Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

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Meninos mais violentos

Segundo William Pollack, a educação de meninos, de uma forma geral, está em crise no mundo. Psicólogo de Harvard,  autor do livro “Meninos de Verdade -Conflitos e Desafios na Educação de Filhos Homens”, Pollack afirma que a falta de uma maior atenção da família e da escola está fazendo com que principalmente os meninos tenham problemas de aprendizado e fiquem mais agressivos do que as meninas na sociedade. A afirmação do psicólogo, com base em suas pesquisas nos EUA, se aplica também ao Brasil. Aqui, as estatísticas do IBGE mostram que os jovens do sexo masculino são seis vezes mais propensos a morrer de causas violentas do que as mulheres da mesma faixa etária, sendo que a crise de violência entre jovens no Brasil não se restringe aos mais pobres. Dados do MEC mostram que eles aprendem menos, tem maior repetências e abandonam mais os estudos. Na opinião de Pollack, diferenças biológicas explicam em parte esse fenômeno, mas é principalmente a forma como a sociedade interage com os meninos que aumenta suas chances de fracasso na escola e de se tornarem mais violentos. Meninos sempre foram, em média, mais violentos, mas as taxas de suicídio entre jovens do sexo masculino e feminino nunca foram tão distantes. Antes, era mais fácil para eles acharem seu lugar na sociedade, entrarem numa universidade e conseguirem um emprego. Segundo o psicólogo há diferenças biológicas entre os gêneros, mas estudos sobre o cérebro mostram que, apesar de haver diferenças, o que mais afeta o ser humano é a forma como se relaciona. A testosterona não explica, sozinha, porque chegamos a um grau de violência tão alto entre meninos. Meninos estão muito mais desconectados em relação aos adultos em casa, na escola e em toda a sociedade do que as meninas. Quanto mais desconectados, mais falham. Historicamente, meninas são mais fáceis de serem conectadas aos adultos. Elas são mais abertas a falar de seus sentimentos, mais propensas a usar palavras em vez de brigar. É verdade que estamos tendo também mais brigas entre meninas ou gangues formadas por elas, mas isso acontece principalmente com meninos. Comunicar-se com elas exige menos esforço. Isso é devido em parte à biologia, mas também à cultura, pois os meninos por tradição precisam provar sua masculinidade por meio de agressividade. O novo modelo familiar [em que a mulher também trabalha fora] tira mais tempo dos pais para ficarem com seus filhos e o que afeta tanto meninas quanto meninos, mas tende a deixar principalmente meninos mais agressivos.  Não significa, no entanto, que tenhamos que voltar ao modelo familiar tradicional. Os pais podem achar que, tendo saúde e suporte financeiro, eles não precisam de mais. Mas eles precisam de afeto, emoção e cuidado maior dos pais. Meninos não devem ser mais independentes do que meninas. Precisamos ser capazes de cuidar de nós mesmos, mas sem ignorar o outro, que também precisa dos nossos cuidados, afinal nossa natureza humana exige interdependência.

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