Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

Conheça o Scopi
Obras do Autor
Buscar

Escola: um caso de amor

Pesquisa realizada pelo Ibope, a pedido do Instituto Victor Civita, sobre o professor brasileiro, traz alguns dados um tanto quanto intrigantes. Um deles é o percentual de 31% de professores reclamando da falta de participação dos pais nas atividades escolares. Considero intrigante porque na minha leitura este percentual deveria de se aproximar dos 100%, afinal, a falta de participação dos pais é  uma regra geral que atinge praticamente todas as escolas, sejam públicas ou privadas. De duas uma, ou a regra geral não é esta e 69% dos pais  participam da vida escolar, o que deixa de ser uma causa para os grandes problemas da educação, ou 69%  dos professores ignoram a ausência dos pais. Seria bem mais tranqüilo que a primeira hipótese fosse verdadeira, mas os fatos não conduzem a ela. A convivência com o mundo da educação formal não mostra isso. A segunda hipótese, que parece ser mais coerente com a realidade, assusta. Estarão os professores acostumados e conformados com a ausência dos pais? E daí podem se desencadear uma série de outras questões: será possível uma educação sem integrar corpo docente, alunos e pais? Certamente, que não, como afirmam e justificam pedagogos, sociólogos, filósofos e todos aqueles que se dedicam ao estudo do fenômeno educação. A conclusão preliminar é de que nossos professores precisam sair do conformismo, a tal zona de conforto, que para os professores, imagino não ser nada confortável, começando pelo aspecto econômico da profissão. E uma acomodação poderia ser transgredida e superada por motivação? Teoricamente, sim, mas a pesquisa mostra que apenas 6% dos professores dizem ser motivados pelo salário e benefícios e 53% afirmam ser motivados pelo amor à profissão. Então, levando ao fim ao cabo este dado da pesquisa, um dos caminhos para que o romance entre professor e educação se efetive é fazer da escola um lugar apaixonante para o professor e para o aluno. A aparência conta muito. Escola suja e ambiente feio não conquista ninguém. Não é só ensinar conteúdo disciplinar, numa linguagem antiga, é ensinar bons modos, como se postar.  Atrevo-me a dizer que enquanto os professores não tomarem a iniciativa dificilmente o desfecho amoroso que se sonha se dará.

?Marcos Kayser

Leave a Reply

Arquivos