Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

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As sutilezas de uma lista de desejos

A lista de Alice Pyne, uma adolescente britânica de 15 anos em estado terminal de câncer, agitou a Internet no mundo. Seu blog, no qual relata relaciona uma lista de 17 desejos que pretende realizar antes de morrer, atraiu mais de 230 mil visitantes em poucos dias. Alice lançou seu blog após seus médicos terem considerado que não há mais tratamentos possíveis para o linfoma descoberto há quatro anos. A garota chama a atenção pelo seu alto grau de maturidade, autenticidade e coragem. Virtudes que muitos de nós adultos vivem e morrem sem tê-las. Ela reconhece que família e amigos são preciosidades e diz que pretende reservar o tempo precioso que lhe resta a eles, fazendo as coisas que mais deseja. Alice é sutil, quando afirma: “você só tem uma vida (…) viva a vida”. Muitos passam a vida projetando viverem só depois de morrerem. E a sutileza não pára. “Ter um iPad roxo”, ou seja, a felicidade não está na tecnologia em si, mas na cor, o que remete a uma grande sensibilidade. Entre outros desejos estão nadar com tubarões, encontrar a banda Take That, visitar uma fábrica de chocolates, fazer uma sessão de fotos com 4 amigas, fazer uma massagem nas costas. Uma mistura de provável e improvável, de atingível e inatingível, de racional e irracionalidade. E Alice é humilde e generosa, por isso, talvez, esteja conseguindo ainda dar sentido a vida, mesmo com o decreto do fim marcado. “Nossa, eu pensei que estava só fazendo um pequeno blog para alguns amigos! Muito obrigado por todas suas adoráveis mensagens para mim”, diz ela. Alice também é solidária e incluiu em sua lista “fazer todo mundo se inscrever para se tornar doador de medula”. Nada de estupendo e fenomenal para mostrar que a felicidade não é diretamente proporcional a complexidade. Rancor e ressentimento não estão na lista de Alice. Assim, fica fácil decifrar os motivos pelos quais Alice se mantém vivendo com intensidade, mesmo estando com os dias contados e em estado debilitado. Ela mesmo reconhece a impossibilidade de realizar alguns desejos da lista, “algumas coisas não vão acontecer, porque eu não posso nem mesmo viajar mais”, diz ela, mesmo assim, não os exclui da lista. Um tanto curioso, afinal, por que enumerar alguns desejos mesmo sabendo da impossibilidade de realizá-los? Não será porque a felicidade começa no sonho? E você, tem uma lista?

Marcos Kayser

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