Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um dos sócios fundadores da TCA Informática que iniciou atividades em 1988. Idealizador do software Scopi. Bacharel, licenciado e mestre em Filosofia pela Unisinos. Tem curso de formação em gerenciamento de projetos. Presidiu a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (CICS-VP). Preside o Comitê Regional do PGQP no Paranhana. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação.

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Archive for outubro, 2010

5 idéias para a educação no Paranhana

Em recente artigo publicado na Revista Exame, Eric Hanushek, professor da Universidade Stanford e doutor em economia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), um dos pesquisadores de educação mais respeitados da atualidade, apresenta 4 idéias para tirar o atraso na educação. A Agenda Paranhana 2020, primeira Agenda do interior do RS a ser construída nos moldes da Agenda 2020, coordenada pela Pólo-RS, tem iniciativas muito próximas as apresentadas por Hanushek. Certamente que dito por um intelectual de outra nação, tem um peso muito superior do que dito por quem é da aldeia. De 4 anos para cá, um grupo de voluntários tem se dedicado a pensar a educação, analisando algumas teorias para planejar algumas práticas. A última iniciativa foi criar um conjunto de indicadores e processos padronizados que podem ser adotados por uma Escola, visando uma gestão de qualidade. Mas vamos as sugestões de Eric Hanushek comparadas as idéias que vem sendo trabalhadas no Paranhana:

1. Bagunça Particular: Eric Hanushek fala em “estruturar o currículo”. A Agenda Paranhana 2020 propõe revisão do currículo para estruturá-lo com um conteúdo mínimo, vinculado a realidade vivida na região e no mundo. Eric fala que a “sala de aula é uma espécie de caixa-preta”. No Paranhana se fala que cada sala de aula é uma escola dentro de outra escola.

2. Diagnosticar, planejar e medir. É o que a Agenda Paranhana 2020 está propondo às escolas, inclusive foi desenvolvido uma ferramenta na área da tecnologia da informação que integra tudo isso (análise SWOT, mapa estratégico, indicadores, projetos, processos), servindo para diagnosticar, planejar, monitorar, comunicar e documentar.

3. Pagar mais aos melhores. Foi criado para uma rede municipal o PREME (Programa de Reconhecimento por Méritos) para vincular a remuneração ao desempenho, com o diferencial que remunera as melhores escolas e tem como parâmetro os critérios da excelência da FNQ (MEG).

4. Transformar o diretor em gestor. Para os atuais diretores serem gestores é precisam que dominam as técnicas de gestão e, principalmente, tenham perfil inovador e de liderança. A ação da capacitação de diretores realizada em Pernambuco é um bom exemplo, mas, antes disso, é imprescindível que o diretor queira de fato assumir o papel de gestor.

Poderíamos acrescentar uma quinta idéia que, talvez, possa ser a mais substancial: desenvolver ações para trazer os pais para a escola, mesmo que a resistência seja tamanha e de ambas as partes. Compete a escola não se conformar, nem se acomodar com a falta do vínculo.

Aguardemos, quem sabe um dia as escolas percebam que gestão não é uma palavra proibida na educação, com o argumento que se restringe ao mundo dos negócios, mas sim que deve ser a palavra de ordem de todas as organizações.

Marcos Kayser
Filósofo voluntário da Agenda Paranhana 2020 e da Agenda 2020

O “troca-troca” na política partidária brasileira

Não sei se a melhor palavra é prostituição para expressar o “troca-troca” que ocorre na política partidária brasileira. O candidato, o polítco, hoje dá seu apoio pra um, amanhã pra outro que era ontem justamente oposição. Chega-se ao cúmulo de um mesmo partido ter representantes que apóiam “a” e os que apóia “b” e chamam isso de liberdade. Se trocar de partido como se troca de roupa todo dia já era contestável, o que dizer das coligações entre oposições? No tempo de dois partidos, Arena e MDB isso era mais difícil, ou melhor, não tinha como acontecer. Numa analogia com o futebol, pra bom gaúcho enteder, é como se colorados e gremistas trocassem de time a todo momento quando convém. É como se a nova concepção pluripartidária tivesse sido criada justamente para permitir a nova prática. Prática em que a infidelidade e o desprendimento para algum tipo de ideal coletivo é total. Assim o “troca-troca” constitui-se em mais um fato que ajuda no processo de desmoralização da classe política brasileira, pelo menos no conceito dos eleitores mais lúcidos e fiéis a princípios éticos. Afinal, como justificar que numa região do Brasil o partido “x” combata acirradamente o partido “y” e numa outra região do mesmo país os mesmos partidos andem de “braços dados”? Como justificar que em curto intervalo de tempo “x” e “y” sejam adversários que se massacravam e logo se tornam grandes aliados, com um discurso que ignora a história? Esta é a política partidária brasileira, onde as mudanças de posição acontecem por conveniência pessoal e a prostituição partidária é uma das grandes armas para continuar vencendo no jogo do poder. Jogo cujos jogadores parecem não admitir perder, tamanha a ganância pelo poder. Perde com isso o país, perde a população que não consegue fazer as devidas e necessárias distinções. E não havendo uma oposição legítima, como cobrar do eleitor que tenha partido e que assuma uma posição?

