ficou evidente a fragilidade do goleiro que tomou dois gols defensáveis para um grande goleiro e a lentidão de uma zaga que marca à distância como já havia ocorrido com o jogador Bolívar na final da Libertadores contra o Chivas. O Renan já havia sinalizado sua fragilidade na mesma Libertadores, diante do São Paulo e do próprio Chivas, mas, por sorte, acabou não comprometendo o resultado. No enfrentamento contra o Mazembe faltou eficiência e “poder de fogo” ao ataque, muito mais pela falta de aproximação dos jogadores de meio campo. Veio a Libertadores e o Inter continuou ignorando o aprendizado. Perdeu num “apagão” da sua defesa, como justificou o seu treinador. O lateral Nei falhou e a zaga não conseguiu acompanhar o ataque do Penharol que não tinha nada de espetacular, como o próprio Inter, como a diferença de que soube ser eficiente. E o ataque, apesar da qualidade do Damião, não conseguiu ter consistência, até porque faltou a colaboração do meio que continuou distante e lento. Fracassou de novo o Inter sem a sabedoria suficiente para aprender com os próprios erros. Veio o campeonato gaúcho e o título ajudou a disfarçar as fragilidades. Isso que ganhamos a “duras penas” de um Grêmio com iguais ou maiores limitações do que o Colorado. E chegamos no atual momento do Inter no Campeonato Brasileiro, onde o time não se impõe, nem mais dentro de casa. Perdeu para o Ceará e disseram que foi um acidente, ganharam de goleada de times de média e baixa qualidade e disseram que o time havia encaixado e agora perderam três consecutivas, sendo a última uma goleada sem poder de reação, nem mesmo movido a raça. Continua a mesma zaga (Bolivar, Nei & Cia), o mesmo meio campo que não chega (Guinazu, Bolatti) e não dá um chute a gol que presta, com exceção do Oscar, quando joga. Talvez muitos jogadores do Inter perderam o tesão necessário, pois já ganharam tudo, se falta jogadores talentosos e dinheiro para adquiri-los quem sabe se investe em jogadores que tenham disposição e garra. Não precisamos ir muito longe, temos o exemplo dos vizinhos uruguaios. Será que a garra do Dunga no lugar do estilo clássico do Falcão não traria melhores resultados? Pobre Damião, pobre torcedor colorado. Tomara que o fracasso ensine melhor os dirigentes colorados. E o futebol continue servindo de escola pra vida.

Marcos Kayser

Será que queremos viver tanto?

Se as previsões do cientista Aubrey de Grey estiverem certas, a primeira pessoa a comemorar seu aniversário de 150 anos já nasceu. E a primeira pessoa a viver até os mil anos pode demorar menos de 20 anos para nascer. Biomédico gerontologista e cientista-chefe de uma fundação dedicada a pesquisas da longevidade, De Grey calcula que, ainda durante a sua vida, os médicos poderão ter à mão todas as ferramentas necessárias para “curar” o envelhecimento — extirpando as doenças decorrentes da idade e prolongando a vida indefinidamente. De Grey prevê uma época em que as pessoas irão ao médico para uma “manutenção” regular, o que incluiria terapias genéticas, terapias com células-tronco, estimulação imunológica e várias outras técnicas avançadas. Ele descreve o envelhecimento como o acúmulo de vários danos moleculares e celulares no organismo. “A idéia é adotar o que se poderia chamar de geriatria preventiva, em que você vai regularmente reparar o dano molecular e celular antes que ele chegue ao nível de abundância que é patogênico”, explicou o cientista. Atualmente, a expectativa de vida cresce aproximadamente três meses por ano, e especialistas preveem que haverá um milhão de pessoas centenárias no mundo até 2030. Só no Japão já há mais de 44 mil centenários, e a pessoa mais longeva já registrada no mundo foi até os 122 anos. No último meio século, a expectativa de vida aumentou em cerca de 20 anos. Se considerarmos os últimos dois séculos, ela quase dobrou. Este recente histórico de avanços significativos e palpáveis da ciência dá margem para pensar que a estimativa de 150 anos de vida não seja tão absurda e um aparente sensasionalismo pode ter fundamento. Claro que a ciência deverá atuar não apenas sobre o corpo humano, mas sobre fatores externos como é o caso do controle de novas epidemias, da poluição e também de uma eventual falta de alimentos, já que o contingente populacional deve crescer exponencialmente. Mas pra tudo isso acontecer de forma ordenada, o ser humano deverá estar disposto a cumprir novas regras de conduta e convivência, e, principalmente, as políticas públicas precisarão acompanhar os novos padrões de exigência. É até difícil pensar. Imaginem o volume de lixo. E o congestionamento do trânsito? De nada adiantaria ter uma expectativa de vida de 150 anos, se a sociedade mantivesse o jeito de viver dos dias atuais. Mas será que queremos viver tanto? É quase uma imortalidade. Enquanto esta previsão não se confirma, talvez o melhor caminho é viver o momento com a intensidade suficiente para imortalizar o presente.

Marcos Kayser

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