Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

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Reflexões sobre o tempo

Há momentos na vida como as festas de aniversário, Natal, Ano Novo e carnaval, que nos surpreendem pela velocidade com que retornam. Rapidamente estamos diante delas novamente, como se tivessem ocorrido ontem. Tudo porque estamos condenados ao tempo. Muitos filósofos pensaram e escreveram sobre o tempo. Um deles foi Agostinho, que viveu aí pelos anos 400 d.C.. Para Agostinho, o tempo existe apenas como algo que a nós escapa: “O que é o tempo, afinal?” pergunta ele e responde:  “se ninguém me pergunta, eu sei, mas se me perguntam e eu quero explicar, já não sei”. Ou seja: experimentamos o tempo, mas não conseguimos dizer o que é. O tempo foge, escorrega, escapa, está sempre em movimento. Quando falamos nele, já é passado.

Um dos maiores desejos do homem moderno foi medir e controlar o tempo, talvez motivado pelo sonho de poder dominá-lo. Inventamos o relógio para controlar o tempo. Uma invenção para dar conta de outra. Mas diante do tempo inventado, haverá um tempo real?

Na Antigüidade, o tempo era medido de acordo com os ciclos da natureza: o dia e a noite, as quatro estações. Foi apenas no século XIII que o homem inventou o relógio mecânico.

A grande revolução que o relógio mecânico permitiu foi a possibilidade de ordenar a vida das pessoas com precisão (horas, minutos, segundos). Uma revolução que mudou para sempre a organização do trabalho e da sociedade. E a vida passou a ser determinada pelo ritmo incessante do relógio. Um marcador, um número, para controlar uma humanidade.

Hoje, sabemos que o tempo não está no relógio. O relógio é um signo, um símbolo de uma convenção. Agora, haverá outros tempos? Dizem os físicos que sim. Aqui por uma questão de tempo não vamos discorrer sobre estes outros tempos postulados pela ciência. O tempo aqui se reserva a pensar o tempo do senso comum, daquele que não vive a vida sem o tempo. E por falar de vida, a própria vida, em certo aspecto, é o tempo. Tempo entre a vida e a morte. Tempo como condição de existência. Termina o tempo, termina a vida. Quanto mais o tempo passa, menos tempo temos, pois nós passamos no tempo. Tiremos o tempo, que outra vida teremos? Fora do tempo? Nós, fora do tempo, seremos nós mesmos? Será possível pensar a vida sem o tempo? Uma coisa é certa: estar no tempo sem tempo não é vida.

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