Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um dos sócios fundadores da TCA Informática que iniciou atividades em 1988. Idealizador do software Scopi. Bacharel, licenciado e mestre em Filosofia pela Unisinos. Tem curso de formação em gerenciamento de projetos. Presidiu a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (CICS-VP). Preside o Comitê Regional do PGQP no Paranhana. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação.

Obras do Autor
Buscar

Archive for dezembro, 2009

PIB espelha a economia da região

O Pib da região, exercício 2007, continua nas últimas posições no ranking gaúcho, espelhando a realidade econômica do Paranhana. A região segue na 20.ª posição no Rio Grande do Sul de um total de vinte e duas, o que significa que estamos entre as três piores economias do Estado. No ranking do PIB per capita, que é o Pib dividido pela população, a região também manteve a mesma posição, apesar do PIB de 2007 ter tido um crescimento de 15,8% em relação a 2006, mas não foi suficiente para fazer a região melhorar a sua posição. Posição que confirma as dificuldades econômicas enfrentadas principalmente pelas empresas que dependem do mercado local. O melhor resultado em termos de PIB per capita em 2007 foi de Igrejinha, com um valor de R$ 15.573, que ocupa a 153ª colocação no Rio Grande do Sul. O segundo melhor resultado é de Três Coroas, com um valor de R$ 13.785 e a 198ª posição no Estado. Na terceira posição, Riozinho alcançou o PIB per capita de R$ 10.533, ocupando a 329ª colocação no Estado. Três municípios da região continuam com PIB per capita abaixo dos R$ 10 mil. Em Parobé, o valor foi de R$ 9.760 em 2007, na 372ª colocação no Estado. Rolante alcançou um PIB per capita de R$ 9.310 na posição 406. Por fim, Taquara continua com o pior PIB per capita do Vale do Paranhana com o valor de R$ 8.881,00, na posição 425 de um total de 496 municípios. A falta de indústrias pode ser apontada com uma das causas para a posição preocupante de Taquara. Posição que, infelizmente, não muda substancialmente de um ano para o outro, ao menos que surja ou se instale na cidade uma grande indústria, como ocorreu com a Schincariol em Igrejinha, o que fez com que a mesma desse um grande salto. O caso de Igrejinha aponta para a importância das influências políticas, talvez mais determinantes do que os aspectos técnicos que condicionam a decisão de uma grande empresa se instalar num dado lugar. E neste quesito parece que Taquara não está entre aquelas cidades com maior poder político, pois, se assim fosse, é bem provável que já teria trazido empreendimentos de grande porte para cá. Outra questão é o fator empreendedorismo. Ao que parece Taquara também não está entre aquelas com o maior potencial empreendedor, senão já teríamos um pólo industrial, pois os próprios empreendedores locais pressionariam o Executivo para criar o tão falado distrito industrial que há 20 anos atrás era Parobé. Hoje nem sei mais se há espaço para a criação de um distrito industrial, pois outras cidades vizinhas já possuem e oferecem melhores condições pois junto de seus distritos há inclusive incubadoras tecnológicas, como é o caso de Campo Bom. Com base no cenário atual, podemos pensar que os governantes do passado não souberam planejar o futuro de Taquara, não pensaram estrategicamente. Poderiam ter previsto o risco de perder Parobé e assim criar estratégias como evitar o surgimento de casas residenciais no distrito, como fez Gravataí, só a título de exemplo. Assim, não dá para excluir a grande parcela de responsabilidade dos governantes municipais pelo estágio da economia, em especial, de Taquara, e se espera que aprendam que é necessários planejar e ter visão de longo prazo.

Até rei tem preço

Na cobertura da escolha dos grupos da Copa do Mundo de 2010, diretamente da cidade do Cabo, na África do Sul, a curiosidade era saber quais seriam as seleções que fariam parte do grupo do Brasil.  Mesmo com o sentimento otimista, construído a partir da boa performance dos comandados de Dunga, durante as eliminatórias, sempre há uma certa dose de ansiedade por saber quais adversários estarão no caminho da seleção canarinho e até que ponto poderão representar algum tipo de ameaça à classificação já na primeira fase. Mas, apesar do centro da atenção estar na formação dos grupos, particularmente, o que chamou a atenção foi não ter ouvido o nome de Pelé dentre as celebridades protagonistas do sorteio, por ser figura indispensável nos grandes eventos do futebol internacional. Não demorou muito para saber que a ausência de Pelé se dava a uma concorrência entre o patrocinador da FIFA, entidade promotora da Copa do Mundo, e o patrocinador do rei do futebol. Nos jornais e na Internet informações sobre o fato, considerado por mim inusitado pela ausência de Pelé no evento, não suscitou maior destaque. Surpreendeu-me a falta de mais detalhes sobre o assunto, nenhum comentário que pudesse trazer algum questionamento ou elevar o pensamento sobre o que faz com que um homem condicione suas paixões ao poder econômico. Talvez por causa da vertente filosófica, pensei em encontrar algo escrito que fosse além do fato em si, induzindo a refletir o peso do interesse econômico, capaz de determinar a conduta de um rei, aparentemente com a vida resolvida, sob o aspecto financeiro e de poder. Apressadamente ou ingenuamente, sei lá, constatei: “até rei tem preço”. Isso significa que Pelé é mercadoria e, como tal, pode ser comprada, tem preço e tem quem compra. Comprador que adquire o direito inclusive de tolher o rei de contemplar aquilo que, bem provável, seja sua maior paixão: as coisas do futebol. Indo um pouco além da primeira questão, por que Pelé não estava presente, podemos pensar: por que um homem já afortunado se submete a conter seus desejos e paixões por uma única e exclusiva motivação: mais dinheiro? Hobbes, filósofo do século XVI, continua vivo. Ele cita que todo o homem busca felicidade e a felicidade é um movimento contínuo do desejo de um objeto ao outro sem cessar. E desejo para Hobbes é desejo de poder. E poder para nossa sociedade contemporânea é dinheiro. Até Pelé, com toda a fortuna que tem, rende-se ao dinheiro e o movimento em busca dele, é incessante, sempre mais e mais, sem cessar, pelo menos até a morte. Não se conforma quem não tem, não se contenta que tem. Então me atrevo a desconfiar que “o trono da majestade não é do rei, é de outra majestade: o mercado”. Se havia outro motivo para Pelé não estar presente, desconsidere o que escrevi sobre o rei, mas não sobre o dinheiro.

Arquivos