Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

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Imprensa (im)parcial: o exemplo é o futebol

Apesar de sermos o país do futebol, muitos brasileiros não gostam arte da bola, até detestam. Já outros não só gostam como são fanáticos e só enxergam a bola rolar, engolindo tudo sem mastigar, me refiro aos comentários, a princípio fidedignos, dos especialistas em futebol. Para analisar criticamente o que dizem os comentaristas é preciso tentar entender um pouco a ciência da bola. Sim porque assim como futebol é arte também é ciência, pois por mais popular que seja tem regras e estratégias. O que se viu no último jogo da seleção brasileira, na partida contra o Uruguai no Morumbi, retrata bem o quanto alguns setores da imprensa querem manipular a opinião popular e para isso exploram o que interessa. O bairrismo da imprensa do centro do país, mais especificamente São Paulo e Rio de Janeiro, chega a ser doente. Todos somos um pouco bairristas, nós gaúchos também, mas no caso da seleção brasileira o bairrismo deveria ser em nome do país e não de um ou outro estado. Até no bairrismo penso que nós gaúchos somos mais justos. Para os paulistas e cariocas o técnico Dunga, mesmo  com todo o retrospecto a seu favor, é pessoa não grata no posto de técnico da seleção, assim como foi na época de Felipão. Agora se o técnico fosse um paulista ou carioca, independentemente de estar vencendo ou não, seria a solução. Não que Dunga seja já um referência como técnico, afinal, está há muito pouco tempo nesta posição e treinar a seleção com o pouco tempo que tem é quase uma aventura, visto que sua função fica muito mais restrita a escalar do que treinar. E quanto a escalar o time e fazer as subsituições, poucos elogios Dunga recebeu ao substituir corretamente Ronaldinho Gaúcho no jogo contra o Uruguai, mesmo que a medida era do consenso geral. Menos consenso seria se Dunga retirasse Robinho ou até Kaká que junto com Ronaldinho não fizeram nada na partida, nem técnica nem garra. Certamente Dunga mais criticado seria se o escolhido para retirar do time fosse um dos paulistas. Já Ronaldinho, provavelmente por ser de outro país, mereceu todas as críticas. Falcão, talvez por ser gaúcho, foi um dos poucos comentaristas que se atreveu a dizer que Robinho seria para ele o escolhido. Sinceramente, não consegui ver quem foi o pior dos três tamanha mediocridade. Percebe-se que a imprensa tem o poder de manipular e, infelizmente, nem sempre é imparcial, sobrando até para o futebol, para muitos uma alienação, para mim uma paixão que não dispensa a razão. Diante de um mundo tão falso além da emoção temos que ser racionais, pois o grande risco que corremos é nos alienarmos do real, mesmo distante do futebol.

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