Apresentação

Este blog é uma tentativa de traduzir o trabalho do pensamento em palavra escrita, com direito a falhas, equívocos e perdões.
Obrigado aos que tiveram o trabalho de dedicar sua atenção!

Perfil

Marcos Kayser é filósofo e empresário. Escreveu o livro O Paradoxo do Desejo, com prefácio de Márcia Tiburi, onde busca investigar a "mecânica do desejo nas relações de poder", e o livro Quando Tamanho não é documento, contando a história da gestão da TCA, empresa da qual é um dos fundadores e foi vencedora do Prêmio Nacional de Inovação. Idealizador do Scopi, software líder de mercado, que tem como objetivo ajudar as organizações a criarem a cultura do planejamento.

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Animalidade

Segundo estudos da Universidade de Emory, em Atlanta, os chimpanzés têm senso de justiça. E respondem negativamente a recompensas desiguais. Os chimpanzés até toleram ser prejudicados em negociações com amigos e parentes, mas não permitem fazer esse tipo de acordo com estranhos. Ou seja, dependendo com quem estão lidando, apresentam reações distintas. Em 2003, pesquisadores já tinham demonstrado que os macacos-prego também têm senso de justiça. Mas esses animais não apresentaram a mesma variedade de respostas dadas pelos chimpanzés. De acordo com a pesquisadora Sarah Brosnan, a evolução entre chimpanzés e humanos tem de cinco a sete milhões de anos de diferença. Já os macacos-prego são separados dos humanos em pelo menos 40 milhões de anos. Quando a comida está em jogo, é interessante observar as reações dos chimpanzés. Se eles recebem uma quantidade inferior de alimentos, mesmo tendo feito o mesmo trabalho que o outro, somente se rebelam se não forem íntimos do rival. Caso estejam competindo com amigos ou familiares, a tendência é ignorar a injustiça. E assim a ciência vai revelando as semelhanças entre animais e humanos. Outro estudo, feito pelo setor de antropologia da Universidade de Harvard, com chimpanzés e lobos, revela que os animais também lutam como o homem. Essas espécies têm a tendência de se organizar em grupos de machos, em geral das mesmas famílias, para defender seu território e matar os inimigos. Além de defenderem território, grupos vizinhos de chimpanzés patrulham fronteiras e até invadem o terreno alheio à procura de comida. E, se um deles cair nas garras de adversários, será morto ou gravemente ferido. A teoria da evolução, apresentada por Charles Darwin, explica as vantagens desse impulso combativo: o grupo que mata com mais eficiência em breve ficará com um número maior de guerreiros e o inimigo, com sua linha de defesa reduzida, ficará debilitado para reagir a futuros ataques. O grupo vencedor aumenta de tamanho e se torna cada vez mais forte, podendo controlar as terras e os recursos. Em situações onde existe uma competição por recursos, é vantajoso matar o maior número possível de inimigos.  Esses ataques são muita semelhança ao que ocorria com a Roma do Medievo e ao que ocorre com os EUA dos nossos dias, o que não significa dizer que o ser humano é por natureza belicoso e violento. Temos uma pré-disposição para a competição, ou seja, luta pela sobrevivência como meio de preservação da espécie, que poderá se tornar mais ou menos violenta a partir das relações de alteridade. Agora, na medida que essa luta transcende o sentido da sobrevivência, ela assume a condição de barbárie. O que nós fazemos, nenhum animal seria capaz de fazer, tamanha intenção bárbara. As crianças iraquianas que o digam, como também a cachorrinha de Pelotas, esfacelada brutalmente, junto de seus filhotes, quando arrastada premeditadamente por um carro. Em tempos antigos, lutávamos por liberdade. E agora, lutamos pelo o quê?  Dá para explicar nossa incapacidade de agir como humanos civilizados? A diferença entre homens e animais é de fato tão acentuada assim como um dia imaginávamos? Mesmo que nosso orgulho não permita qualquer parentesco com os animais, a evolução da ciência parece apontar para uma proximidade quase de irmandade. E em conseqüência de nossa animalidade a civilização continua adiada.

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