IDESE: Continuamos na “zona do rebaixamento”

Na última quinta-feira, dia 7 de outubro, a Fundação de Economia e Estatística (FEE) divulgou os resultados da pesquisa do Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (IDESE) dos municípios do RS. Os dados são de 2007 e o município e com exceção de Taquara, todas as cidades da região tiveram uma queda na comparação com 2006.  No ranking regional não houve alteração de posição. Quem era a primeira colocada, no caso Igrejinha, continuou sendo e o mesmo ocorreu com as demais.  No âmbito estadual Igrejinha ficou na posição 171 com o índice geral  0,723,  sendo que em 2006 estava na posição 152. Taquara ficou na posição 203, com o índice 0,710, sendo que em 2006 era 207. Três Coroas ficou na posição 228, índice 0,702, e em 2006 era 226. Parobé ficou na posição 230, índice 0,702, e em 2006 era 229. Rolante ficou na posição 297, índice 0,678,  e em 2006 era 287. Riozinho ficou na posição 385, índice 0,643, e em 2006 era 374.  O município de Caxias do Sul ficou em primeiro lugar com o índice geral 0,850 e dentre as cidades mais próximas ao Paranhana Esteio foi a melhor colocada ficando na segunda posição com o índice 0,840. O Idese é um índice sintético, composto por 12 indicadores, divididos em quatro blocos temáticos: Educação; Renda; Saneamento e Domicílios; e Saúde. Taxa de abandono no ensino fundamental, taxa de reprovação no ensino fundamental, taxa de atendimento no ensino médio e taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos e mais de idade formam o tema Educação. Geração de renda – PIBpc e apropriação de renda – VABpc do comércio, alojamento e alimentação formam o tema Renda. Domicílios abastecidos com água e com esgoto sanitário, média de moradores por domicílio formam o tema Saneamento e Domicílio. Crianças com baixo peso ao nascer, taxa de mortalidade de menores de cinco anos e esperança de vida ao nascer, formam o tema saúde. Dentre estes temas, aquele em que o Paranhana apresenta maior deficiência é o tema saneamento, seguido do tema renda. Dentre as regiões do RS, considerando os Coredes, o Paranhana continua na anti penúltima posição. Fazendo uma comparação com o campeonato brasileiro de futebol, o Paranhana segue na zona do rebaixamento, mas, quem sabe, nas próximas edições da pesquisa, sem almejar Libertadores e muito menos ser campeão, por nossas limitações econômicas, consiga sair desta indesejada posição, precisando, para isso, de mais investimento público em saneamento.

Marcos Kayser

Uma análise matemática sobre o voto regional

Várias leituras podem ser extraídas do resultado das urnas durante as eleições, ocorridas no último domingo. Resultado que também pode ensinar, desde que realmente exista uma vontade política de sanar o vazio da representatividade regional, a ser preenchida por candidatos que residem no Vale do Paranhana. Região que tem um eventual desejo de eleger um representante regional que teoricamente teria o que chamamos de identidade regional.  Com base nos números, não dá para afirmar que a região não priorizou os candidatos regionais. No caso da apuração dos votos para  deputado estadual, somando-se os percentuais de votos dados aos candidatos daqui que eram seis, chegou-se a 38,71% dos votos válidos. Nas últimas eleições, há quatro anos atrás, este percentual foi de 42,78 para quatro candidatos. Por estes dados, podemos pensar que quanto maior o número de candidatos menor será a adesão aos candidatos, talvez por uma tendência de  dispersão. Se considerarmos o percentual de votos do deputado Fixinha, que muitos consideram um candidato da região, por ter nascido aqui,  entre outros fatores, o percentual deste ano subiria para 47,91, ou seja, quase 50% que é bem expressivo, na minha opinião, levando em conta que os cabos eleitorais dos candidatos são os prefeitos e vereadores e estes, em sua maioria, apoiaram candidatos de fora. O candidato mais votado, fora estes, não chegou a 4%. Fazendo um mero exercício matemático, e não político, os dois candidatos da região mais votados para deputado estadual foram Claudio Barros (26240) e Claudio Silva (13583), ambos de Parobé. Somando os votos destes, chegamos a 39823, o suficiente para eleger um dos dois, caso vinculado fosse a sigla do PTB, partido de Claudio Barros, pois o último candidato eleito do PTB, Ronaldo Santini, totalizou 35029. Parece que fica mais uma vez demonstrado que a dificuldade da região em eleger um candidato é proporcional ao número de opções de candidatos locais. E também que a eleição de um candidato regional  depende muito menos dos eleitores e mais dos partidos e suas lideranças. Isso porque jamais se conseguirá convencer o eleitorado a votar na sua totalidade em um candidato daqui, ainda mais quando a escolha se dá muito mais pelo lado pessoal do que regional,  conforme mostra a enquete feita nesta semana pelo portal da TCA.

Marcos Kayser

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