Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um dos sócios fundadores da TCA Informática que iniciou atividades em 1988. Idealizador do software Scopi. Bacharel, licenciado e mestre em Filosofia pela Unisinos. Tem curso de formação em gerenciamento de projetos. Presidiu a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (CICS-VP). Preside o Comitê Regional do PGQP no Paranhana. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação.

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Archive for março, 2011

Três absurdos: econômico, jurídico e colorado

No artigo da semana passada, comentei sobre o absurdo da UTI do Hospital de Caridade, agora Bom Jesus, estar fechada há mais de meia década. Então, me lembrei de comentar outros três absurdos que transcendem uma única cidade. O primeiro absurdo é de ordem econômica, a extradição do empresário Sanfelice, condenado pela morte da esposa há anos atrás, em Novo Hamburgo. Imaginem o custo com todo o translado e mais o custo que ele dará aqui. Além do risco de uma nova fuga que gera mais custo para polícia, na medida em que demanda ações para o resgate. O segundo absurdo é a soltura do adolescente de Novo Hamburgo que confessou matar 12 pessoas e foi condenado por 6. Segundo o juiz “ele não podia voltar ao seu meio”, mas teve que ser solto porque a lei manda. Absurdo jurídico soltar alguém considerado um serial killer com a certeza de não ter sido recuperado. Uma irresponsabilidade. Absurdo saber que a lei está errada e tanto os homens da justiça como os legisladores nada fazem objetivamente para alterá-la. Uma negligência. O terceiro e último absurdo é o Inter ter feito o que fez no mundial com o seu torcedor e ainda manter o seu treinador, afinal, Roth já não tinha ido bem no Brasileirão, sob a desculpa da preparação para o mundial. Na tragédia contra o Mazembe tirou os dois melhores jogadores em campo, Tinga e Sobis, preferindo o “espetacular” Wilson Mathias. Não que Roth seja o único culpado, a diretoria e os jogadores tem suas parcelas, mas o treinador, além de não reconhecer seus erros e teimar em ser mal humorado, não consegue fazer o time ter uma mecânica que dê sustentação à defesa e efetividade ao ataque. Bendito Damião!!! Quem não sabe aprender com os erros, está destinado a perder. Como torcedor colorado, espero estar enganado.

UTI: Em jogo a dignidade dos taquarenses

Atenção Ministério Público, Vereadores, Prefeito, Corede, Médicos, Clubes de Serviços, Entidades de Classe, População em geral; acreditem, já faz mais de meia década que uma UTI foi construída e equipada no município de Taquara e até hoje não há uma data definida para entrar em funcionamento. Equipamentos que poderiam estar salvando vidas aqui ou noutra região, caso a UTI lá estivesse funcionando. Uma ressalva: foi construída com dinheiro público, o que agrava o caso e fere a dignidade dos taquarenses. Falta de recursos, erro de planejamento, podem ser alguns dos motivos (até aqui pouco se sabe), porém, por mais motivos que existam, não haverá qualquer um que justifique tamanha demora (até parece a Sagrada Família, obra de Gaudi, iniciada em 1882 e ainda em construção, em Barcelona). Não há mais espaço, nem tempo, para discutir se a UTI é ou não viável, até porque se não fosse não deveria nem ter sido iniciada. Acrescenta-se que a região tem carência de uma UTI e a pregação do governo do Estado, que vem de longa data, é que as regiões deveriam ter estruturas próprias para amenizar a sobrecarga de Porto Alegre. Ou seja, tudo (con)corre a favor da UTI. Então, sem entrar no mérito dos motivos para o atraso, o que pode ser feito para colocá-la a pleno funcionamento? Nós leigos desconhecemos o que fazer, mas sabemos quem pode e tem este dever. Por favor Ministério Público, Vereadores, Prefeito, Corede, Médicos, é possível uma união de interesses e poderes a favor desta causa? Com uma boa dose de otimismo (e fé no Sagrado), vamos crer que teremos em breve a UTI aberta e um hospital de referência à disposição dos paranhanenses, afinal, é o que se pode esperar para uma região com saúde carente, apesar de muitos médicos competentes.

Marcos Kayser

Por que Taquara não é industrializada?

É muito agradável encontrar um ouvinte que manifesta seu gosto pelos nossos comentários e, melhor ainda, quando puxa uma conversa despretenciosa, mas sincera, sobre um algum problema vivido pela sua cidade. Isso acontece comigo muitas vezes e na semana passada o ouvinte fez a velha pergunta: “por que Taquara não tem indústrias?” É uma pergunta que não nos cansamos de fazer e demonstra o desejo do cidadão taquarense de ver sua cidade mais industrializada, porque acredita que este é um dos caminhos para o desenvolvimento econômico. E sendo mais forte economicamente, a cidade teria mais recursos para investir em saúde, educação, cultura, lazer, infra-estrutura, saneamento, e tudo que traz qualidade de vida. E se tivéssemos ainda uma indústria diversificada, com responsabilidade social e ambiental, seria “tudo de bom”. A indústria limpa, da tecnologia, se identifica com esta proposta. Mas antes de iniciar qualquer ação visando a industrialização da cidade ou o incremento do processo, acho muito pertinente refazer a pergunta que o ouvinte fez sobre os motivos da falta de indústrias, para fazer um grande planejamento, já que a concorrência é tamanha. Há um marco histórico que foi a emancipação de Parobé, que era uma espécie de distrito industrial de Taquara. De lá para cá, e já se passaram 29 anos, as administrações municipais não conseguiram construir um distrito industrial. Este pode ser um fator importante que inviabilizou a instalação de muitas empresas e, neste caso, os gestores públicos são os responsáveis. Outro fator é a falta de algum tipo de matéria prima ou material humano que pudesse atrair indústrias. Não temos uma oferta de mão-de-obra especializada abundante em setores que poderiam ser estratégicos. Outro fator é a falta de um centro de pesquisa e incubadora que é não só como pólo de atração de empresas de fora, como também de criação de empresas com empreendedores locais. Exemplos como a Tecnopuc, coordenada pela PUC, a Valetec, coordenada pela Feevale, e a Tecnosinos, coordenada pela Unisinos, poderiam ser seguidos, mas, para isso, uma instituição de ensino superior disposta a investir é fundamental.

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