Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é um dos sócios fundadores da TCA Informática que iniciou atividades em 1988. Idealizador do software Scopi. Bacharel, licenciado e mestre em Filosofia pela Unisinos. Tem curso de formação em gerenciamento de projetos. Presidiu a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (CICS-VP). Preside o Comitê Regional do PGQP no Paranhana. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação.

Obras do Autor
Buscar

Filosofia do Jogo de Futebol

Em época de copa do mundo, para quem gosta tanto de filosofia e futebol, nada melhor do que tentar pensar na possibilidade de fazer uma filosofia do jogo de futebol. Podemos pensar que a inclinação para o jogo já está presente nos animais que pela teoria da evolução nos antecederam. Jogar e brincar são atividades da natureza animal e humana. O jogo é parte da vida. Em ambos no uns ganham, outros perdem, uns nascem, outros morrem. Na vida o homem ao longo da sua história sempre buscou projetar-se nos ídolos, alinhar-se aos modelos tidos como símbolos e heróis, mais recentemente pessoas bem sucedidas. No futebol qual é o menino de hoje que não quer ser Ronaldinho Gaúcho? Na vida quem ama é fiel àquele que ama. É assim o amor de mãe, o amor de pai, e também o amor de amigo. No jogo de futebol impressiona a fidelidade que os torcedores possuem em relação ao seu time, podem até admitir trocar de carro, de emprego e de mulher, mas não admitem trocar de time, nem mesmo se ele passa por fases ruins. Observem: quantos gremistas trocaram de time ao caírem pela segunda vez para a segunda divisão? Provavelmente, nenhum. Assim como a vida, o futebol é uma arte. Treinadores criam estratégias e os artistas da bola criam jogadas brilhantes. O bom jogador não só incorpora a regra e a estratégia, mas a transcende. Ou seja, o máximo de vivência das regras implica na máxima criatividade. O “balãozinho”, a “bicicleta”, o “elástico”, as “pedaladas” são malabarismos que a liberdade possibilita sem infringir a regra. O jogo de futebol, para ser bem jogado, exige de quem jogue treinamento, dedicação e concentração. Não joga bem quem dá mais atenção ao público que à bola. O que vale mais para quem joga: o show ou a vitória? Se o Brasil jamais tivesse vencido um título mundial, e não tivesse potencial para vitórias, despertaria toda esta paixão? Na época da copa até os menos chegados param para assistir as partidas do Brasil. O futebol exerce fascínio sobre quem joga e quem é espectador. O jogo arranca o jogador e o espectador da sua temporalidade e instaura uma espécie de experiência de eternidade e de catarse, própria da experiência estética. Do ponto de vista fisiológico, jogar futebol faz bem para o corpo, é exercício, ajuda a eliminar toxinas. Do ponto de vista ético-moral, jogar futebol implica em cumprir com suas regras, incorporá-las, respeitá-las, caso contrário quem transgride recebe punição. Benefício ou malefício ambos o futebol pode trazer, dependendo da orientação que lhe damos. Pode se tornar alienação para aqueles que não vêem outra coisa, senão apenas a bola. Do ponto de vista social o futebol ajuda na socialização e para isso não precisa estar dentro do campo correndo atrás da bola, fazendo às vezes de jogador. Na condição de torcedor nos unimos aos outros torcedores seja para festejar, seja para criticar o treinador, o juiz ou o jogador. A vida, como e enquanto um jogo, tem suas regras que precisam ser conhecidas e respeitadas, sob pena de uma vida mais ou menos feliz, ou como queiram, um vida bela ou uma vida boa. Sabemos das dificuldades que encontrará a criança que não aprender as regras, os limites próprios do jogo da vida. O futebol também tem seus limites que se desobedecidos vira caos, desintegração e colapso. Imaginem se o jogo não tivesse tempo previamente determinado para acabar? Ou que cada time pudesse colocar o número de jogadores que desejasse? Simplesmente, não haveria jogo. Na verdade, mesmo que inconscientemente, estamos constantemente jogando, mesmo que no jogo da vida entramos no jogo em andamento, o que não nos tira o poder de interferência e realização. O jogo de futebol, assim como a vida, não é pré-determinado pelo destino. Um resultado positivo, como dizem os jogadores em suas entrevistas, é obtido ao longo da competição, graças ao talento de cada jogador, da sua individualidade, da estratégia do treinador, do entrosamento do time, sintonia fina entre dirigente, equipe técnica, jogador e torcedor. O sucesso depende tanto da individualidade, como do conjunto. Quem sabe toda a mobilização que o futebol provoca sirva de exemplo para as tantas outras mobilizações necessárias pela vida. Como se vê, no futebol também há espaço para a filosofia.

Leave a Reply

Arquivos