Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

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Quem será o “abestado”?

Há fenômenos estranhos que acontecem no processo eleitoral e político brasileiro. Não é de hoje que Tiriricas no pleno exercício de um  direito se candidatam sem possuir os pré-requisitos para tal e, o que mais preocupa, acabam se elegendo com números expressivos de votos, sucumbindo durante o mandato pelo despreparo. Preparo que pode ser determinado por uma certa base de conhecimento das leis vigentes, uma certa capacitada de articulação e argumentação e mais alguns atributos que se sugerem recomendados para um bom candidato ao parlamento,  o que também não garante que estes irão cumprir bem a função tanto moral como operacionalmente.

A pesquisa Datafolha mostra que Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, obteria 3% dos votos em São Paulo, chegando a 900 mil, considerando-se a proporção de 30 milhões de eleitores do Estado. Sendo assim, Tiririca seria, se a eleição fosse hoje, o deputado Federal mais votado em todo o país, e elegeria alguns outros candidatos com pouca ou nenhuma expressão eleitoral na sua legenda ou coligação composta, além do PR, pelo PT e PCdoB. Estes candidatos é bem provável que se elegeriam as custas de Tiririca com menos de 500 votos cada um.  Tiririca é o retrato do Brasil, que elegeu Juruna e votou no ficcional Cacareco.

Vestido de palhaço, Tiririca, em tom de deboche, aparece em diferentes inserções no horário eleitoral de seu partido, o PR. Identificando-se como “o candidato abestado”, ele usa bordões e diz frases como as seguintes:

- “Vote no Tiririca, pior do que tá não fica!”

-  “Oi gente, estou aqui para pedir seu voto porque eu quero ser deputado federal, para ajudar os mais ‘necessitado’, inclusive a minha família. Portanto meu número é 2222. Se vocês não votarem, eu vou morreeer!”

- “Oi, eu sou o Tiririca da televisão. Sou candidato a deputado federal. O que é que faz um deputado federal? Na realidade eu não sei, mas depois, eu te conto.”

- “Quando vocês apertarem na urna eleitoral, vai aparecer esse cara aqui, e esse cara aqui sou eu. Ô candidato lindo!”

- “Você está cansado de quem trambica? Vote no Tiririca”

-Para deputado federal, Tiririca. Vote no abestado”

No horário eleitoral de ontem, Tiririca apareceu inicialmente escondendo o rosto e perguntando: “Adivinha quem está falando? duvido vocês ‘adivinhar’! “. Em seguida, tirou as mãos do rosto e declamou: “Sou eeeu, o Tiririiiica, candidato a deputado federaaaal, 2222, não esqueeeeeça, peguei vocês, enganei vocês, vocês ‘pensou’ que fosse outra pessooooa, sou eu, o abestaaaaado, vote 2222!”

Como a história mostra que os Tiriricas eleitos não tiveram o mesmo  sucesso no mandato, não nos atreveremos a dizer que criticar suas candidaturas é  discriminar os menos “favorecidos”. Votar em candidatos que no discurso já demonstram uma certa desestrutura, não só é um ato de pouca inteligência, como também de irresponsabilidade, apesar de uns justificarem como sendo um voto de protesto. Haverá outras formas mais eficientes de protesto, né? Resta saber, quem será mais “abestado”: o candidato ou o eleitor? Tomará que esta pergunta perca o sentido, na medida em que as urnas não comprovem a tendência da eleição do “abestado”.

Marcos Kayser

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