Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um dos sócios fundadores da TCA Informática que iniciou atividades em 1988. Idealizador do software Scopi. Bacharel, licenciado e mestre em Filosofia pela Unisinos. Tem curso de formação em gerenciamento de projetos. Presidiu a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (CICS-VP). Preside o Comitê Regional do PGQP no Paranhana. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação.

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Archive for março, 2007

Dica para Empreendedores

No mundo dos negócios um dos mais importantes atributos que o empreendedor deve ter é a capacidade de interpretar os sinais de avanço da sociedade e buscar maneiras de antecipar o que está por vir, modelando seu empreendimento para novos momentos. A afirmação é da diretora de Operações do Sebrae/RS, Susana Kakuta, e do jornalista Julio Ribeiro, autores do livro Trends Brasil – Tendências de Negócios para Micro e Pequenas Empresas. A obra reúne 20 que impactarão o futuro dos negócios na próxima década. “Cada tendência segue acompanhada de algumas sugestões, tanto para novos empreendimentos quanto para a reformulação ou incremento a empreendimentos já existentes”, explica Susana, ponderando que o livro não é um manual, mas uma provocação que deve levar o leitor a repensar ou a ser estimulado para a possibilidade de empreender um novo negócio. Entre as 20 tendências tratadas no livro, algumas se destacam. O aumento da população brasileira com mais de 60 anos é uma delas. Entre os censos de 1991 e 2000 houve um acréscimo de 17,8%, o que leva o País a ter cerca de 18 milhões de pessoas nessa faixa etária, ou seja, algo próximo de 9% de toda a sua população. Isso representa o fortalecimento de demandas próprias da chamada “melhor idade” nas áreas da saúde, qualidade de vida, entretenimento, entre outras, configurando novas oportunidades de negócios. Outra tendência significativa é a do crescimento do número de pessoas morando sozinhas. Atualmente, 10% dos cerca de 56 milhões de lares brasileiros são habitados por uma só pessoa. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, por exemplo, existem 88 mil homens e 111 mil mulheres morando sozinhos, representando um mercado importante para produtos e serviços específicos.

Além dessas, se destacam tendências como a do consumo precoce de produtos e serviços por parte de crianças e adolescentes, aumento da sensação de insegurança das pessoas, aumento da busca espiritual e mística, filhos morando mais tempo com os pais, entre outras. Cada uma das 20 tendências identificadas no livro é embasada em números, dados, pesquisas e, obviamente, no senso de observação dos autores. Além da contextualização da tendência, o texto discorre sobre as origens e o impacto de cada um desses movimentos sobre o mundo dos negócios. Para dar aplicabilidade ao estudo, os autores sugerem novos negócios que podem se beneficiar dos efeitos diretos e indiretos de cada tendência, bem como sugerem ações para se aproveitar tais efeitos em negócios já existentes.Trends Brasil é uma boa dica de leitura para quem já tem um empreendimento ou pensa em abrir seu próprio negócio. Em Taquara pode ser encontrado junto ao balcão Sebrae que está sediado na CICS, em frente ao Banco do Brasil.

A Omissão do Judiciário

Temos a perigosa sensação de que o Brasil não tem jeito. É um país com problemas estruturais e com enorme precariedade nos setores essenciais de sua sociedade: saúde, educação e segurança. Uns dirão que tivemos avanços. Reduzimos a taxa de mortalidade infantil nos últimos anos, porém não conseguimos implantar políticas de prevenção e educação suficientes para dar uma formação integral aos jovens. Sobrevive o bebê e nasce o adolescente delinqüente. Salvamos a vida de muitos que passam fome, por meio de programas assistenciais, mas não conseguimos desenvolver políticas de formação de mão-de-obra nem de geração de emprego e renda que permitissem o sustento com a força do próprio trabalho. Acabamos com a fome de um pobre miserável e castramos a autonomia e a dignidade. Como se não bastasse a ausência do Estado, e daí a precariedade, temos a corrupção que se expande em todas as direções. Uns dirão que a corrupção não é demérito da brasilidade, está presente até mesmo nas nações mais evoluídas do mundo. É da natureza o homem ser ganancioso, desejar poder e mais poder, como cita Hobbes. Agora, no caso brasileiro, o problema não está em desejar poder, mas na banalidade da corrupção, na forma que se desenvolve o processo de dominação. Aqui a corrupção foge ao controle, passando a ser uma espécie de moeda corrente que determina as relações. Descontrole que tem na impunidade um de seus fatores geradores, sobre o qual o Judiciário teria um papel chave na conteção do avanço tanto da corrupção como da impunidade. Todavia, o Judiciário se utiliza do mote da lei deficitária, da burocracia elevada, do sistema prisional esgotado, para justificar a sua falta. A ausência do Estado é o mecanismo de defesa do Judiciário, subterfúgio para isentá-lo da culpa. Assim, quando citamos que o Estado está ausente, realidade inegável, não é apenas ao Executivo e ao Legislativo que nos referimos, o Judiciário também está inserido no enunciado. É dever seu proteger o cidadão brasileiro por meio do cumprimento da Constituição, caso contrário é omisso. Claro que a deficiência de certas leis, a burocracia sem medida, o estrangulamento do sistema prisional brasileiro, a falta de mecanismos de controle, entre outros, incrementam a deteriorização do Estado, mas não justificam a passividade, o continuísmo e a conformidade. Em breve a desmoralização que já assola a política brasileira chegará ao Judiciário e, com ela, sucumbi uma das últimas esperanças do povo brasileiro. Que o “paraíso perdido” seja resgatado por nossos magistrados.

