Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

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Entre uma partida e uma chegada

Verão sugere veraneio, pelo menos para nós brasileiros que normalmente reservamos as férias para esta estação. E como é bom viajar! Numa viagem respiramos novos ares, conhecemos novos lugares. Na maioria das vezes, nos sentimos mais livres, pois nos desprendemos da rotina recheada de compromissos, amarras assumidas muito mais por obrigação do que por vontade. Digo na maioria das vezes porque muitos não conseguem se desprender da rotina, nem mesmo numa viagem de férias. Desprendimento que deixa a tal rotina de lado, em segunda ou terceira instância, permitindo que a contingência e a criatividade sejam colocadas como prioridade. Desprendimento que pode ser acompanhado, desde que seja bem acompanhado, e a família é uma das boas companhias, para quem tem bons vínculos familiares, é claro. Lembro-me de um amigo meio ermitão que, perguntado pela sua solidão, respondeu sentir-se muito bem acompanhado por ela. Michel Onfray no seu livro Teoria da Viagem diz que numa viagem se descobre verdades essenciais a estrutura do ser humano e isso ocorre não só durante a viagem, mas também antes e depois. Dores e feridas, tédios e tormentos, pesares e infelicidades, tristezas e melancolias se amplificam na viagem, segundo Onfray. A viagem não cura, pois o que embarca na partida reaparece na chegada, mas pode servir de terapia, na medida em que possibilita enxergar melhor o que não vemos quando mergulhados, quase afogados, na rotina do dia a dia. Enxergar para poder compreender e suportar, a si e ao outro, o que pode representar um (re)encontro. Agora, chegar de volta em casa é bom demais. E a casa não se restringe ao lar, estende-se à rua, ao bairro, à cidade, ao trabalho e, principalmente, às pessoas de nosso círculo de relações, inclusive aquelas da rotina que muitas vezes não suportávamos mais, mas que na viagem acabamos sentindo saudades e reconhecendo o seu significado. Se viajar é encontrar-se, então retornar a casa é perder-se? Talvez sim, por isso temos que voltar a planejar uma nova viajem. Então, entre a partida e a chegada, o que será melhor? Atrevo-me a dizer que o melhor é viajar, ressalvas àquela viagem que deu tudo errado. Parece contraditório, mas é experimentando o distanciamento proporcionado pela viagem que descobrimos significados.

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