Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

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Personalidade: determinação genética ou ambiental?

Por que somos assim como somos? A genética determina nosso jeito de ser ou é a convivência com pais, amigos e sociedade? É possível mudar? Estas são questões trazidas na reportagem principal da revista Super Interessante deste mês de janeiro. A reportagem cita o caso das irmãs iranianas que viveram 29 anos grudadas e morreram na cirurgia que tentou separá-las. A opção pela cirurgia, foi delas próprias, mesmo sabendo do alto risco de vida que corriam. Elas desejavam cada uma viver a sua própria vida já que muitos de seus pensamentos e desejos não eram compatíveis, apesar de geneticamente idênticas. Uma desejava ser advogada outra jornalista. Uma era mais extrovertida, outra mais tímida, fora outras diferenças. Conclui-se, por este e outros acontecimentos, que o nosso DNA, ou seja, a nossa genética não determina a nossa personalidade sozinha. A genética apenas pré-dispõe o indivíduo a ser de uma forma. As últimas pesquisas no campo da ciência mostram que é a interação entre genética e ambiente que define quem somos e o que seremos. Um problema da fala causado geneticamente pode desencadear uma timidez exagerada. Agora, se os pais e amigos desta criança durante a sua educação intervirem, buscando a superação de um eventual medo, são grandes a chance de mudar a tendência. Os pais têm papel fundamental no processo de formação da personalidade dos filhos. E parece que muitos pais não se dão conta.  Um bebê recém nascido é como um molde de argila que é moldado a partir da convivência e da troca de afetos com seus pais. Talvez resida aí o “calcanhar de aquiles” (um dos) dos tempos modernos, no que tange à formação da personalidade do indivíduo que se dá enquanto criança. Os tempos modernos, pós-modernos com muitos pensadores chamam, são caracterizados pela escassez de tempo para o convívio familiar. Os pais dedicam hoje um tempo muito maior ao exercício de sua profissão do que antigamente, chegando a trabalhar mais de 12 horas por dia e para isso as novas tecnologias auxiliam. O celular toca a qualquer horário, em qualquer lugar. A Internet está disponível inclusive nos finais de semana e praticamente em todas as partes habitáveis do planeta. As dificuldades de empregabilidade obrigam à muitos constituírem o seu próprio negócio e aí, realmente, trabalhar não tem hora. O empreendedor pensa na empresa quase nas 24h do dia, até sonhando, quando não em pesadelo. Resultado: menos horas dedicadas ao convívio, ao diálogo com as crianças, a troca de afetos, ao vínculo. Daí vem muitas patologias, ou seja, doenças comuns ao nosso tempo, conforme atestam os psicólogos. O distanciamento afetivo com os pais leva os jovens a buscar referências fora. É quando entra a influência dos amigos, da televisão, e outras fontes de referência que corroboram na constituição psíquica. Por fim, se confirma a afirmação do filósofo Willian James que bem antes dos tempos modernos, em 1890, já dizia: “O homem tem tantos eus quantos são os indivíduos que o reconhecem”, antecipando que não é só a genética que determina. Somos o que somos a partir da convivência com os eus dos outros e os principais eus pelos quais somos recepcionados no mundo são os eus dos nossos pais.

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