Do que uma crônica é capaz

Para compreender o teor deste “discurso” é essencial ter ouvido na Rádio Taquara a minha crônica, intitulada “Conspiração contra o Caridade”, ou lido a mesma que se encontra publicada no Paranhana On-line, primeiro Jornal Digital do Vale do Paranhana. Também se faz necessário ter lido o “Esclarecimento sobre o Hospital de Caridade”, veiculado no Jornal Panorama do dia 3 de março, cujo título é “Conspiração ou dificuldade de aceitar o contraditório?”, de autoria dos editores do Jornal. Aqui começa minha dificuldade de compreensão, pois, normalmente um esclarecimento não faz insinuações. Sinceramente, não gostaria de estar escrevendo este texto, mas acabei acolhendo aos que me aconselharam, visto que tive meu nome citado por ter sido autor de uma crônica, considerada pelos editores do Jornal Panorama como um ataque ao Jornal. Para quem leu atentamente a crônica, “Conspiração contra o Caridade”, com a sensibilidade exigida por este estilo literário (narrativa de fatos pouco definida), vai perceber que a idéia central não é atacar este ou aquele, mas provocar (ou atacar, como queiram) a reflexão sobre a falta de sensibilização para um caso de extrema complexidade que atinge toda a comunidade. Uma definição do tipo: “o Hospital de Caridade continua atendendo normalmente” é perigosa e pode contribuir para a insensatez. Esta conclusão, junto a outros elementos da matéria, pode comprometer até mesmo o discurso da diretoria do Hospital que justifica as dificuldades enfrentadas pela falta de repasses dos governos. Um hospital não pode simplesmente funcionar, ele deve necessariamente funcionar BEM. Muitas vezes basta o uso incorreto de uma só palavra para distorcer toda uma afirmação que pode estar cheia de boas intenções. O “Esclarecimento” fala em “dificuldade de aceitar o contraditório”. Desde o livro Gama de Aristóteles sabemos que quem aceita o contraditório, aceita a contradição, que é ser e não ser ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto, o que é inaceitável, ilógico e irracional. É dizer e, ao mesmo tempo, desdizer-se. Assim sendo, é bem provável que o Jornal Panorama tenha se equivocado ao pressupor que alguns deveriam aceitar o contraditório. Enfim, como tive a exclusividade e o desprivilégio de ter sido citado, e, ao mesmo tempo, entendo que o “Esclarecimento” não cumpre com sua pretensão de esclarecer, teço alguns comentários sobre as cinco considerações lá apresentadas:

1º  Não foi só o Jornal Panorama que revelou no dia 12/01/2007 os problemas do Hospital de Caridade,  no dia 04/01/2007, mais precisamente às 8h13min, o Paranhana On-line noticiou que o telefone estava bloqueado.

2º  Acho que  quem vai atrás da notícia deve ser a imprensa e não vice-versa, como dá a entender o “Esclarecimento”, quando diz que os representantes do sindicato dos funcionários nunca haviam procurado à imprensa.

3º Antes de concluir que o Hospital continua atendendo normalmente, a partir de uma única visita, não caberia entrevistar pacientes que semanalmente falam na Rádio Taquara, reclamando de atendimento, como também entrevistar os próprios funcionários que acusam o Hospital de negligência? E ainda entrevistar os médicos que em sua grande maioria deixaram de baixar no Caridade?

4º Na medida em que a reportagem do Jornal Panorama do dia 16/02/2007 afirma que o Hospital continua atendendo normalmente, conclui-se que as denúncias dizendo o oposto eram infundadas. A menos que duas sentenças opostas possam ser consideradas ao mesmo tempo verdadeiras, o que nos parece uma contradição (agora sim caberia falar em contraditório).

5º Dizer que “a repercussão da matéria mostra, portanto, a dificuldade de algumas pessoas de aceitarem o contraditório”, excluindo a falta de sentido configurada pelo o uso do “contraditório”, autoriza a dizer algo semelhante com relação à crônica, cuja repercussão motivou o “Esclarecimento”, ou seja, que muitos têm dificuldade em aceitar críticas e reconhecer equívocos.

Uma última ressalva: quem assina a crônica é o cidadão taquarense e não o presidente da entidade, portanto, o nome CICS não deveria ter sido empregado  no “Esclarecimento” em respeito à entidade. Encerro aqui, expressando minha estima pela História do Jornal Panorama e espero que seus editores compreendam a pertinência desta manifestação.

Marcos Kayser
Cidadão Taquarense

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