Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

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Do que uma crônica é capaz

Para compreender o teor deste “discurso” é essencial ter ouvido na Rádio Taquara a minha crônica, intitulada “Conspiração contra o Caridade”, ou lido a mesma que se encontra publicada no Paranhana On-line, primeiro Jornal Digital do Vale do Paranhana. Também se faz necessário ter lido o “Esclarecimento sobre o Hospital de Caridade”, veiculado no Jornal Panorama do dia 3 de março, cujo título é “Conspiração ou dificuldade de aceitar o contraditório?”, de autoria dos editores do Jornal. Aqui começa minha dificuldade de compreensão, pois, normalmente um esclarecimento não faz insinuações. Sinceramente, não gostaria de estar escrevendo este texto, mas acabei acolhendo aos que me aconselharam, visto que tive meu nome citado por ter sido autor de uma crônica, considerada pelos editores do Jornal Panorama como um ataque ao Jornal. Para quem leu atentamente a crônica, “Conspiração contra o Caridade”, com a sensibilidade exigida por este estilo literário (narrativa de fatos pouco definida), vai perceber que a idéia central não é atacar este ou aquele, mas provocar (ou atacar, como queiram) a reflexão sobre a falta de sensibilização para um caso de extrema complexidade que atinge toda a comunidade. Uma definição do tipo: “o Hospital de Caridade continua atendendo normalmente” é perigosa e pode contribuir para a insensatez. Esta conclusão, junto a outros elementos da matéria, pode comprometer até mesmo o discurso da diretoria do Hospital que justifica as dificuldades enfrentadas pela falta de repasses dos governos. Um hospital não pode simplesmente funcionar, ele deve necessariamente funcionar BEM. Muitas vezes basta o uso incorreto de uma só palavra para distorcer toda uma afirmação que pode estar cheia de boas intenções. O “Esclarecimento” fala em “dificuldade de aceitar o contraditório”. Desde o livro Gama de Aristóteles sabemos que quem aceita o contraditório, aceita a contradição, que é ser e não ser ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto, o que é inaceitável, ilógico e irracional. É dizer e, ao mesmo tempo, desdizer-se. Assim sendo, é bem provável que o Jornal Panorama tenha se equivocado ao pressupor que alguns deveriam aceitar o contraditório. Enfim, como tive a exclusividade e o desprivilégio de ter sido citado, e, ao mesmo tempo, entendo que o “Esclarecimento” não cumpre com sua pretensão de esclarecer, teço alguns comentários sobre as cinco considerações lá apresentadas:

1º  Não foi só o Jornal Panorama que revelou no dia 12/01/2007 os problemas do Hospital de Caridade,  no dia 04/01/2007, mais precisamente às 8h13min, o Paranhana On-line noticiou que o telefone estava bloqueado.

2º  Acho que  quem vai atrás da notícia deve ser a imprensa e não vice-versa, como dá a entender o “Esclarecimento”, quando diz que os representantes do sindicato dos funcionários nunca haviam procurado à imprensa.

3º Antes de concluir que o Hospital continua atendendo normalmente, a partir de uma única visita, não caberia entrevistar pacientes que semanalmente falam na Rádio Taquara, reclamando de atendimento, como também entrevistar os próprios funcionários que acusam o Hospital de negligência? E ainda entrevistar os médicos que em sua grande maioria deixaram de baixar no Caridade?

4º Na medida em que a reportagem do Jornal Panorama do dia 16/02/2007 afirma que o Hospital continua atendendo normalmente, conclui-se que as denúncias dizendo o oposto eram infundadas. A menos que duas sentenças opostas possam ser consideradas ao mesmo tempo verdadeiras, o que nos parece uma contradição (agora sim caberia falar em contraditório).

5º Dizer que “a repercussão da matéria mostra, portanto, a dificuldade de algumas pessoas de aceitarem o contraditório”, excluindo a falta de sentido configurada pelo o uso do “contraditório”, autoriza a dizer algo semelhante com relação à crônica, cuja repercussão motivou o “Esclarecimento”, ou seja, que muitos têm dificuldade em aceitar críticas e reconhecer equívocos.

Uma última ressalva: quem assina a crônica é o cidadão taquarense e não o presidente da entidade, portanto, o nome CICS não deveria ter sido empregado  no “Esclarecimento” em respeito à entidade. Encerro aqui, expressando minha estima pela História do Jornal Panorama e espero que seus editores compreendam a pertinência desta manifestação.

Marcos Kayser
Cidadão Taquarense

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